Jair Bolsonaro - Candidato à presidência em 2018

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Destaque Com discurso agressivo, Bolsonaro conquistou milhares de fãs pelo País. Foto: divulgação Com discurso agressivo, Bolsonaro conquistou milhares de fãs pelo País.
Entenda a trajetória do candidato a presidência do Brasil muito popular e polêmico.

Considerado um político de opiniões fortes, Jair Bolsonaro é pré-candidato à presidência da República pelo Partido Social Liberal (PSL). O político divulgou recentemente um termo de compromisso junto ao partido que indica um acordo entre eles.

Bolsonaro havia informado no ano passado que sairia do Partido Social Cristão (PSC) e mudaria para o Partido Ecológico Nacional (PEN), para que a sigla bancasse sua candidatura nas eleições de outubro. No entanto, em conversa com o dirigente partidário e deputado federal Luciano Bivar, Bolsonaro decidiu concorrer pelo PSL.

Ao que tudo indica, o deputado enfrentou resistência para encontrar o partido que o colocasse na linha de frente na corrida presidencial. Porém, isso não parece ser problema, uma vez que aparece em segundo lugar entre os candidatos à presidência em 2018 nas pesquisas de intenção de voto para as eleições 2018.

História de vida

Histórico expressa quem é Bolsonaro e sua personalidade

Jair Messias Bolsonaro nasceu em Campinas, São Paulo, em março de 1955. De descendência italiana, o deputado é filho de Perci Geraldo Bolsonaro e de Olinda Bonturi.

Estudou na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas, e em 1977 se formou na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ). Em 1983, formou-se no curso de Educação Física do Exército.

Sua carreira militar teve sequência com o ingresso na Brigada de Infantaria Paraquedista, no Rio de Janeiro. Porém, no ano de 1986, Bolsonaro liderou um protesto contra os baixos salários dos militares, escrevendo o artigo “O salário está baixo” para uma revista bastante conhecida da época. Acabou preso por 15 dias, por infringir o regulamento disciplinar do Exército.

A partir daí, novos atos de indisciplina foram atribuídos ao deputado. O exemplo mais marcante é a operação intitulada “Beco sem saída”, que tinha o objetivo de explodir bombas na Academia Militar das Agulhas Negras, além de outros quartéis, como reivindicação por reajustes de salário.

O caso foi atribuído a Jair Bolsonaro e ao Capitão Fábio Passos e, em junho de 1988, os militares foram julgados, porém, inocentados.

O político é atualmente casado com Michelle Bolsonaro, com quem tem uma filha, Laura. Anteriormente, ele teve como esposa a vereadora Rogéria Nantes Nunes, entre 1993 a 2001, e juntos tiveram três filhos: Carlos, Flávio e Eduardo. Bolsonaro também foi casado com Ana Cristina Vale, com quem teve um filho, Jair Renan.

De seus filhos, três fazem parte da política: Eduardo é deputado federal, Flávio é deputado estadual pelo estado do Rio de Janeiro e Carlos é vereador na cidade do Rio de Janeiro. Além deles, a ex-mulher do parlamentar, Ana Cristina Valle, sua irmã e seu pai também ocuparam vagas nos gabinetes dos políticos da família.

Vida Política

Do início como vereador ao lema Bolsonaro 2018

A vida política do candidato à presidência é considerada bastante conturbada. O militar já passou por diversos partidos e hoje exerce seu sétimo mandato de deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro.

Seu trabalho começou pelo Partido Democrata Cristão (PDC), no qual foi eleito para vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro em 1988. Em 1990, foi eleito deputado federal pelo PDC e, em 1993, participou da fundação do Partido Progressista Reformador (PPR), nascido da fusão do PDC e do Partido Democrático Social (PDS).

Em 1994, o deputado foi reeleito, porém, no ano seguinte filiou-se ao Partido Progressista Brasileiro (PPB), que também surgiu de uma fusão, desta vez entre PPR com o Partido Progressista (PP).

