Fintechs na vanguarda de uma nova cultura de investimentos no Brasil

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Fintechs na vanguarda de uma nova cultura de investimentos no Brasil Foto: Divulgação Fintechs na vanguarda de uma nova cultura de investimentos no Brasil

Recentemente, o Banco Central publicou uma regulação das fintechs de crédito no país, que também englobou os serviços de crédito entre pessoas físicas. A iniciativa foi, sem dúvida, um grande avanço para o setor, mas é preciso avançar mais para estimular os investimentos no país. É necessário que o Banco Central fique atento aos movimentos de mercado dos grandes bancos de varejo, para assim proteger os investidores, especialmente, aqueles com perfil da caderneta de Poupança – categoria onde se encontra a maioria dos brasileiros, de acordo com a segunda edição da pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, realizada pela ANBIMA com o apoio do Datafolha.

A pesquisa, feita com 3.452 pessoas em todo o Brasil, em 152 municípios, que representam cerca de 95 milhões de habitantes, traça os hábitos de poupança e de investimento dos brasileiros do país. Segundo ela, entre os que investem, a preferência na hora de guardar o dinheiro permanece com a caderneta de poupança, com 88%.

Como gestor de uma fintech de investimentos, penso que é difícil para o trabalhador brasileiro se dissociar da ideia de que quem tem o hábito de investir é porque sempre teve dinheiro sobrando, ou mesmo que a Poupança rende e que só ela é segura.

Pensando nisso, direcionamos nossos esforços para simplificar e melhorar a experiência de investimentos, sem deixar de lado a questão da segurança, fator que tem estimada importância para quem economizou dinheiro de uma vida toda de trabalho e o deixou guardado. 

Vale aqui destacarmos a importância dos investimentos para o crescimento do país. Se traçarmos um comparativo do Brasil com outros países quando o assunto é a relação entre Poupança e PIB, veremos que enquanto amargamos uma taxa de crescimento de 14,5%, temos países na América Latina como a Colômbia, com 20%; o Chile, com 21% e o México com 22%. Nos países da Europa os índices sobem para 32% e na Ásia chegam a 40%. A meta do Brasil é dobrar a relação Poupança/PIB para garantir elevadas taxas de crescimento no país. Por tudo isso, acredito na transformação do modelo bancário tradicional, no desenvolvimento de um sistema mais democrático, mais justo, por meio de tecnologias seguras, que permitam a descentralização de todo o processo. 

Fintechs de investimentos não podem ser uma extensão dos gigantes do varejo. Ainda há muita gente desbancarizada no Brasil. Também há muita burocracia envolvendo cadastros para pessoas físicas e jurídicas.

Os brasileiros que pretendem garantir o sustento com aplicações financeiras merecem outro olhar da indústria de investimentos. 

Em 2018, apenas 8% dos brasileiros aplicaram em produtos financeiros, apesar de, no ano anterior, 22% terem declarado intenção de fazer tal investimento, segundo a pesquisa. E qual o motivo de não terem investido? Penso que a falta da Educação Financeira, mas ainda há tempo.

A maioria de nós, quando criança, já ouviu a pergunta: ‘o que você vai ser quando crescer?’. Por mais que a resposta possa variar ao longo dos anos, o fato é que este questionamento faz com que os pequenos comecem a identificar o que mais gostam de fazer (como cuidar de bichos e assim se tornar um veterinário) ou algo que lhes cause admiração (médicos, bombeiros ou policiais, por exemplo).

Mesmo que de forma lúdica, este ato faz com que as crianças comecem a planejar seu futuro profissional e os pais tendem a acompanhar esse sonho se programando para instruir os filhos nos cursos e desenvolvimento de habilidades necessários para desempenhar tal função. Contudo, resta ainda ao brasileiro aprimorar o hábito do planejamento financeiro. Pesquisas apontam que cerca de 75% dos brasileiros não têm o costume de guardar dinheiro.

Assim como pais e crianças se organizam pensando no futuro profissional, é importante que todos também aprendam a investir.

E é justamente na fase infantil que este hábito pode ser ensinado aos filhos. Contribuir periodicamente com a famosa “mesada” e auxiliar o filho a investir uma parte dela para no futuro adquirir um brinquedo mais caro ou algo especial que deseja, é uma excelente forma de os pais contribuírem na sua formação. Desta forma, os pequenos já serão instruídos desde cedo que guardar um pouco de dinheiro todo mês não é sacrifício, mas sim, uma maneira saudável de se programar para conquistar objetivos maiores.

Porém, não são só as crianças que podem e devem economizar. O hábito do investimento deve ser desenvolvido por todos. É óbvio que quanto antes se começa, maior será a reserva em caso de uma necessidade ou mesmo para aquisição de um bem maior. Tudo é uma questão de planejamento. Por isso, os especialistas são unânimes em afirmar que, antes de definir qual a melhor opção de investimento, é fundamental desenvolver o hábito de investir.

Uma das formas para criar o hábito é analisar as prioridades de vida. É mais eficiente pensar na economia como um meio de alcançar algo almejado: fica mais fácil priorizar o sonho e adaptar a renda a ele, pois, desse modo, investir estará ligado a algo prazeroso ou desejado.

Construir uma reserva monetária é justamente um dos pilares da segurança financeira. É esta proteção que nos proporciona tranquilidade para enfrentar os momentos de crise econômica do País, de perda de emprego ou mesmo de um caso de doença na família. Afinal, em uma situação de crise, é mais difícil obter crédito e o dinheiro em conta e de reserva se tornam fundamentais.

Mas, investir não serve apenas para os momentos difíceis. A reserva em dinheiro e o retorno dos investimentos trazem mais flexibilidade à vida pessoal e profissional. Com mais tranquilidade, você poderia recusar trabalhos indesejados, trocar de emprego, investir em novos projetos ou apenas trabalhar menos e se dedicar a hobbies e outras paixões.

Já que estamos falando em mudanças de hábitos, por que não se programar de outra forma? De modo geral, as pessoas estão acostumadas a receber seus rendimentos e aplicar o que sobra. Comece diferente: programe-se para investir no momento em que receber. Nem que seja um pouco por mês.

E não é porque você vai começar guardando pouco que não dá para conseguir bons resultados. Outra percepção comum e errônea do brasileiro é acreditar que, com pouco por mês, o único investimento viável é a caderneta de poupança.

Existem outras opções seguras no mercado que, inclusive, trazem rentabilidade maior que a caderneta de poupança, como os títulos de renda Recibo de Depósito Bancário RDB e a Letra de Câmbio (LC) remunerado com taxas pós e prefixadas.

Por fim, sabemos que o desemprego, a falta conhecimento sobre os produtos de investimento e a dificuldade para lidar com o orçamento pessoal também são alguns dos entraves para que o brasileiro poupe tão pouco. Entender essas limitações são um passo importante para a implementação de iniciativas capazes de aumentar o número de investidores, e as Fintechs estão fazendo a sua parte.

claudioferro poupabrasilPor Cláudio Ferro - CEO do PoupaBrasil Investimentos