Planejamento é fundamental para enfrentar crise

  •  
Em quatro passos, educador financeiro, Rafael Seabra, ensina como se organizar financeiramente e diminuir os impactos da crise no bolso Foto: Divulgação Em quatro passos, educador financeiro, Rafael Seabra, ensina como se organizar financeiramente e diminuir os impactos da crise no bolso

Há muito tempo o brasileiro não enfrentava uma crise econômica tão duradoura e com efeitos cruéis: desemprego e alta no custo de vida. A situação foi agravada por uma crise também política e uma das medidas anunciadas pelo governo em exercício é aumentar a carga tributária, o que deve onerar ainda mais a população.

Num primeiro momento, o cenário parece aterrorizante, mas dá para enfrentar a situação com mais tranquilidade. Quem garante isso é o educador financeiro, com MBA pelo Ibmec, e idealizador do blog Quero Ficar Rico (queroficarrico.com), Rafael Seabra, que ensina, em quatro passos, como um bom planejamento financeiro é capaz de fazer toda a diferença para na hora de enfrentar essa situação.

“Infelizmente, o brasileiro, em geral, dá pouca atenção à organização financeira e acaba abrindo mão de uma vida mais tranquila. Quando nos livramos dos problemas financeiros, melhoramos nossos relacionamentos, nossa produtividade e até nossa saúde”, garante o educar. Os problemas aos quais Rafael refere-se vão desde não conseguir poupar dinheiro para alcançar objetivos maiores até, em casos mais graves, o endividamento.

De fato, o endividamento é um dos grandes problemas do brasileiro atualmente. Depois de seis meses consecutivos de queda na comparação mensal, o endividamento das famílias brasileiras voltou a subir em agosto, indo a 58%, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Para enfrentar o problema, Rafael sugere os seguintes passos:

Primeiro passo – definir objetivos financeiros: esse passo é fundamental para ter controle sobre como gasta seu dinheiro. “Quando não sabemos para onde ir, qualquer caminho serve. Por isso que muitas vezes gastamos nosso dinheiro em qualquer coisa, pois não temos um destino planejado para ele”, afirma o educador.

Segundo passo - elaborar um orçamento e segui-lo com disciplina: a lição aqui é registrar todos os gastos para verificar o que é fundamental, o que pode ser cortado para aumentar o poder de poupar mais. “É fundamental que o orçamento seja realista, porque se você apertar demais, pode não cumpri-lo e se frustrar. Outra dica é que ele seja equilibrado, afinal, poupar demais pode ser tão perigoso quanto gastar demais. Por último, ele precisa contemplar os objetivos de longo prazo”.

Terceiro passo - acompanhar as dívidas: depois de definir objetivos e elaborar o orçamento, é primordial que se mantenha as dívidas sobre controle. “A sugestão é adaptar o orçamento de maneira a contemplar o pagamento das dívidas. Para isso, recomento que faça um levantamento do que deve e procure os credores para negociá-las. E claro, depois de quitar tudo, mantenha um controle rigoroso sobre os gastos para não voltar ao endividamento”, explica o educador.

Quarto passo - montar fundo de emergência: o fundo de emergência nada mais é do que uma reserva financeira construída para se proteger diante de imprevistos, ou naqueles meses em que a entrada de recursos ficou abaixo do esperado. “O ideal é que o fundo cubra, no mínimo, três meses de despesas mensais. Vale ressaltar que gastos com IPVA, IPTU, matrícula escolar não são gastos imprevistos e devem fazer parte do orçamento regular”.

Rafael também ressalta que o dinheiro do fundo de emergência deve ser mantido em aplicação de fácil acesso, liquidez imediata e baixo risco. “Pode ser um CDB, fundo de investimento de banco, títulos públicos, ou, em último caso, a boa e velha caderneta de poupança, pois o foco não é a rentabilidade, mas a segurança e liquidez”, defende o educador.

Para finalizar, Rafael diz que o momento econômico é difícil e, por isso, torna-se ainda mais notória a importância da organização financeira, para atravessar essas situações com mais tranquilidade. “Quem fez o ‘dever de casa’ e manteve as finanças sob controle está colhendo os frutos e ainda aproveitando grandes oportunidades de investimentos, que sempre surgem em épocas de crise. Para quem ainda não fez a lição, nunca é tarde para aprender e colocar em prática!”.

(Redação - Agência IN)