Quatro anos depois, se candidatou ao cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, mas não foi eleito naquele ano. Em 2002, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), algo que durou pouco mais de 2 anos, pois no início de 2005 ele deixou o partido para se filiar ao Partido da Frente Liberal (PFL).

Passados apenas meses, Bolsonaro deixou o PFL para se dirigir ao Partido Progressista (PP) e, em 2006, foi eleito para seu quinto mandato, assumindo em seguida a titularidade das comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania, de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

Em 2014, Jair Bolsonaro foi reeleito para seu 7º mandato como deputado federal e voltou a se candidatar ao cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Porém, sem sucesso, perdendo a presidência da comissão para o Partido dos Trabalhadores por apenas um voto. Em 2015, houve mais uma tentativa frustrada de candidatura do parlamentar.

Em março de 2016 filiou-se ao PSC, mas acabou entrando em conflito com a liderança do partido. Com isso, sua candidatura para presidente nas eleições de 2018 necessitou de uma nova filiação que, provavelmente, será o PSL.

Sem possuir ligação sólida com nenhum partido, nem projetos representativos na Câmara, Bolsonaro aprovou apenas dois projetos de sua autoria e uma proposta em fase preliminar em mais de três décadas de vida política. A primeira conquista, que virou lei, foi a de estender o benefício de isenção do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para bens de informática, aprovada em julho de 2014.

Ainda sob a grande pressão da mídia sobre o caso, em junho de 2015, Bolsonaro comemorou pela primeira vez a aprovação preliminar de uma proposta de emenda constitucional (PEC) de sua autoria, que previa a emissão de recibos de papel junto ao voto nas urnas eletrônicas. Esses recibos seriam encaminhados ao STE como forma de eliminar possíveis fraudes nas urnas.

Por fim, em abril de 2016, houve autorização do uso da chamada “pílula do câncer” – com o componente fosfoetanolamina sintética – também acabou virando lei por meio das mãos de Bolsonaro.

Vale lembrar que, durante sua vida política, o parlamentar apresentou no total 171 propostas, entre elas projetos de lei, projetos de lei complementar, decretos de legislativo e propostas de emenda à Constituição (PEC).

Devido ao baixo número de projetos aprovados, o parlamentar disse em entrevista que "mais importante que aprovar um projeto é evitar que um péssimo seja aprovado".

Partido

O partido de Bolsonaro em 2018 está quase definido

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O Partido Social Liberal (PSL) foi fundado em 30 de outubro de 1994. De pequena estatura, a legenda tem como presidente nacional Luciano Caldas Bivar, que em 2006 foi lançado à Presidência da República. A principal proposta de Bivar foi a criação do Imposto Único Federal, porém, na disputa, o candidato ficou em último lugar, alcançando apenas 62.064 votos, 0,06% da votação total.

Já nas Assembleias Legislativas, o PSL conseguiu eleger alguns deputados estaduais desde sua fundação, sendo que o presidente do partido foi eleito para a Câmara dos Deputados em 1998, pelo estado de Pernambuco.

O PSL não tem representantes no Senado, porém, elegeu prefeitos e vereadores em diversas regiões do país, obtendo números consideráveis de parlamentares em cargos públicos, mas nada comparado aos grandes partidos.

Desde 2016, a legenda deseja rever e renovar seu programa partidário. O processo chegou a envolver o Livres, grupo liderado pelo empresário Sérgio Bivar, filho de Luciano, que defende a renovação política e a articulação de uma agenda liberal – com participação menor do Estado, apoio a privatizações e defesa das liberdades individuais.

No entanto, integrantes do Livres foram contrários à chegada de Bolsonaro ao partido e, no momento em que a filiação do deputado foi apresentada, o grupo anunciou rompimento com o PSL.

