Manuela d’Ávila - Candidata à presidência em 2018

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Destaque Candidata do PCdoB poderá ser a presidente do Brasil mais jovem da história Foto: divulgação Candidata do PCdoB poderá ser a presidente do Brasil mais jovem da história

Conheça a trajetória da deputada candidata à presidência pelo PCdoB.

Com uma reputação bastante positiva no Sul do Brasil, Manuela d’Ávila chegou para marcar presença feminina no rol de candidatos à presidência em 2018 . Em novembro de 2017, a parlamentar gaúcha anunciou oficialmente, junto ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que estava se lançando pré-candidata ao cargo de presidente do País.

Manuela carrega em seu currículo o fato de ser a parlamentar mais votada pelos gaúchos em todas as eleições que disputou. Além disso, se for eleita, ganhará o título de presidente mais jovem da história do Brasil.

Atualmente com 36 anos, ela disputaria a eleição presidencial sob a sigla do partido que desde 1989 não propõe uma candidatura própria. Durante o 14º Congresso Nacional do PCdoB, realizado em 2017, Manuela teve seu nome aclamado como pré-candidata do partido. A legenda, da qual ela faz parte desde seu início na carreira política, carimbou o nome da deputada graças ao seu alto desempenho em campanhas eleitorais, além de boa reputação.

Com a decisão de lançar uma candidtura própria, o PCdoB deu a entender que não iria mais integrar coligações lideradas pelo PT. Porém, o cenário parece ter mudado com a decisão de lançar a deputada como vice de Fernando Haddad.

História de Vida

Deputada Manuela d’Ávila iniciou a carreira em movimentos estudantis

Manuela Pinto Vieira d'Ávila nasceu em Porto Alegre (RS), no dia 18 de agosto de 1981. Filha de Ana Lúcia, juíza, e Alfredo d'Ávila, engenheiro, Manuela possui quatro irmãos: Luciana, Carolina, Mariana e Fernando.

Devido ao cargo da mãe, a família teve que se mudar por diversas vezes. Durante a infância, Manuela morou em Estância Velha, São Lourenço do Sul, Pedro Osório e Rio Grande, retornando à capital gaúcha com 14 anos de idade.

Formou-se em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e chegou a cursar Ciências Sociais por um tempo na Universidade Federal do estado. Em 1999, ela ingressou no movimento estudantil da região e no mesmo ano filiou-se à União da Juventude Socialista (UJS), um braço do PCdoB.

Em 2001, a parlamentar finalizou sua filiação ao PCdoB e até 2003 também integrou a direção nacional da UJS e a vice-presidência Sul da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Manuela d’Ávila é atualmente casada com o músico Duca Leindecker, com quem tem uma filha chamada Laura, nascida em 2015. Os dois oficializaram a relação no mesmo dia em que a deputada anunciou sua pré-candidatura à presidência da República, pelo PCdoB, nas eleições 2018.

Antes de Duca, Manuela havia se relacionado, entre 2008 e 2010, com o ex-ministro da justiça do Brasil, José Eduardo Cardozo.

Vida Política

Ampla atuação política pode ajudar a eleger Manuela d'Ávila a presidente

A vida de Manuela na política começou cedo. Foi a vereadora mais jovem da história de Porto Alegre, sendo eleita em 2004. Durante seu mandato, foi responsável por apresentar o Projeto de Lei 9.989/06, sobre meia-entrada para estudantes, pauta que foi amplamente defendida em campanhas da UNE.

O projeto prevê benefícios aos alunos matriculados em alguns estabelecimentos de ensino regular e aos jovens com até 15 anos, com direito ao pagamento de meia-entrada em atividades culturais e esportivas.

Em 2006, foi candidata ao cargo de deputada estadual no Rio Grande do Sul por seu partido e eleita a mais votada do estado naquele ano. Dois anos depois, tentou o cargo de prefeita de Porto Alegre pela coligação "Porto Alegre é Mais", formada por 7 partidos. No entanto, ficou em 3º lugar, atrás de Maria do Rosário Nunes (PT) e de José Fogaça (PMDB).

