Postura executiva na esfera pública deve mudar

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O olhar da sociedade sobre a política mudou. As eleições municipais de 2016, que tiveram seu primeiro turno no último 2 de outubro, e devem continuar ainda até o fim do mês, mostraram que começa a despertar uma postura mais politizada na população.

Sobretudo essa geração de jovens eleitores tem tratado com muito mais interesse a condição política do país. As redes sociais se povoam de memes que expõem as atribuições de cargos. Podcasts, vídeocasts, blogs, todo o conteúdo produzido na internet voltou os olhos para a política a fim de informar o cidadão sobre como votar e no que acreditar ou não. Isso já vinha sendo feito pela mídia convencional há anos, mas só através da popularização do uso dos smartphones, é que ganhou mais força.

A resposta da população foi abrir os braços para esse conteúdo. Compartilhar, interagir. Mostrando que a comunicação quando integrada com a interação é muito mais eficiente. Mas de onde vem essa postura? Não é só um traço do acesso via web, ou mesmo da “geração X, Y, Z, Alpha, etc”.

Essa mudança de paradigma começa no próprio olhar que se dá à educação, e acima de tudo, ao profissionalismo. O empreendedorismo, a inovação, essa preocupação com a gestão vem despertando um olhar mais sério e crítico na população. As pessoas nunca foram tão conscientes de seus papéis na sociedade.
Essa geração já sabe da importância da aquisição do conhecimento, da reciclagem para melhores tomadas de decisão. Algo que apenas nos últimos anos vem tirado o sono de altos executivos, que já abandonaram posturas estagnadas para sobreviver no mundo corporativo. Cursos, palestras, ferramentas de instrução, permitem atualização e inovação para ser competitivo novamente.

Não é uma questão de desejo, mas sim de necessidade. O pensamento inovador determina a sobrevivência. Os mais novos já nascem com isso. Os mais experientes já o adotam como realidade. No mundo empresarial isso é claro, e essa postura começa a se disseminar na vida pública. Isso se reflete na política.
A questão é: se essa preocupação e cuidado já fazem parte do senso crítico de uma boa parcela da população, quanto tempo demorará até que ela tenha que se tornar uma realidade de renovação para os políticos do país, tal qual ocorreu com os executivos do ramo privado?

Executivos são iguais nas esferas pública e privada. A invasão da inovação, da reciclagem e a instrução com atenção à sobrevivência, na esfera pública é só uma questão de tempo. Os políticos das próximas eleições já não poderão mais existir na estagnação. Renovação se tornará uma questão de sobrevivência mais uma vez.
Essas eleições são eleições da geração atuante, novamente. O silêncio da Ditadura, enfim começa a se dissipar. Já se foram os tempos de um voto baseado totalmente em carisma, em persuasão, em boca de urna ou práticas de manipulação emocional. A sociedade começa a dar mais valor aos resultados efetivos.

Em breve não haverá espaço para esses políticos acomodados, se gabando de suas poucas obras. É preciso trabalho sério com conhecimento e inovação para garantir uma sociedade mais justa.

Essa preocupação já está formando futuros administradores com mindset diferente. Esperamos que os políticos mais jovens já entrem na esfera pública assim.

A população deve questionar e exigir novas posturas de gestão de seus governantes, que devem administrar com transparência, e incentivo à inovação social. A postura crítica da mente empreendedora vai tomar a esfera pública por completo. Esperamos que seja apenas uma questão de tempo, e que cada vez mais jovens considerem entrar para a vida publica, já com esse olhar e postura de inovação social.

Marina Rejman é CEO da Sala de Cultura, espaço dedicado à educação executiva.(Redação - Agência IN)