Fora do Palco

Fora do Palco Foto: Divulgação Fora do Palco

Temos nossas idiossincrasias. Tentando relaxar no voo de volta ao Brasil, sentimentos e ideias se misturam e borbulham. Depois de cinco dias acompanhando um dos maiores encontros sobre Inovação e Tendências do mundo, o SXSW Conference, que acontece todos os anos em Austin (EUA), começo a interpretar como nossa imagem está sendo percebida mundo afora atualmente.

Agenda obrigatória para quem pretende estar em sintonia com o que o mundo pensa e produz de novidades práticas, o SXSW é um ambiente de conexões globais e inquietação. O brasileiro é o terceiro maior público presente, perdendo apenas para os anfitriões, os norte-americanos, e os ingleses. Em contrapartida, nós estamos entre os mais distantes de tudo que o mundo respira hoje referente soluções e economia criativa, tecnologia e inovação. Em bilheteria somos fortes. O brasileiro sabe buscar informação de qualidade, tem fome de conhecimento, quer estar up to date com o resto do mundo; mas tecnicamente estamos fora do palco.

Estados Unidos, Índia, China e Japão lideram o que a humanidade vai consumir de serviços, ferramentas, aplicativos e new business. Seremos usuários, quando muito e com certo atraso, em diversos casos. A boa notícia é que alguns mercados, como o que eu atuo, de search para altos executivos, não vão deixar de existir na próxima década, ao menos. O ser humano sempre será um desafio e tanto, principalmente para o mundo corporativo. E é no capital humano que as organizações vão precisar apostar seus diferenciais, porque conhecimento e ferramentas tornam-se commodities num piscar de olhos.

Design, Desenvolvimento Humano, Inteligência Futura, Marketing, Esporte, Impacto Social, Medicina - todos os temas têm espaço na conferência que mobiliza uma cidade, seis grandes redes de hotéis e um centro de convenções gigantesco que reuniram, nessa última edição, milhares de pessoas de todo o mundo. De curiosos a altos executivos, de estudantes a astro de Hollywood. Gente que, como eu, buscava ampliar sua visão do mundo, identificar com mais agilidade cada novo movimento, assim como mudança social e também estar um pouquinho mais preparado para interagir com as novas dinâmicas da economia global.

Ninguém está pronto para surfar confortavelmente na nova onda global. O ar faltou para todos quando Meredith Haberfeld decretou e demonstrou em planilhas e estatísticas que os US$ 4 bilhões investidos anualmente em práticas e políticas de engajamento nos EUA têm retorno zero para todas as companhias. Sim, acreditem: engajamento não engaja ninguém. O olho brilha por outros insights. Propósito é a nova palavra de ordem. Todos falam disso, mas bem poucos conseguem interpretar como uma organização concilia lucro e propósito de fato, e ainda como as pessoas percebem esse atributo no outro ou em si mesmo.

Marcelo Apovian - Sócio e fundador da Signium no Brasil