Decisões Maduras

Decisões Maduras Foto: Divulgação Decisões Maduras

Instabilidade econômica, recessão, posições que foram consolidadas em uma só cadeira - os últimos dois anos foram de luta pela sobrevivência. Na escala global, o cenário é de salários achatados, milhões de desempregados e uma massa de profissionais competentes sem oportunidade de exercer seu talento. Engana-se que o alto escalão não sofreu tanto. A depressão foi democrática.

Com salários revistos, bônus suspensos e acúmulo de funções, também na alta cúpula a demissão chegou. Tem muita gente boa, com carreira e formação impecáveis em transição e em busca de uma nova oportunidade. Isso pede um olhar maduro dos dois lados, tanto de quem contrata quanto de quem está em processos de seleção. Tempos bicudos exigem flexibilidade de todos, mas é preciso manter coerência e uma análise crítica do quanto, quando e como ceder.

Para as empresas, aproveitar-se do momento para nivelar por baixo implica pagar o preço lá na frente. Um profissional infeliz, que sabe do seu valor e não tem seu papel reconhecido tem sua produtividade e motivação afetadas. É possível que ele continue de olho no mercado e em busca de uma organização que o trata com maior justiça. O preço da rotatividade é alto em qualquer nível, no executivo é mais delicado ainda.

Como consultor de carreiras e headhunter, observo que quem tem um bom planejamento financeiro ao longo da vida ou o orçamento doméstico não fica sobrecarregado em um único membro da família, não fica tão vulnerável diante dos momentos de crise. Ele tem mais liberdade para negociar e pode esperar a maré virar. É compreensível que nem todos tenham reserva suficiente para suportar muito tempo desempregado e uma hora o profissional precisa ser prático quanto à decisão do até que ponto pode e deve ceder. Essa análise precisa ser criteriosa e ele precisa - e deve - flexibilizar, mas dentro de um nível razoável, que não diminua seu valor e não desmereça sua história profissional.

Minha sugestão para esses profissionais é que eles mantenham-se fiel à sua carreira, considerem salários menores dentro do limite que faz sentido em um momento de crise econômica, mas que não sejam vítimas de propostas oportunistas. Organizações que se pautam em relações de espertezas também não inspiram confiança e, portanto, não conseguirão formar um time coeso e de qualidade técnica e humana que ela deseja ter. Time de várzea não atrai estrela. É preciso ter bom senso, saber empregar uma boa gestão e boas negociações para que todos possam se sentir motivados a manter o compromisso assumido e entregar seu melhor.

Fábio Cassab é sócio da EXEC.