Marina Silva - Candidata à presidência em 2018

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Destaque Marina é candidata à presidência pela terceira vez Foto: divulgação Marina é candidata à presidência pela terceira vez

Conheça a trajetória da pré-candidata a presidente do Brasil nas eleições de 2018.

A ex-senadora Marina Silva é a pré-candidata à presidência da República pelo partido Rede Sustentabilidade. Quem formará a chapa a seu lado e também as coligações do partido para as eleições 2018 serão confirmadas na convenção partidária eleitoral, prevista para o mês de agosto.

Esta é a 3ª vez que Marina disputa o cargo de presidente. A candidata não teve dificuldades para confirmar sua preferência no partido, sendo que seu nome foi aprovado nas 23 convenções estaduais da Rede.

A candidata fundou seu posicionamento político a partir da luta pela preservação do meio ambiente e o uso sustentável dos recursos naturais. Suas iniciativas lhe renderam prêmios internacionais. Mesmo assim, ela tem um longo caminho pela frente entre os demais candidatos à presidência 2018 .

Um dos maiores desafios de Marina será a campanha em si, uma vez que a Rede terá apenas 12 segundos de aparição no horário eleitoral gratuito. Isso porque trata-se de um partido novo que não elegeu deputados em 2014 - critério usado na repartição do fundo partidário. Daí a importância das alianças partidárias para a ex-senadora.

História de vida

Infância difícil moldou quem é Marina Silva hoje

De família pobre, Maria Osmarina Marina Silva de Lima nasceu em 08 de fevereiro de 1958, em uma casa sobre palafitas localizada em Seringal Bagaço, no Acre. Seus pais, Pedro Augusto e Maria Augusta da Silva, eram seringueiros e tiveram 11 filhos, dos quais oito sobreviveram.

Aos 16 anos, Marina contraiu hepatite, doença que voltaria a acometê-la por mais duas vezes. Ela também contraiu malária por cinco vezes e outra vez foi diagnosticada com leishmaniose. Os tratamentos para estas doenças causaram impactos negativos em sua saúde anos depois.

Ainda jovem, mudou-se para a capital do estado, Rio Branco, onde foi alfabetizada pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral). Pouco depois, obteve seu primeiro emprego como empregada doméstica.

Foi aspirante à freira em um convento da capital acreana e participou das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Após se deparar com um cartaz afixado na igreja que frequentava, decidiu fazer um curso de liderança sindical rural. Nesse curso, ela teve oportunidade de conhecer o líder seringueiro Chico Mendes.

Em 1981, ingressou no curso de História na Universidade Federal do Acre. No ambiente acadêmico, entrou em contato com os ideais marxistas e aproximou-se do Partido Revolucionário Comunista (PRC), à época abrigado dentro do Partido dos Trabalhadores (PT).

Além da licenciatura em História, Marina é pós-graduada em Teoria Psicanalítica pela Universidade de Brasília (UnB) e em Psicopedagogia pela Universidade Católica de Brasília.

Casou-se pela primeira vez em 1980, com Raimundo Souza, com quem teve dois filhos: Shalon e Danilo. Um ano após se divorciar, em 1986, casou-se novamente, desta vez com Fábio Vaz, na época técnico agrícola que assessorava seringueiros. Seu casamento permanece até os dias atuais e dele vieram as filhas mais novas: Moara e Mayara.

Vida Política

Presidência já foi objetivo da candidata Marina Silva outras vezes

Sua vida política começou ao lado de Chico Mendes, na luta pela preservação do meio ambiente e dos que habitavam os seringais. Em meados da década de 1980, participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre e, filiada ao PT, concorreu pela primeira vez a um cargo público em 1986 como deputada federal, mas não alcançou a vitória.

Dois anos depois, conseguiu ser eleita vereadora de Rio Branco. Em 1990, alcançou uma vaga na Assembleia Legislativa do estado do Acre e, em 1994, candidatou-se ao Senado. Reelegeu-se em 2002, com votação quase três vezes maior que a anterior.

Em 2003, assumiu o Ministério do Meio Ambiente no governo de Luiz Inácio Lula da Silva . Em sua gestão, conseguiu diminuir o desmatamento na Amazônia em 60% entre 2004 e 2007, segundo a Sophie Foundation, que a premiou por seus esforços em defesa da floresta.

