O coworking funciona para o varejo?

O coworking funciona para o varejo? Foto: Divulgação O coworking funciona para o varejo?

O compartilhar é algo que está em alta no mundo atualmente. Pessoas compartilham produtos, conhecimento, serviços, meios de transporte, hospedagens e é claro, espaços de trabalho. Mas seria esse um meio viável para você trabalhar seu varejo? A resposta é sim. Segundo o Sebrae, essa é uma tendência cada vez mais buscada por empresários interessados em oferecer soluções funcionais para seu público.

No começo do ano, redes de lojas de departamentos famosas nos Estados Unidos, como a Sears e Macy´s, declaram o encerramento de várias de suas unidades. Somente a rede Sears, com a venda de alguns dos imóveis desocupados pode gerar até US$ 1 bilhão de retorno. Já a Macy’s declarou estar em busca de novos conceitos para as unidades remanescentes a fim de reduzir gastos para enfrentar o declínio das vendas.

O coworking é a solução adequada para as empresas que estão em busca de estratégias de redução de custos. Segundo o Censo Coworking Brasil, projeto que reúne e divulga informações sobre o mercado de coworking em todo país, o segmento cresceu mais de 114% em relação a 2016, atingindo mais de 800 espaços até março deste ano. Esse aumento se dá pelo fato de que os escritórios compartilhados oferecem toda a infraestrutura para a empresa realizar suas atividades, sem contar que foram criados exatamente para se adequarem aos mais variados usos do espaço, de acordo com a rotina de quem o freqüenta.

É perfeitamente possível encontrar coworkings que ficam abertos todos os dias, incluindo finais de semana, e até 24 horas – mais de 30% deles, segundo o Censo - e isso é um facilitador para qualquer tipo de negócio. Existem ainda modelos criados exatamente para quem faz parte do setor de varejo, com a oferta de uma estrutura diferenciada e programada para esse perfil que conta até com equipe de vendas disponível no local.

Atualmente no país, mais de 16% dos coworkings existentes já são programados no formato de um centro de negócios, segundo o Censo. Por ser uma estratégia totalmente rentável, os mais diversos setores estão se adequando a essa estrutura. Quem já viu alguém trabalhar na praça de alimentação de um shopping? Por mais inusitado que possa parecer, alguns shoppings centers criaram espaços próprios, reservados e devidamente mobiliados para atender a essa parcela do público que freqüenta seus estabelecimentos. Em um famoso shopping de Belo Horizonte, a administração criou um espaço reservado apenas para esse formato, e que pode ser reservado de forma gratuita através de cadastro pelo site. Recentemente, o espaço foi utilizado para a divulgação de café artesanal de várias produtores de todas as regiões de Minas Gerais.

Coworking de moda a gastronomia
É possível definir que é um coworking, o espaço compartilhado com outras empresas para que o trabalho seja desenvolvido naquele local. Ao ser devidamente administrado pela empresa que faz a locação destes espaços, este segmento existe no varejo há muito mais tempo do que se imagina, mas só agora começa a tomar uma proporção maior.

Um exemplo disso são as lojas de shoppings centers ou galerias que dividem um espaço e pagam pelas despesas gerais e colaboradores da área de limpeza e segurança. Estipula-se que, em um futuro próximo, estas lojas serão substituídas pelo varejo colaborativo. Atualmente, na Rua Augusta - uma das mais conhecidas e movimentadas de São Paulo – existe uma loja de roupas e acessórios que aluga espaços para pequenos vendedores e utiliza conceitos de vendas pela internet para determinar o tempo e a exposição dos produtos. As mercadorias entram em consignação, o varejista paga pelo aluguel do pequeno espaço, e tem à sua disposição uma equipe de vendas montada.

Já o coworking “gastronômico”, é um pouco mais antigo, mas caminha em constante reconstrução para ainda encontrar sua identidade. Começou com a famosa feira popular, depois para barraquinhas de rua e agora food park, oferecendo um mix de baixa com alta gastronomia de rua.

A partir do momento em que o varejista entende qual é o seu público-alvo, saberá exatamente o estilo de coworking que oferecerá a ele. Vale lembrar que as regras de uso e convivência podem variar bastante de um espaço para outro. Por isso, é preciso escolher aquele que se encaixa melhor às necessidades de cada negócio.

Benefícios para alavancar as vendas
A própria definição de coworking define esse tipo de espaço como sendo um “conjunto de pessoas ou empresas que partilham o mesmo ambiente para desenvolver seus negócios de forma mais rápida e colaborativa”. Com isso, o coworking é um ambiente altamente propício para o networking, o que possibilita apresentar seus produtos e serviços a pessoas de diversos nichos. E nada interessa mais a um varejista do que ter seu produto divulgado e conhecido, não é mesmo?

O networking pode ser uma troca interessantíssima para quem está no setor do varejo, uma vez que um dos produtos pode ser o complemento do que um outro varejista vende logo ao lado. Isso pode ajudar outros empreendedores interessados a alavancar suas vendas através dessa estratégia, o que possibilita a um cliente encontrar tudo o que precisa em um só ambiente.

Esse já é um modelo muito utilizado por coworkings que oferecem serviços - como, por exemplo, uma cabeleireira que se junta a uma manicure, que em seguida recebe a adesão de uma esteticista, e por aí vai. Sem contar que o empreendedor tem ainda vantagens como não precisar de investimento inicial, pois já se instala em um ambiente estruturado e mobiliado, e também pelo fato de poder reduzir custos operacionais, desde a internet outros custos fixos até o cafézinho que servirá para seus clientes, possibilitando que esses recursos poupados possam ser investidos em estratégias para alavancar o negócio.

Bruna Lofego é CEO e Founder da CWK Coworking - que conta com quatro espaços, localizados em Minas Gerais e São Paulo