De Brasília para o Mundo

Giraffas (Foto: Divulgação) Giraffas

Com uma visão de negócios e talento para lidar com o público, Carlos Guerra fundou em agosto de 1981, em Brasília, a Multinacional brasileira Girrafas. O empresário levou a pequena lanchonete de bairro de Brasília à rede com mais de 410 unidades. Atualmente a rede comercializa um milhão de sanduíches por mês. 

Por Michele Rios
Entrevistado: Ricardo Guerra - Diretor de Marketing do Giraffas

Ricardo-Guerra

IN: Como e onde surgiu a rede Giraffas?
Ricardo Guerra: A rede foi fundada em Brasília, no Distrito Federal em agosto de 1981, pelo empresário Carlos Guerra.

IN: A partir de que momento foi necessário adotar o sistema de franquia?
RG: O sistema de franquias foi essencial para o crescimento da rede. Sem ele, certamente não estaríamos no patamar em que nos encontramos. Na verdade, o Carlos Guerra, fundador do Giraffas, sempre teve a intenção de tornar o Giraffas uma franquia. Quando ele morou nos Estados Unidos, em meados dos anos 70, ficou fascinado com o sistema, já muito consolidado por lá. Ele pensou: é assim que farei meu negócio crescer! Em 1991, esse projeto se tornou realidade e o Giraffas, então com 10 anos de existência, adotou o sistema de franquias, o que permitiu uma rápida expansão. Nos anos seguintes a companhia chegou em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Paraíba, Bahia, Sergipe, Espírito Santo e Paraná. Hoje em dia, a rede está presente em todos os estados do país e nos Estados Unidos. Com o sistema de franquias, profissionalizou os processos com ações de marketing, consultoria, estruturação do sistema de logística e distribuição.

IN: Qual o público da empresa?
RG: Nosso público é a família brasileira. Temos opções para as crianças, adolescentes, mulheres que querem comer de maneira mais leve, para o trabalhador que quer uma opção mais econômica e saborosa e para os fins de semana. Temos como foco de negócios as classes B e C, que representam quase a totalidade de nossos clientes.

IN: Quanto a empresa investe por ano em campanhas promocionais?
RG: O orçamento de marketing do Giraffas é de 30 milhões para 2014. As campanhas abordam diferentes aspectos de acordo com o calendário da empresa. Nesse momento temos o Festival Regional, com 11 produtos com sabores bem brasileiros. Pratos como feijoada, picadinho, churrasco entre outros, que representam 25% das vendas. A novidades do Festival Regional traz inovação, gera curiosidade, aumenta o leque de opções para os consumidores e dá acesso a classe B C, com pratos diferenciados.
Também temos ao longo do ano promoções mais acessíveis para aumentar a experimentação. A partir de julho teremos uma campanha que irá explorar às vendas a partir das 15h. Serão cerca de 20 produtos com preços e mecânicas diferenciadas. Dando ao consumidor de grelhados, sanduíches e sobremesas opções muito saborosas e que cabem dentro do bolso.
Independente da mecânica, o comportamento do consumidor é direcionado a inovações e novidades. Hoje o Giraffas trabalha com cerca de 20% das vendas através de inovação.

IN: Vocês utilizam algum meio para coletar o feedback dos clientes? Se sim, qual e como funciona?
RG: Sim. Temos o nosso SAC que recebe cerca de 200 ligações por mês. Também acompanhamos de perto os comentários e manifestações e nossas redes sociais.

IN: Como é feita a escolha do cardápio?
RG: O Giraffas tem uma área de categorias, dentro do MKT, que é responsável pelo desenvolvimento do cardápio e produtos. Cada linha tem um posicionamento e estratégia própria de atuação. Em 2014, nos reunimos com cerca de 20 fornecedores para discutir ideias de pratos, sabores, ingredientes, molhos, acompanhamentos, proteínas e etc. Foram quase 200 ideias que passaram por um processo rigoroso de avaliação, desde análise de tendências de consumo e potencial de vendas. Eliminamos ou demos sequência aos produtos que devem entrar em 2015. Na nossa linha tem cerca de 25 ideias possíveis.

IN: Quantos lanches o Giraffas comercializa por mês? E os pratos?
RG: Por mês o Giraffas comercializa 1 milhão de sanduíches e 2 milhões de pratos.