Em 2007, Marina recebeu o prêmio “Champions of the Earth”, da Organização das Nações Unidas (ONU), por sua luta pela conservação da Amazônia. No mesmo ano, o jornal britânico The Guardian apontou a senadora como uma das “50 pessoas que podem ajudar a salvar o planeta”.

Permaneceu no ministério até maio de 2008 e se desligou da função devido a atritos com ministérios ligados às áreas de infraestrutura e desenvolvimento. Em 2009, Marina saiu do PT alegando falta de sustentação política para seus projetos e filiou-se ao Partido Verde (PV) no mesmo ano.

Em 2010, foi candidata à presidência da República pelo PV, chegando ao terceiro lugar com mais de 19 milhões de votos. Deixou o PV em 2011, com a intenção de criar um novo partido.

Nas eleições de 2014, Marina concorreu inicialmente como vice da chapa de Eduardo Campos, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), e depois assumiu a candidatura após a morte do candidato num acidente aéreo, em agosto daquele ano.

Eduardo Campos tinha boa margem de intenção de votos e Marina herdou essa vantagem. No entanto, não soube aproveitá-la, dando posicionamentos contraditórios durante a campanha em 2014. Com isso, ficou em terceiro lugar e, no segundo turno, apoiou Aécio Neves (PSDB).

Partido

Atritos internos podem atrapalhar a Rede Sustentabilidade

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Em novembro de 2011, a ex-ministra criou o Movimento por uma Nova Política e, em 2013, ocorreu a fundação oficial do Rede Sustentabilidade, durante o Encontro Nacional da Rede Pró Partido, realizado em Brasília.

O novo partido tentou obter o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2013, mas o pedido foi negado por falta de apoio mínimo necessário naquela ocasião. O objetivo era lançar Marina candidata à presidência já pela legenda em 2014, mas não foi possível e Marina saiu como vice de Eduardo Campos (PSB).

Em 2013, a Rede contava com assinaturas de 441 mil eleitores validadas pelos cartórios eleitorais, mas a lei exigia 492 mil. Em maio de 2015, Marina Silva apresentou outras 56,1 mil assinaturas e em 22 de setembro de 2015, a Rede Sustentabilidade obteve o seu registro definitivo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A denominação Rede foi escolhida por meio de sugestões realizadas em fóruns da internet e indica que o partido pretende funcionar como uma rede que dialoga com diferentes setores da sociedade.

Em seu estatuto, o Rede Sustentabilidade, se coloca como uma associação de cidadãos e cidadãs dispostos a contribuir voluntariamente e de forma colaborativa para:

  • Superar o monopólio partidário da representação política institucional.
  • Intensificar e melhorar a qualidade da democracia no Brasil.
  • Atuar politicamente para prover todos os meios necessários à efetiva participação dos brasileiros e brasileiras nos processos decisórios que levem ao desenvolvimento justo e sustentável da nação.

O Programa Partidário segue uma série de valores e princípios, entre eles:

  • Pluralidade política.
  • Dignidade da pessoa humana.
  • Justiça social.
  • Defesa dos direitos das minorias.
  • Respeito à natureza e à vida em todas as suas formas de manifestação.
  • Promoção e defesa do meio ambiente.
  • Respeito às convicções religiosas e à liberdade para professá-las.
  • Transparência, eficiência e eficácia na gestão pública.
  • Respeito às diversidades, à coisa pública e ao bem comum.

Na plataforma de ações políticas, entre inúmeras bandeiras, o partido defende a reforma do sistema político sem a exigência de filiação partidária, renovação de lideranças políticas com limitação a uma reeleição de mandatos parlamentares, e ampliação dos processos de participação da sociedade nas decisões do governo.

Apesar de ter sido fundado de forma coletiva, começaram a surgir atritos dentro do partido. Cerca de 3 anos após sua fundação, alguns integrantes resolveram deixar a Rede insatisfeitos com o rumo que a legenda tomou, especialmente devido ao posicionamento em relação a assuntos importantes, como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

No total, foram 7 dissidentes, entre eles o antropólogo Luiz Eduardo Soares, um dos fundadores do partido junto com Marina. Em carta enviada à direção da Rede, o grupo deixou claro que as principais decisões do partido têm sido tomadas única e exclusivamente por Marina Silva.

