Quanto custa mudar de país?

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Quanto custa mudar de país? Foto: Divulgação Quanto custa mudar de país?

Diferente do que a esmagadora maioria pensa, acredita ou ouve falar (não se sabe direito onde), realizar uma mudança definitiva de país não funciona como pegar uma receita pronta, em que basta seguir adicionando alguns elementos para dar certo. Outro ponto importante a ser citado no início desse texto é que não existe um valor exato de investimento para deixar o país e sim necessário, porque um processo de imigração é traçado estrategicamente conforme as características de cada solicitante. Porém é preciso ter uma reserva de dinheiro.

Vamos usar os Estados Unidos como exemplo inicial. Se o requerente solicitar o visto EB-5, que custa hoje 500 mil dólares e é o que confere um status permanente nos EUA para o investidor, seu cônjuge e filhos de até 21 anos, pois garante a possibilidade de trabalhar e os mesmos direitos de cidadãos americanos com relação à educação e bolsas em faculdades, por exemplo. Além do investimento no EB-5 é preciso dispor também de uma quantia que deverá ser paga ao advogado contratado, além de taxas administrativas, que variam em torno de 50 mil dólares. Contabilize também o aluguel do imóvel, entre outras despesas até efetivamente começar a trabalhar. Podemos chegar facilmente a média de 600 mil.

Já para solicitar as categorias E2 e L1 será demandado um investimento em torno de 150 mil dólares. Tudo tem um custo e é muito subjuntivo. Se alguém disser que para esses tipos de vistos há um valor fechado, afirmando que são necessários exatos 50 mil dólares para se mudar, não estará dizendo a verdade. Não existe um valor específico ou ‘tabelado’, porque o lugar escolhido para morar pode ser mais caro ou barato, sendo essa escolha, outro fator que pode impactar em todos os outros níveis.

O trabalho neste sentido é algo totalmente individualizado porque varia para cada situação. Por exemplo, José e Manuel irão abrir uma padaria, em locais totalmente distintos. Um vai solicitar o visto E2, porque é descendente de Italiano. Já o outro vem de Portugal, portanto só será possível aplicar o de categoria L1. Um tem três filhos e o outro somente um. O tipo de negócio é o mesmo, mas com vistos diferentes, e endereços comerciais também, ou seja, são números que mudam muito. Por isso o correto é pensar sempre de forma macro.

Mesmo citando os cenários acima, a conversa sempre terá como tendência, a pergunta clássica: qual o mínimo que eu devo ter para mudar de país? Essa é sempre a preocupação inicial e, todas as vezes que ouço isso de um cliente, eu corrijo: "pense no necessário, afinal, você não está diante de uma feira de barganha e sim de uma mudança de país e de vida, que está relacionado a adotar novas atitudes e que comportamentos antigos devem ser repensados.

Será preciso também se adaptar a uma série de novas regras, aliadas a um planejamento que tenha como objetivo estruturar algo para preservar a família. Por isso, se deu aquela vontade de arrumar as malas, primeiro converse com as pessoas que você ama, fale sobre os seus planos e depois procure um especialista que possa oferecer todo o suporte necessário. Só ele vai te programar para enfrentar uma série de situações, assim como burocracias.

O passo seguinte é traçar um plano de ação e cumpri-lo, de forma gradativa. Por ter melhores condições, há quem consiga pular algumas etapas, já outros irão precisar de mais tempo. Atendi clientes que demoraram três anos até o dia da mudança definitiva, conversava com eles a cada seis meses para ajustar algumas coisas e desenhar novas etapas. O processo é esse mesmo.

Há clientes que relatam histórias de pessoas que entram nos EUA, por exemplo, com o visto de turismo e depois de um tempo arrumam emprego, conseguem abrir empresa e por isso obtêm a permanência. Ou quem entra no país com visto de estudante e "foi levando". Isso é querer acreditar demais em uma situação que fica agradável ao seu ouvido, mas que está longe do que é permitido e legal. A realidade, ou seja, fazer todos os trâmites corretamente e no tempo certo, acaba afastando cada vez mais do sonho. Causa um certo medo, mas ao mesmo tempo é algo seguro porque faz com que as pessoas coloquem o pé no chão e analisem a situação friamente e até com mais responsabilidade.

Com base nos meus mais de dez anos atuando neste mercado, eu posso afirmar que isso não dá certo. Para quem está se organizando mudar de país desta forma, eu convido mais uma vez a pensar antes na família e nos filhos, ou seja, que será responsável também por eles. Sei que o Brasil está muito péssimo e sem expectativas de melhoras, mas pior do que isso será acordar com o Department of Homeland Security (DHS) batendo na sua porta para prender todo mundo.

Todos esses cuidados e etapas servem como referência não somente para caso de mudança não para os Estados Unidos, mas também para quem pensa em migra para qualquer outra parte do mundo. Se a ideia é ir para Portugal, então busque um profissional daquele país devidamente certificado e que conhece o mercado e, acima de tudo, as leis. Ele vai orientar sobre valores, documentações e as devidas inscrições nos respectivos órgãos.

Antes de qualquer mudança é preciso entender o que é empreendedorismo, no sentido de criar algo, do começo ao fim, cuidando e revisando todos os detalhes. Em muitos casos, não temos as melhores opções ou cartas na mão! Porém, com estratégia, orientação correta e seguindo um planejamento de forma muito regrada, é possível ganhar o jogo.

Daniel Toledo é advogado, sócio fundador da Loyalty Miami e consultor de negócios.