Em 2010, a deputada pleiteou o cargo federal e conquistou marca expressiva, com 482.590 votos válidos. A quantidade de votos foi considerada a maior no Rio Grande do Sul e uma das maiores do Brasil, o que a fez eleger outros três aliados naquele ano: Assis Melo (PCdoB), José Luiz Stedile (PSB) e Alexandre Roso (PSB).

Ainda em 2010, Manuela foi cotada para assumir o Ministério do Esporte no primeiro governo de Dilma Rousseff. Porém, Renato Rabelo, presidente do PCdoB, afirmou que ela deveria ser candidata nas eleições de 2012. Com isso, o ministério ficou fora de questão, pois se assumisse o cargo, a deputada ficaria ocupada com a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

Em 2011, a parlamentar foi responsável pela relatoria do Estatuto da Juventude, legislação que garante direitos e deveres aos jovens brasileiros. O documento foi aprovado na Câmara dos Deputados em outubro de 2011 e no Senado Federal em fevereiro de 2012, passando a valer em todo território nacional.

Dentro do legislativo, Manuela presidiu a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, em 2011. Já no ano de 2013, foi indicada, pelo 5º ano consecutivo, ao Prêmio Congresso em Foco. Foi duas vezes destaque na categoria "parlamentar de futuro", formada pelos parlamentares com menos de 45 anos que melhor representam a população no Congresso.

Seu nome ainda foi apontado entre os 100 parlamentares mais influentes do Congresso. A deputada também chegou a figurar entre os 30 mais influentes pela revista Veja e os 100 brasileiros mais influentes pela revista Época em 2011.

Em 2012, Manuela se candidatou novamente à prefeitura de Porto Alegre e começou bem nas primeiras pesquisas eleitorais divulgadas, chegando a figurar em 1º lugar. Entretanto, José Fortunati (PDT) avançou nas pesquisas e foi reeleito com uma maioria histórica de 65,22% dos votos válidos.

No ano seguinte, foi escolhida como a líder de seu partido na Câmara dos Deputados. E, em 2014, Manuela decidiu voltar ao cargo de deputada estadual e declarou que precisava ajudar o Rio Grande do Sul, ficando mais perto da população de seu estado. A deputada foi eleita para o cargo com a maior quantidade de votos daquela eleição.

Ao tomar posse, a parlamentar passou a integrar 6 comissões:

  • Constituição e Justiça.
  • Cidadania e Direitos Humanos.
  • Assuntos Municipais.
  • Segurança e Serviços Públicos.
  • Mista Permanente de Participação Legislativa Popular.
  • Mista Permanente do Mercosul e Assuntos Internacionais.

Entre projetos e propostas apresentados, Manuela apresentou um substitutivo em conjunto com o deputado Átila Lira (PSB-PI). O projeto regulamentou estágios em ensino superior e técnico, já que, para ela, a atualização da lei sobre estágios era necessária, principalmente no que se referia à adequação às propostas pedagógicas de universidades elaboradas na última década.

Partido

Partido Comunista do Brasil é a legenda da candidata à presidência

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O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) foi fundado em 1922 com foco no proletariado. A legenda é uma das mais antigas do país. No entanto, seu registro oficial demorou bastante tempo para sair e apenas nos anos 1980 foi reconhecida perante a lei como um partido político, o que a deixou 60 anos na clandestinidade.

Com forte participação entre os meios sindicais e estudantis, as bandeiras levantadas pelo partido são baseadas ideologicamente nos princípios de teorias científicas como as de Karl Marx, por exemplo.

O PCdoB surgiu após integrantes do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) se desentenderem. Maurício Grabois, João Amazonas e Pedro Pomar resolveram se separar do partido após a rejeição do documento Carta dos Cem, no V Congresso do PCB.

