Adquirir um imóvel X investir em fundos imobiliários: qual a melhor opção?

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Adquirir um imóvel X investir em fundos imobiliários: qual a melhor opção? Foto: Divulgação Adquirir um imóvel X investir em fundos imobiliários: qual a melhor opção?

Com a retomada da economia, muitos brasileiros optam por comprar um imóvel. Mas será que é a opção mais assertiva a ser tomada?

Após um longo período de rescisão, parece que finalmente, mesmo que a passos lentos, a economia do país está se recuperando. Diante deste fenômeno, muitos investidores decidem aplicar suas reservas em algum mecanismo que gere lucro, e uma das opções mais avaliadas é, sem dúvidas, a compra de um imóvel.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), em parceria com o Datafolha, foi constatado que, durante o período de 2018, entre os principais objetivos para as aplicações financeiras está a compra ou quitação de imóveis, com 31% dos entrevistados.

Este tipo de investimento é considerado um dos mais tradicionais entre os brasileiros, isso porque, para quem possui mais de um local próprio, é possível obter uma renda fixa com aluguéis. Mas será que ele é realmente o melhor tipo de investimento?

O impacto da queda da Selic

Sem dúvidas, um fator que interfere diretamente na escolha de um produto de investimento é a taxa Selic. Para tanto, levar em conta sua queda histórica – alcançando a marca de 5,5% ao ano – é essencial. De acordo com economistas do mercado financeiro responsáveis pelo boletim Focus, estima-se ainda que, com a inflação controlada, a taxa possa reduzir mais, alcançando a marca de 5% neste ano.

Diante deste fenômeno, com as variações afetando diretamente a remuneração de diversos investimentos, é preciso pensar nas oportunidades que ofereçam maior rentabilidade.

A compra de um imóvel, por exemplo, pode até parecer uma opção vantajosa para investidores que possuem um perfil conservador, ou seja, aqueles que não estão dispostos a correr muitos riscos e preferem segurança a uma maior rentabilidade. Isso porque, com a baixa dos juros e com os resquícios da crise econômica brasileira, os imóveis acabam tendo valores mais accessíveis.

No entanto, mesmo com maior disponibilidade, os juros ainda podem ser o grande obstáculo na aquisição de um imóvel, essencialmente quando o aplicador não possui o valor total da aquisição e precisa contar com um financiamento.

Mercado imobiliário: compra de imóvel x Fundo de investimento

Quando pensando no financiamento de um imóvel, um dos maiores empecilhos, conforme cito anteriormente, é a taxa de juros, visto que, com tantas tarifas, ao parcelar o valor, o comprador acaba pagando mais que o dobro do real saldo do imóvel. Com isso, o sonho da casa própria já é quase um desejo obsoleto por muitos brasileiros, uma vez que outros produtos de investimentos podem ser bem mais rentáveis, como o fundo de investimento imobiliário, por exemplo!

Supomos que um investidor que possui R$ 500 mil queira comprar um imóvel que custe cerca de R$ 1 milhão, por exemplo, para morar ou alugá-lo e ter uma renda mensal. Para quitar todo o valor, essa pessoa precisará de cerca de 20 anos. Pensando nisso, por que não investir o dinheiro que já possui em FII? Com isso, além de não ter dívidas para as próximas décadas, ele contará ainda com uma renda mensal do rendimento de suas cotas.

Para se ter uma ideia, o valor da renda desse aluguel deve girar em torno de 0,5% do valor total do imóvel, de acordo com a demanda por moradia. Dessa maneira, aplicando seus investimentos em fundos que obtenham lucro mensal acima dessa porcentagem, certamente compensará mais investir em FII. Algumas cotas, por exemplo, chegam a render uma média de 0,75%, ou cerca de R$ 3.800,00 ao mês, lembrando que rendimento de fundos imobiliários são isentes de imposto de renda.

Outro ponto a destacar é que, com a queda da Selic, o mercado de FII acaba ganhando valorização, uma vez que os preços de suas cotas negociados na Bolsa, historicamente, reagem de maneira inversa aos movimentos dos juros. Para se ter uma ideia, de acordo com o Índice de Fundos Imobiliários da B3 (Ifix), até maio deste ano, o setor teve valorização acima de 7%, quando a Selic ainda batia a marca de 6,5% ao ano.

Mercado de Fundos Imobiliários

Apenas para contextualizar, é importante saber mais sobre o mercado. Ao longo dos últimos anos, o setor de FII vem apresentando resultados expressivos. Somente durante o período de julho/2019, o número de cotistas já ultrapassou a marca de 390 mil investidores, de acordo com o boletim mensal da B3. Além disso, o levantamento apontou que, até o período, foram registrados cerca de 186 fundos pela B3 e 442 pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Resultados positivos, uma vez que, durante todo o período de 2018, foram calculados 168 e 409, respectivamente.

Outro dado importante apresentado pelo boletim constatou que, quando pensamos no tipo de investidor que entra para o FII, em volume negociado 70,68% são pessoas físicas. Quando o quesito é estoque, a porcentagem aumenta para 81,26%.

Os dados acima revelam a necessidade crescente das pessoas em optarem por investimentos que geram maior rentabilidade, encontrando no mercado imobiliário uma boa forma de investimento. Além disso, é importante ressaltar que muitos especialistas acreditam que este tipo de investimento é a melhor opção diante de outros ativos, como o Tesouro Direto, Ações, Imóveis ou Criptomoedas, por exemplo, uma vez que ele possui baixo custo, praticidade, isenção de taxas e alta taxa de liquidez.

Acompanhar o mercado é essencial!

Para finalizar, ressalto que é extremamente importante, antes de tomar qualquer decisão, o investidor acompanhar frequentemente as taxas e juros do mercado. A taxa Selic, por exemplo, tem grande influência em toda a economia do Brasil, inclusive na hora de comprar um imóvel. Dessa maneira, muitas vezes pode ser bem mais vantajoso alugar uma casa para morar do que comprá-la, por exemplo.

Do mesmo modo, é importante estudar e entender a fundo todos os produtos de investimento, analisando quais oferecem maior rentabilidade e confiança, bem como é preciso estar por dentro dos fundos mais lucrativos antes de optar por um investimento. Tao importante quanto rentabilidade e qualidade dos ativos, o investidor deve ter em mente qual o prazo, o qual os recursos ficarão investidos.

Assim, com toda certeza, será possível escolher o melhor tipo de aplicação, garantindo maior rentabilidade, estabilidade financeira e segurança para o futuro!

Thiago Figueiredo é Diretor de Gestão de Investimentos na Supernova Capital, gestora de recursos focada em operações voltadas para o mercado imobiliário e crédito corporativo.