Como é o Brasil que você quer?

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Como é o Brasil que você quer? Foto: Divulgação Como é o Brasil que você quer?

Em tempos de ressaca de Copa do Mundo, não tenho como não lembrar da seleção brasileira de 1982! Jogos inesquecíveis de uma seleção cheia de craques, que jogava o fino da bola. O triste fim daquela seleção, derrotada pela Itália em uma disputa direta pela vaga nas semifinais da Copa, foi o princípio do fim do futebol-arte, segundo alguns especialistas. Não chego a ser tão pessimista, mas, definitivamente, o futebol para atletas profissionais e não tão boleiros, com muita marcação e pouca inventividade, tomou conta do globo. A magia deu espaço à correria e a Copa da Rússia apenas confirmou este novo desenho.

Neste contexto, aproveitemos o momento filosófico-futebolístico para fazer um paralelo entre o futebol que nos encantava e a economia brasileira, que tanto evoluiu nos últimos 30 anos, mas que pode ser ainda mais inclusiva, com planejamento e uso de ferramentas elementares em qualquer economia mais madura.

O Brasil, felizmente, se livrou de anos de ditadura e censura, voltando a ser uma democracia capitalista. A (hiper)inflação, que corroía sonhos e projetos, foi finalmente debelada com o advento do Real, em 1994. Transformamo-nos em uma das maiores economias do mundo. O agribusiness brasileiro é internacionalmente reconhecido. Tanto a indústria quanto o setor de serviços são modernos e competitivos e, temos, se conseguirmos manter a sobriedade e as reformas estruturais (Previdência, Tributos e Educação de qualidade), uma rota segura para crescer e tentar diminuir a desigualdade social e econômica ainda tão gritante e lamentável.

Precisamos - e devemos - continuar progredindo, evoluindo, gerando riqueza, inserindo pessoas econômica e socialmente ativas no mercado. Para tanto, o mercado securitário é um dos elementos mais importantes para que as empresas, os indivíduos e a sociedade cresçam de forma sustentável e sem sobressaltos. Sim, os seguros são produtos essenciais para uma sociedade moderna que queira crescer de forma consistente e coerente.

É sempre oportuno lembrar que nas economias maduras, o mercado securitário em proporção do PIB é até duas vezes maior em comparação com aquilo que o mercado securitário hoje representa na nossa economia. Mas, se isto não for suficiente para satisfazer os incautos, coloquemos de outra forma: o que você acha que acontece com uma família brasileira das classes C ou D, se e quando, há o falecimento de um dos pais, importantes geradores de recursos daquele lar, que não estão amparados por um bom seguro de vida? Você sabia que, na esmagadora maioria das vezes, aquela família decai ao menos um degrau na escala social, para a classe D ou E, e de lá não mais consegue sair por ficar financeiramente desestruturada? Isso para não falar dos efeitos psicológicos de tal queda econômica e social em cada um de seus membros.

O mesmo vale para uma pequena empresa, cuja sede sofre um incêndio que destrói suas máquinas ou sua cozinha industrial. Será que os empresários que sofrem perdas inesperadas e de grande vulto conseguem se reerguer com base apenas em suas economias ou via empréstimos bancários? E o que acontece com as famílias dos empresários e dos colaboradores que, do dia para a noite, não têm mais a receita proveniente daquele negócio, seja em forma de salários ou de lucros? Estatisticamente, as respostas não são nada animadoras para quem não se prepara adequadamente.

Recentemente, conversamos com uma empresária proprietária de duas lojas de moda em shoppings da capital paulista. Elaboramos uma apólice guarda-chuva de seguro empresarial das duas unidades cujo custo ficou similar ao que ela pagava para proteger apenas uma das unidades. Por mais que este serviço de “consultoria de redução de custos” seja a essência de nosso negócio - e nos satisfaçamos a cada vez que obtemos resultados concretos - não temos como não nos surpreender sempre que explicamos algumas coberturas tão importantes, como a de Responsabilidade Civil, e o empresário, para economizar alguns poucos reais ao ano, deixa de proteger a si, a seu negócio, a seus clientes e a seus colaboradores. Será que o empresário de menor porte precisa mesmo que um cliente se machuque em suas próprias dependências para, então, sofrer com as consequências e entender a dimensão da sua responsabilidade perante o cliente e seus familiares?

Será que não podemos aprender com a recente tragédia ocorrida no maior parque aquático do Brasil para então refletir sobre estas nossas responsabilidades como profissionais e como seres humanos? Infelizmente, o pouco conhecimento sobre seguros, suas possibilidades e seus baixos custos perante os benefícios oferecidos se fazem presentes em todas as classes sociais, profissionais e até institucionais e afetam nossas vidas em todas as searas. 

Recordemos de outra tragédia, bastante recente e de maiores proporções, que ocorreu no Centro de São Paulo, maior cidade das Américas e centro financeiro do nosso país. Há alguns meses, duvido que alguém seria capaz de supor que existem prédios tomados por movimentos de sem-teto e que alguns espertalhões destes ditos movimentos sociais alugam as unidades do imóvel tomado. Deixemos de lado o aspecto criminoso desta triste história, que demonstra o descaso de várias instituições públicas ao permitir o uso privado de bens de terceiros, abandonados ou não. Centenas de pessoas ficaram desamparadas do dia para a noite. À parte os efeitos psicológicos de tamanha tragédia e seus efeitos no dia a dia de tantos seres humanos que ali moravam, olhemos um pouco além dos escombros.

Será que os quatro edifícios vizinhos ao que desabou possuem um seguro de condomínio ou empresarial condizente com o milionário valor de reconstrução dos imóveis? Por outro lado, será que as unidades de cada um destes edifícios possuem seguros residenciais que, na falta de um seguro de condomínio condizente, sejam suficientes para que seus proprietários recebam o valor correspondente da reconstrução dos seus respectivos imóveis e, também, de seus conteúdos?

Dada a nossa experiência, infelizmente, a resposta para ambas as perguntas será negativa. E o vital papel que os seguros podem ter em uma sociedade moderna como a brasileira, fica muito aquém do que deveria.

Tão ou mais alarmante, perceba que ninguém pagará os prejuízos decorrentes de tal incidente sofrido pelos prédios e famílias circunvizinhos: nem o ente público responsável pela fiscalização, nem os próprios moradores do prédio que desabou, nem, muito menos, os espertalhões que lucram a partir da ignorância de cidadãos ansiosos por terem onde dormir (e, como vimos, sem se preocupar com as condições sanitárias e de segurança do local a eles locados!).

Pessoas, famílias, empresas e instituições ficaram abandonados e à mercê da sorte ao invés de usar esta importante ferramenta de planejamento financeiro, que é o seguro. E isto, infelizmente, é um risco ao qual milhões de pessoas e empresas se sujeitam pelo desconhecimento dos benefícios que este fundamental produto oferece e, especialmente, do baixo custo que pode ter.

Assim como no futebol, o Brasil que eu quero é moderno não só nos modismos passageiros e fúteis. O Brasil que eu quero, assim como no futebol, pode ter estratégia e visão de longo prazo, aliando nosso jeito único de ser a ferramentas úteis que protegem nossos cidadãos. No Brasil que eu quero, as pessoas buscam conhecer um pouco mais este produto chamado seguro. Se no futebol a responsabilidade maior está nos ombros de Tite e sua comissão técnica, no caso do seguro, a responsabilidade é minha. Sua. Nossa!

E o Brasil que você quer, como é?

Richard Freitas é sócio-fundador da protect Soluções, microfranquia de operação home based especializada em levar soluções de gestão e seguros para micro, pequenas e médias empresas.