O partido foi ganhando força com a falta de lideranças políticas que representassem as demandas da luta operária. No período em que houve a queda da república oligárquica, o partido teve forte representação perante o governo. Ali, a sigla já contava com a presença de Luís Carlos Prestes, que se tornaria o dirigente mais conhecido da bandeira comunista no Brasil.

Em meados de 1979, a concessão da Anistia e a abertura política permitiram que o PCdoB encontrasse um ambiente favorável à sua entrada no sindicalismo e nas organizações estudantis. Assim sendo, em 1984, o partido uniu-se ao movimento das “Diretas Já”.

Em maio de 1985, o Partido Comunista do Brasil conquistou a legalidade e, em 1986, conseguiu eleger 5 constituintes, o que trouxe mais participação diante das frentes de reivindicação.

Conhecido por suas conferências, o PCdoB aprovou em 1985 um novo programa que rompeu com alguns dos dogmas do comunismo: foi admitida a participação do capital privado na economia, a pluralidade partidária e a liberdade de culto religioso.

Em 1989, a legenda apoiou o Partido dos Trabalhadores e Luiz Inácio Lula da Silva como candidato à presidência. Naquele mesmo ano, com a queda do Muro de Berlim e do regime comunista nos países do leste europeu, o PCdoB se viu obrigado a rever os princípios que orientavam sua atuação.

Nas eleições de 2000, o PCdoB apresentou candidatos em 28 municípios, mas não conseguiu eleger nenhum prefeito. Dois anos depois, nas eleições gerais, a sigla manteve sua estratégia conjunta com o PT, apoiando a candidatura, desta vez vitoriosa, de Lula para a Presidência. Sempre do lado da oposição, era a primeira vez que o Partido Comunista do Brasil participava oficialmente da sustentação de um governo eleito.

Com uma atuação pouco expressiva e solitária até então, o PCdoB acabou sempre apoiando-se em suas alianças com o PT e alguns outros partidos. Porém, os anos 2000 representaram um considerável avanço, já que a legenda conseguiu finalmente eleger sua primeira prefeita, Luciana Santos, na cidade de Olinda (PE).

O PCdoB reuniu em 2008, no 10º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, 65 partidos comunistas e operários de todo o mundo, evento até então inédito na América Latina. No mesmo ano, o partido atingiu sua maior participação nas eleições municipais, conquistando 40 cadeiras de prefeitos.

Em 2015, durante a X Conferência Nacional, a deputada Luciana Santos foi eleita presidente do partido e nos dois últimos anos, a legenda trabalhou para lançar Manuela d’Ávila como candidata à Presidência nas eleições de 2018.

Polêmicas

Possível relação entre Manuela d'Ávila e Odebrecht está sendo investigada

Em comparação a outros candidatos à presidência, Manuela d’Ávila possui poucas controvérsias no currículo. Mas um dos exemplos que se pode citar, foi seu desentendimento com Jair Bolsonaro durante as reuniões da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

A deputada presidiu a comissão na Câmara dos Deputados no ano de 2011. Foi neste período que ela pediu a saída do deputado da comissão após comentários e posicionamentos considerados preconceituosos, especialmente contra homossexuais. A decisão de Manuela foi apoiada pela então ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.

Conhecida por lutar pelos direitos das mulheres, Manuela também acabou se tornando o centro das atenções após sua imagem amamentando a filha ganhou as manchetes internacionais.

O clique foi feito durante um debate na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em julho de 2016. Diante da repercussão, Manuela defendeu sua atitude dizendo que é “algo natural e espontâneo”.

Naquele mesmo ano, em janeiro, a deputada já havia sido alvo de controvérsia após publicar uma foto nas redes sociais amamentando sua filha Laura. Muitos internautas criticaram a exposição do ato, mas Manuela rebateu as críticas ressaltando a importância de leis como a que havia sido aprovada no Estado do Rio Grande do Sul, garantindo o direito de amamentação em qualquer lugar, público ou privado.