IN: De onde surgiu a ideia de criar o GiraPrato?
RG: Em 2002, a marca direcionou sua preocupação em oferecer ao público infantil uma refeição balanceada e desenvolveu o GiraPrato, como uma opção equilibrada e nutritiva. O Giraffas quer influenciar a boa alimentação desde a infância. Acreditamos que bons momentos associados a comida saudável trarão hábitos mais equilibrados para a população.

IN: Em maio a empresa criou o Massa Vitaminada. De onde surgiu a ideia? Foi bem aceito pelos pequenos?
RG: O desenvolvimento desse novo prato para os pequeninos faz parte da estratégia do Giraffas de investir constantemente na educação alimentar infantil e levar a esse público mais uma opção saudável no cardápio da rede. A massa vitaminada contém macarrão enriquecido com os nutrientes encontrados na cenoura, beterraba, espinafre e sais minerais, além de ser acompanhado por uma proteína - frango ou carne.

IN: Você acredita que o cardápio diferenciado é o principal motivo para o crescimento da rede no Brasil? Por quê?
RG: Não existe motivo isolado, sabemos que o sucesso do Giraffas vem da seriedade que tratamos a alimentação. Desde a concepção de pratos saborosos e surpreendentes até o mais alto padrão de qualidade que desenvolvemos com nossos parceiros. Hoje as principais indústrias de alimentação do Brasil trabalham junto com o Giraffas para levar o melhor produto por um preço justo. Outro ponto muito importante é a velocidade que trazemos inovações ao cardápio. O consumidor moderno quer experimentar, provar e ser surpreendido. Em março e abril, o churros Giraffas com sorvete e calda foi um sucesso pela inovação na forma de consumir o produto.

IN: Recentemente a empresa também criou o novo modelo de restaurante direcionado para cidades de 60 a 300 mil habitantes. De onde surgiu a ideia? Por quê?
RG: Para 2014, o Giraffas apresenta novo modelo de restaurante direcionado a cidades de 60 a 300 mil habitantes. Nomeado “Brasil Interior” pela Companhia, o projeto consiste em buscar empreendedores interessados em franquias Giraffas em municípios, como Balsas/MA, Corumbá/MS e Araruama/RJ. Os restaurantes nessas regiões terão investimento de até R$ 500 mil, mais o custo do ponto comercial, que pode variar entre 100 e 150 metros quadrados, 100 metros a menos que o modelo Fast Casual, que é sugerido para operações em capitais. O prazo para retorno do capital investido, para ‘Brasil Interior’, é de até 36 meses.
O interior do Brasil representa uma oportunidade de expansão e crescimento para o Giraffas, pois, com o ‘Brasil Interior’, conseguimos tornar viável a operação de nossos restaurantes, garantindo melhor rentabilidade ao franqueado e, além disso, dar acesso aos nossos produtos e serviços para as pessoas que moram nesses potenciais mercados

IN: Qual o valor para investir nesse modelo de negócio?
RG: Custo de instalação Brasil Interior - até R$ 500 mil
Taxa de franquia para Brasil Interior - R$ 60 mil
Área mínima Brasil Interior - 100m² / 150m²
Prazo de retorno estimado Brasil Interior - Até 36 meses
Faturamento mensal bruto para Brasil Interior (média) - entre R$ 100 e R$ 120 mil

IN: A empresa também lançou em 2013 um novo modelo de restaurante com atendimento em mesa. Como funciona? E de onde surgiu a ideia?
RG: Em 2013, a rede ampliou sua atuação para além do formato fast food e passou a testar um novo modelo de restaurante, com atendimento em mesa. As unidades seguem o conceito Fast Casual, que une a agilidade do fast food a um ambiente mais aconchegante e serviço em mesa, com um nível de atendimento diferenciado, sem a necessidade de esperar senhas. Para criar uma nova experiência de consumo para seus clientes, o layout dos restaurantes da rede ficou mais moderno e jovial. Novos móveis também foram escolhidos e equipamentos selecionados para otimizar o atendimento e o espaço interno. O restaurante segue um conceito visual que permite que os clientes conheçam a trajetória e valores da Companhia, que possui mais de 30 anos de atuação. Esse modelo o Giraffas trouxe dos EUA, onde já temos 10 unidades nesse formato.

IN: Quantas unidades nesse modelo pretendem inaugurar em 2014?
RG: A rede pretende ter 10 contratos assinados para o modelo até o final de 2014.

