Consultor financeiro dá dicas para consumidor não cair na inadimplência

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inadimplência do consumidor brasileiro teve alta de 9,56% em maio (Foto: Divulgação) inadimplência do consumidor brasileiro teve alta de 9,56% em maio

A Confederação Anual dos Lojistas (CNDL) anunciou recentemente que a inadimplência do consumidor brasileiro teve alta de 9,56% em maio desse ano e já é considerada a maior alta anual desde 2010. Em uma comparação com o mês de abril, o número de pessoas físicas inadimplentes aumentou 1,38%.

Para não aumentar ainda mais esses números, os consumidores brasileiros devem ficar atentos para não entrarem em um processo de super endividamento e possam arcar com aquilo que adquiriram.

De acordo com Dori Boucault, consultor financeiro e especialista em direitos do consumidor do escritório LTSA Advogados, se a pessoa for solteira e sem filhos ela tem que ter noção de quanto ela recebe e quanto gasta. “No caso da família, ela também deve ter essa percepção de quanto recebe e quanto gasta no total, além de conversar sobre dívidas e parcelamentos. A família tem que saber quanto ganha realmente, ou seja, saber o valor líquido do salário com descontos e nunca contar com aqueles valores que o banco disponibiliza no extrato como crédito disponível e limites. Não se deve contar com esses valores porque eles não são seus! O limite e cheque especial não devem fazer parte do salário. Outra dica importante: para aqueles que já estão endividados é não fazer empréstimo contando com o adiantamento do 13° salário ou do imposto de renda e só gastar dentro que recebe. O consumidor deve fazer os cálculos contanto as despesas fixas que vem todo mês (aluguel, alimentação e transporte,) as variáveis (médico, dentista, escola, cursos) e as despesas emergenciais (poupança ou dinheiro guardado para emergências como perda de emprego). É importante também, com essa poupança, guardar um valor como prêmio para situações que em que vale a pena como troca de carro, viagem ou troca de casa”, disse.

Boucault orienta para que os endividados em primeiro lugar, se puder pagar a vista pague, pois assim terá tem o poder de negociação. “Procure saber o custo efetivo total dessas dívidas com taxas, tarifas, cargos, juros e o que pode vir a custar para você. Com o custo efetivo total, você pode saber qual é o valor total original e o final. Nunca pense no tamanho da parcela, pois ela pode virar uma parcelona! Adquira a prática de sempre - ao renegociar as dívidas - propor o que você pode pagar, não assuma o que não pode arcar, pois podem surgir circunstâncias que atrapalhem. Comprometa 30% do seu salário para pagamento das dívidas. Para dívida de cartão de crédito, o recomendável é optar pelo empréstimo consignado desde que você liquide a dívida! Nunca pague o valor mínimo do cartão de credito porque você não está liquidando a pendência, os juros do cartão de crédito são altíssimos. Além disso, fica a recomendação para o consumidor se organizar para as dívidas serem pagas no máximo na data do vencimento e nunca usar o chamado crédito rotativo de cartão de crédito, conhecido como pagamento mínimo”, explica o consultor.

Segundo o especialista em direitos do consumidor, uma organização financeira demora cerca de seis meses a um ano para se restringir e se reeducar financeiramente. “Para o que o consumidor consiga sair do endividamento é necessário cortar das despesas tudo o que é supérfluo e desnecessário, controlar gastos de final de semana, ida a cinema e etc., além de adotar uma meta. Todos na família devem falar a mesma língua, ou seja, devem ter a consciência de que é necessário economizar e colaborar para não haver mais despesas. Para enfrentar esse período difícil, o consumidor deve agir de uma maneira para não sair dessa dívida e entrar em outra. Antes de comprar pergunte a si mesmo: Eu preciso disso? Tem que ser agora? E eu posso pagar? Em vez de fazer parcelamento, optar por pagar à vista e ter poder de negociação”, finaliza.

(MR – Agência IN)

Última modificação emQuarta, 11 Junho 2014 14:59