Defensora do aleitamento materno, dos direitos femininos e da igualdade de gênero, a deputada concedeu entrevista recente afirmando que “a gestão atual de Michel Temer é uma afronta às mulheres em relação aos direitos reprodutivos e sexuais”.

No entanto, a deputada também ganhou os holofotes quando o ex-diretor da Odebrecht, Alexandrino Alencar, afirmou em depoimento que a empreiteira fez doações oficiais e não oficiais, no total de R$ 360 mil, entre 2006 e 2010 para a campanha de Manuela d'Ávila à Prefeitura de Porto Alegre.

Sobre essas acusações, ela já admitiu que solicitou doações à empresa, mas que foi tudo conforme a lei eleitoral prevê.

Além disso, há suspeitas de que a deputada esteja nas planilhas de pagamento da Odebrecht, sob o codinome “avião”. Com mais de 200 políticos listados, o documento foi apreendido pela Polícia Federal em 2016. Com isso, Manuela entrou na lista do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, que solicitou investigação pela Procuradoria-Geral da República.

Atualmente, as investigações seguem sob o comando da justiça do Rio Grande do Sul, já que Manuela não possui foro privilegiado. Porém, até o momento não foram divulgados mais dados sobre a continuidade do processo.

Outra acusação envolvendo a deputada ocorreu em 2010, em meio às denúncias envolvendo o então ministro do Esporte, Orlando Silva. A acusação indicava que as sobras de caixa do programa “Alvorada Olímpica” foram encaminhadas para financiar a campanha da deputada do PCdoB, mas até o momento nada foi confirmado.

Um caso polêmico mais recente foi a derrota de Manuela em um processo que ela moveu contra o blogueiro Joselito Müller, alegando ter sido maculada em sua honra. A ação tramitou na 7ª Vara Cível da Comarca de Porto Alegre, na qual ela pedia condenação de Joselito a título de danos morais.

Na sentença de 21 de março de 2017, o juiz Oyama Assis Brasil de Moraes julgou improcedente a acusação, indicando que não foi observada nenhuma ofensa à honra da autora, “tratando-se, isto sim, de comentário humorístico incapaz de causar abalo à honra e à boa reputação da demandante”.

Perspectiva

Com diversas posições bem definidas e pautas consideradas relevantes, a atual deputada pode não só conquistar o eleitorado brasileiro, como também fazer história diante de um partido político com tamanha bagagem, mas pouco status real.

Com muitas especulações do que seria de Manuela d’Ávila na corrida presidencial, eis que ela conseguiu o seu lugar ao sol. Após desistir de sua candidatura ao Palácio do Planalto, a deputada se uniu ao PT para virar vice na chapa de Fernando Haddad, agora oficialmente candidato à Presidência pela coligação liderada pelo Partido dos Trabalhadores.

O PCdoB desistiu da candidatura própria de Manuela no dia 5 de agosto, poucos dias após confirmar que ela seria candidata ao cargo pelo partido. A manobra da deputada estadual do Rio Grande do Sul e do PCdoB, que há anos é aliado do PT, foi dada a fim de unir forças com o Partido dos Trabalhadores para que eles consigam a vitória nessa eleição.

Segundo a deputada, sua saída da corrida ao Planalto foi a forma que mais reuniu condições para a esquerda vencer a disputa. Nas negociações feitas entre as legendas, ficou acordado que Manuela viajaria com Haddad, até então vice de Lula, para fazer campanha em nome do ex-presidente.

A deputada também afirmou naquele período que iria unificar com Haddad seu programa de governo, preparado por seu partido. No entanto, ela garantiu que isso não seria um problema, pois as ideias eram praticamente as mesmas.

Dado a sentença do TSE sobre o caso de Lula, a coligação decidiu, então, confirmar, no dia 11 de setembro, os nomes de Fernando Haddad como candidato à Presidência da República e Manuela d’Ávila como vice na chapa.

Atualmente, a coligação está em segundo lugar nas pesquisas eleitorais para o cargo - com o nome de Haddad à frente da chapa - atrás apenas de Jair Bolsonaro do PSL.

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