Segundo o documento, “o fato de a Rede ser politicamente dependente de Marina Silva se constituiu em um fenômeno que, ao invés de ter se tornado menor ao longo do processo de construção partidária, se acentuou ao longo do tempo. Na verdade, as decisões estratégicas que foram conformando o perfil da Rede partiram todas de Marina e apenas dela, desde a decisão de entrar no PSB até a decisão favorável ao impeachment de Dilma”.

Outro fator abordado pelo grupo na carta é a falta de definição política do partido desde sua fundação. “Alcançada a legalização do partido, foi precisamente essa característica que permitiu que muitos oportunistas e políticos de direita identificassem na Rede um espaço fértil para seus projetos particulares. O que ocorreu em todo o País, então, foi um mergulho da Rede em direção ao passado e às tradições políticas que pretendíamos superar”, revela outro trecho.

Ainda em tom de desabafo, o grupo lamenta a falta de posicionamento da legenda, “a Rede não se posicionou sobre qualquer das grandes questões nacionais – sequer foi capaz de formular uma crítica fundamentada ao governo Temer. Quando esboçou alguma posição, ou proclamou platitudes ou decepcionou, afastando-se dos compromissos assumidos em sua fundação”.

Polêmicas

Propostas de Marina Silva ainda esbarram em sua religião

Uma das principais polêmicas que envolve Marina Silva é sua opinião pessoal sobre temas de grande comoção popular, como casamento gay, aborto, pesquisas com células-tronco e transgênicos. Ela também já defendeu a inclusão do criacionismo, ao lado do evolucionismo, na grade curricular das escolas públicas.

Seu posicionamento conservador em relação a assuntos relevantes causaram controvérsia nas eleições de 2010, quando Marina foi candidata pelo PV, e também em 2014, quando concorreu pelo PSB. A pressão feita por parlamentares que compõem a chamada bancada evangélica, como Marcos Feliciano e Silas Malafaia, fez com que ela se afastasse ainda mais da causa LGBT.

Em 2014, inclusive, ela havia angariado o apoio do ator hollywoodiano, Mark Ruffalo. No entanto, logo após gravar um vídeo em favor da candidata, o ator mudou de ideia. Segundo nota publicada por Ruffalo na internet, ele não poderia apoiar uma candidata que “tem uma aproximação difícil com temas como o casamento gay.”

Mesmo se posicionando a favor dos direitos da união civil de bens entre homossexuais e afirmar que essa posição não deve ser considerada como discriminação, a pré-candidata é considerada conservadora demais por muitos, o que pode levar outros candidatos a usar todo esse conservadorismo contra ela nas eleições de 2018.

 

Outro assunto que pode ser causar problemas para a pré-candidata em sua campanha este ano é uma denúncia feita pelo ex-presidente e sócio da OAS, Léo Pinheiro, durante uma delação premiada na Operação Lava Jato. Segundo o delator, foi feito um repasse de valores, na forma de caixa dois, para a campanha de Marina Silva à presidência da República em 2010.

Pinheiro afirma que o valor foi solicitado por Guilherme Leal, sócio da Natura e então candidato a vice-presidente na chapa de Marina, e Alfredo Sirkis, um dos coordenadores da campanha na época. Tanto Marina, quanto Leal e Sirkis negam o repasse.

Segundo Sirkis, OAS realmente doou R$ 400 mil para o PV do Rio de Janeiro, mas o valor foi devidamente registrado na Justiça Eleitoral.

Perspectiva

Agora concorrendo à presidência da República pelo partido que fundou, Marina Silva não se encontra afundada em escândalos e delações em comparação com alguns outros pré-candidatos.

Sua tarefa nas eleições 2018 será mostrar que está apta a comandar o País, sem deixar suas convicções religiosas guiarem suas decisões políticas, e que saúde não será um problema.

Já que em outras eleições que disputou sua aparente fragilidade e conservadorismo foram usados muitas vezes por oponentes para desacreditar sua capacidade de ser presidente do Brasil.