Termina a recessão... Brasil, tempo de crescer!

Termina a recessão... Brasil, tempo de crescer! Foto: Divulgação Termina a recessão... Brasil, tempo de crescer!

Este é o segundo trimestre consecutivo em que o Produto Interno Bruto (PIB) tem evolução positiva. Tecnicamente convenciona-se que esse desempenho do PIB trimestral indica mudança no “sinal” do ciclo econômico; nesse caso, fim da recessão e início da recuperação econômica. É tempo de crescer!

No 1º trimestre 2017 o PIB cresceu 1,0% sobre trimestre anterior, impulsionado pelo excelente resultado da safra agrícola e seu efeito na renda e emprego regional, demanda por maquinas e insumos agrícolas, ampliação do transporte e crescimento das exportações de grãos e outros derivados da cadeia agropecuária. No 2º trimestre o PIB cresceu 0,2% sobre o primeiro, fortemente influenciado pelo desempenho do consumo das famílias que cresceu 1,4% derivado da inflação baixa, melhoria do rendimento do trabalhador, início da reversão do quadro de desemprego, efeito caixa resultante da injeção dos recursos do FGTS, redução do endividamento financeiro e melhoria da gestão do orçamento familiar. Também houve melhoria em atividades de serviços, comércio, e na indústria que converge em direção da superação de sua pior fase de contração mesmo que de forma assimétrica entre seus diversos setores.

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A questão é se esse ponto de virada (“turning point”) da economia será mantido e gradativamente ampliado. É mais provável que sim. Os riscos estão no lado político e na gestão das contas públicas que dificilmente terão uma solução no curto prazo. De qualquer forma, exceto uma nova crise política aguda e problemas sérios e definitivos na gestão da política econômica na travessia até 2019, a tendência é de recuperação cíclica da economia, algo que está ficando evidente em diversos indicadores. A taxa de desemprego caiu de 13,6% no trimestre de março a abril para 12,8% no trimestre até julho. A massa de renda real dos trabalhadores ocupados cresceu 1,3% de maio a julho em comparação ao trimestre anterior. A indústria automobilística tem elevado sua produção e vendas tanto para exportação como também para consumo interno trazendo de volta trabalhadores antes afastados. A CNC chama a atenção para o crescimento do setor de Serviços 0,6% e do Comércio 1,9% no PIB do segundo trimestre, o que levou a entidade de comércio a revisar sua projeção crescimento do PIB 2017 para 0,8% de 0,6% anterior. 

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Por fim, principalmente no quarto trimestre, haverá continuidade do crescimento do consumo das famílias devido à gradual melhoria do ambiente econômico e maior convergência entre inflação baixa, juros bem menores, e maior demanda de consumo e utilização de crédito, apoiando esse ciclo de recuperação gradual da atividade econômica. Já no próximo COPOM desta quarta feira dia 6 de setembro o mercado espera redução de 1% na taxa básica de juros (SELIC) para 8,25% contra 9,25% anterior e as projeções começam a convergir para patamar de 7%, também nossa estimativa. Esse ambiente mais dinâmico, acompanhado da melhoria da confiança, se os grandes embates políticos acalmarem e as contas públicas tiverem sinalização de gestão que mitigue riscos extremos até futuro próximo, deverá sancionar uma aceleração do crescimento do PIB que revisamos para 0,9% em 2017 e 3,0% em 2018 de 0,5% e 2,5% anteriormente.

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Nicola Tingas, consultor econômico - PoupaBrasil Investimentos.