IN: Em 2014, o Giraffas comprou o Tostex. Por que decidiram comprar a rede?
RG: O Giraffas fechou parceria com a marca Tostex, lanchonete especializada em sanduíches tostados, em 2011. Com as fundadoras da marca, redesenhamos todo o modelo de negócio facilitando sua capacidade de replicação. Do ponto de vista do consumidor, o intuito era expandir os momentos de consumo que o Giraffas oferta aos brasileiros. Trazer um produto com cara de Brasil e memória de família para a comodidade da alimentação fora do lar. Além disso, entendemos que o portfólio de investimentos para nossos e novos franqueados poderia melhorar.

tostex

IN: Explique como funciona a rede.
RG: Fundado em Trancoso, na Bahia, em 2000, o Tostex é uma rede de franquias 100% nacional do ramo alimentício, que oferece o clássico sanduíche tostado adicionado de criatividade e inovação para todos em todos os momentos do dia. Em 2011, associou-se ao Giraffas, rede brasileira de fast food, e, em maio de 2012, abriu a primeira loja com um novo formato no Shopping Cidade Jardim. Adotou o sistema de franquias em 2013, utilizando a mesma estrutura de gestão de franquias do Giraffas. Em abril do mesmo ano, inaugurou sua primeira unidade franqueada no GRU Airport, Aeroporto Internacional de São Paulo.
O lanche é legitimamente brasileiro, perfeito para qualquer momento do dia, é um produto que foi difundido de diferentes partes do Brasil e de alguma forma faz parte da história de cada um.  Os produtos foram elaborados com paixão e criatividade culinária e tem o sabor da infância do lanche caseiro que consumíamos na casa de amigos e familiares.  Nossa comunicação é descontraída e aproxima o consumidor.

IN: Quanto o Giraffas pretende faturar com o Tostex em 2014?
RG: O Tostex pretende fechar o ano com um faturamento de mais de R$ 8 milhões.

IN: Quantas unidades do Tostex existem no Brasil? Há planos de expansão?
RG: Atualmente possui 4 unidades franqueadas e 1 unidade própria e cerca de 70 colaboradores em seus restaurantes. Para esse ano, o Tostex pretende atingir a marca de 12 restaurantes - espalhados em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília e também no Nordeste.

IN: O Giraffas, em 2011, desembarcou nos Estados Unidos. De onde surgiu a ideia de ir para fora do Brasil? Ele foi bem aceito por lá?
RG: Os EUA é o mercado mais desenvolvido e concorrido de alimentação fora do lar. Além disso, tem uma forte influência na cultura brasileira. Muitas marcas têm vindo para o Brasil dos EUA. Acreditamos que o fato do Giraffas ter uma marca nos EUA fortalece a nossa posição de líder em refeições brasileiras. Outro ponto é o aprendizado que teríamos como empresa avançando no maior, mais desenvolvido e concorrido mercado. Evoluímos em processos, modelos de negócio, competitividade e tendências. Fora isso, sendo o maior mercado mundial de food service, tem o potencial muito grande de crescimento. Sabendo que dando certo nos EUA, os demais países tornam-se mais alcançáveis.
Em 2013 a operação internacional, focada nos EUA, continuou no processo de expansão passando de três restaurantes ao final de 2012 para sete restaurantes ao final de 2013. Dentro do nosso setor de atuação (alimentício) e mais especificamente no segmento de Fast Casual, o Giraffas teve um importante reconhecimento do mercado e de especialistas, ficando entre os TOP 25 conceitos de FastCasual nos EUA dentre aproximadamente 1000 marcas analisadas. Mais precisamente, o Giraffas ficou com a décima terceira colocação na cerimônia de premiação que foi realizada em Chicago durante a NRA e organizada pela instituição FastCasual.com. O Giraffas já vinha de um reconhecimento por conta do seu projeto arquitetônico que foi premiado durante a (NRF) National Retail Federation pelo Retail Design Institute, tendo ficado com a primeira colocação entre os projetos de varejo de alimentação. Atualmente temos 10 unidades nos EUA.

IN: A rede pretende levar o Tostex para fora também?
RG: Temos 10 unidades do Giraffas na Flórida e acreditamos que temos muito a crescer e consolidar o negócio internacionalmente. Apesar do sucesso do Tostex, ainda precisamos consolidá-lo no Brasil. Até 2018 serão 150 unidades. Na medida que avançarmos, é possível que o Tostex atravesse as fronteiras do Brasil.

IN: Para finalizar, quanto o Giraffas pretende faturar em 2014?
RG: O Giraffas pretende faturar R$ 856 milhões. )

Última modificação emSegunda, 16 Junho 2014 16:28