Os desafios da nova geração no velho mercado

Os desafios da nova geração no velho mercado Foto: Divulgação Os desafios da nova geração no velho mercado

Em uma conversa alguns anos atrás sobre carreira com um jovem, com excelente formação e enorme potencial, questionei quais seriam seus planos para o futuro. Ele me confidenciou que gostaria de chegar à cadeira de CEO um dia. Aos 27 anos de idade, já havia passado por cinco empresas e ainda estava buscando seu propósito, pois acreditava que nenhuma das empresas nas quais havia trabalhado tinham um alinhamento cultural com ele. O reencontrei recentemente e soube que havia aberto sua empresa, ou seja, tenta agora encontrar, por conta própria, as respostas que não conseguiu no mercado.

As recentes pesquisas mostram que a maioria dos jovens de hoje gostaria mesmo de empreender, criando sua própria empresa e sendo o agente do seu futuro. Muito diferente das gerações passadas, que sonhavam com uma carreira mais estável em uma grande empresa, passando por todos os desafios inerentes ao crescimento profissional, os jovens de hoje parecem não ter paciência e nem adaptabilidade para tanto. O prazer imediato da geração das redes sociais com seus “likes” instantâneos parece distante do mundo frio e muitas vezes politizado das grandes corporações.

Mas o que fazer se você é um CEO de uma grande corporação e precisa contratar esses jovens? Como atrair e engajar esse público? E principalmente como reter alguém que busca crescimento profissional instantâneo e parece não se adaptar em lugar algum?

Em primeiro lugar, é importante trabalhar a marca empregadora da empresa. Sua empresa tem que ser capaz de mostrar, através da sua marca, um propósito maior. É muito importante que o nome ou o logotipo de uma empresa seja capaz de nos passar algum sentimento. As novas gerações querem trabalhar para algo que tenha significado para elas, não simplesmente pelo dinheiro. Sua empresa sabe e entende de forma clara o seu propósito? Ela consegue transmitir isso em ações do dia a dia? Se não estiver seguro, sugiro um realinhamento do tema.

Empresas de sucesso junto ao público jovem são aquelas nas quais os canais de comunicação são abertos em todas as direções. Diálogo é crucial para a nova geração. Lembro que esse é um canal de mão dupla, não adianta somente o jovem se adaptar a cultura da empresa; muitas vezes a empresa tem que inovar e fazer ajustes para que a conexão seja criada. Os jovens de hoje têm acesso à informação e às oportunidades de uma forma muito mais direta e aberta, e não vão se engajar com empresas que não escutem suas ideias. A sugestão, então, é que a organização busque o contato direto e sem amarras, escute e faça algo a respeito.

A cultura de qualquer empresa é feita dos valores que a mesma comunga, e de como esses valores são interpretados nas relações diárias de seus colaboradores. Pode ser traduzido como “o jeito que fazemos as coisas aqui”. O grande problema é que dificilmente conseguimos medir adaptabilidade ao “jeito” da empresa da mesma forma que medimos competências. Avaliar competências acaba sendo mais fácil por ser mais lógico mas, infelizmente, a maioria dos desalinhamentos com a nova geração ocorre por problemas de adaptabilidade ao seu “jeito”. Empresas de sucesso no engajamento dos jovens são aquelas que conseguem incluir em seu processo seletivo formas de medir e selecionar aqueles que potencialmente se adaptarão melhor a elas, independentemente de aspectos comportamentais ou técnicos.

As novas gerações estão rapidamente se transformando na maioria dos colaboradores nas empresas. Eles, sem dúvida, vão desenhar o futuro da organização. Será que não vale uma atenção mais especial da parte dos gestores?

André Freire é sócio-diretor da EXEC.