Depósitos na Poupança têm a 10ª redução consecutiva

  •  
Depósitos na Poupança têm a 10ª redução consecutiva Foto: Divulgação

O Banco Central anunciou hoje, 7, os resultados da caderneta de poupança referente a outubro de 2016, resultados estes que apresentam nova redução no volume dos depósitos, sendo esta a décima redução consecutiva (todos os meses do ano tiveram resultado negativo), bem como no saldo líquido negativo onde as retiradas foram maiores do que a captação (depósitos) no volume de R$ 2,7 bilhões.

Com isso, no ano de 2016 até outubro de 2016, o volume total apresenta uma retirada líquida da ordem de R$ 53,2 bilhões, fazendo com que o saldo final atual tenha atingido em outubro de 2016 um volume total de R$ 644,3 bilhões contra um volume de R$ 642,9 bilhões em setembro de 2016 e de R$ 656,5 bilhões em dezembro de 2015, aqui já considerado os rendimentos no período.

O Diretor Executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas ANEFAC, Miguel José Ribeiro de Oliveira, explica que este resultado pode ser atribuído aos fatores listados abaixo:

1) Com a elevação da taxa básica de juros aumentou a rentabilidade das aplicações financeiras em títulos públicos como fundo de renda fixa, CDB's, tesouro direto, etc, em detrimento a uma menor rentabilidade da poupança. Com isso, os investidores têm retirado suas aplicações da caderneta de poupança migrando estes investimentos para este tipo de investimento que apresenta uma rentabilidade superior. Em outubro de 2016, os Fundos de Renda Fixa apresentaram uma rentabilidade bruta de 1,05% contra uma rentabilidade de 0,66% da Caderneta de Poupança. Em doze meses, os Fundos de Renda Fixa tiveram uma rentabilidade bruta de 14,06% contra uma rentabilidade de 8,33% da Caderneta de Poupança.

2) Retração de nossa economia com inflação elevada, juros elevados, aumento de encargos e impostos o que reduz a renda das famílias dificultando seu orçamento. Agregado a isto o crescimento nos índices de desemprego acabam acarretando dois fatores:

a) Menos recursos sobram mensalmente das famílias para pouparem;

b) Famílias sendo obrigadas a resgatarem seus investimentos de forma a complementarem sua renda e conseguirem pagar seus compromissos.

Tendências para os próximos meses:

Para Oliveira, como o quadro descrito acima vai permanecer durante 2016 (inflação elevada, juros elevados, queda de renda, desemprego, além da SELIC elevada que reduz a rentabilidade da poupança frente aos fundos de investimento, etç.) a tendência é de que este movimento de redução no volume dos depósitos da poupança se acentue agravado ainda mais em um ambiente econômico mais recessivo com a elevação nos índices de desemprego e de inadimplência.

(Redação - Agência IN)