Já Luciano Bivar, afirma que Bolsonaro possui ideias semelhantes às suas e que a filiação do político representa um ganho para o partido. O claro objetivo de Bivar é aumentar a visibilidade da legenda a partir da popularidade de Bolsonaro.

Segundo o presidente do PSL, a bandeira do partido é a do pensamento econômico liberal, além da defesa da propriedade privada e da valorização das Forças Armadas e de segurança. A proposta mais conhecida do partido é a adoção do Imposto Único Federal, que busca a simplificação do sistema tributário no país.

Polêmicas

Controvérsias provocam dúvidas sobre votar ou não votar em Bolsonaro

As propostas do deputado costumam ser polêmicas, conquistando quem compartilha valores semelhantes e causando revolta em quem discorda totalmente de seu posicionamento.

Jair Bolsonaro já afirmou publicamente que defende a pena de morte, a prisão perpétua, o regime de trabalhos forçados para condenados, a redução da maioridade penal para 16 anos e o rígido controle da natalidade como maneira eficaz de combater a miséria e a violência.

Um exemplo de seu posicionamento controverso ocorreu em 1993, quando alegou que a existência de muitas leis atrapalhava o exercício do poder e defendeu o retorno do “regime de exceção” e o fechamento temporário do Congresso Nacional. Alguns anos depois, o político voltou a pedir o fechamento do Congresso e declarou preferir sobreviver no regime militar a morrer nesta democracia.

Em 1998, voltou a ser alvo da mídia por sua defesa a sistemas mais autoritários, como a pena de morte e a prisão perpétua. Após 10 anos, em uma audiência pública, envolveu-se novamente em uma polêmica ao combater a demarcação contínua realizada pelo governo federal na reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

Os contratempos com outros parlamentares e com entidades representantes de negros e homossexuais fizeram com que Bolsonaro também ganhasse espaço na mídia. Em 2009, o Partido Comunista do Brasil (PC do B) entrou com uma representação contra o parlamentar por quebra de decoro.

Em episódio ocorrido em 2014, Bolsonaro ofendeu a deputada Maria do Rosário e, com isso, tornou-se réu no Supremo Tribunal Federal por incitação ao estupro.

Em abril de 2016, durante a votação do impeachment da ex-presidente Dilma, o parlamentar dedicou seu voto a Coronel Ustra, torturador da ditadura militar. Por causa disso, foi alvo de representação ao Conselho de Ética, arquivada posteriormente.

Nesse mesmo dia, se envolveu em uma controvérsia com o deputado Jean Wyllys, que lhe deu uma cusparada alegando ter sido agredido verbalmente por Bolsonaro. Com o caso, um processo foi aberto contra Jean Wyllys no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

Inicialmente, um parecer sugeriu a suspensão do mandato do parlamentar por quatro meses, mas o Conselho definiu por encaminhar apenas uma advertência por escrito a Wyllys.

No fim de 2017, foi condenado a pagar multa no valor de R$ 150 mil por causa de declarações homofóbicas feitas em um programa de televisão.

Apesar desses processos, o pré-candidato à presidência do Brasil não será barrado na Lei Ficha Limpa por enquanto. Isso porque as condenações até o momento ocorreram no âmbito civil e, portanto, não se enquadram nos crimes previstos nas definições de Ficha Limpa.

No entanto, recentemente começaram a surgir denúncias sobre irregularidades em seus mandatos, como nepotismo, uso indevido de benefícios e caixa dois. Uma reportagem veiculada na Folha de São Paulo apontou que Jair Bolsonaro também multiplicou seu patrimônio junto a seus filhos durante o período em que esteve na política.

A reportagem mostra o aumento de capital da família com a aquisição de 13 imóveis que, juntos, somam cerca de R$15 milhões. Segundo o levantamento do jornal, os imóveis foram adquiridos muito abaixo dos preços avaliados pela Prefeitura do Rio de Janeiro, local no qual os apartamentos e casas estão situados.

Os órgãos avaliadores de imóveis indicam que não houve valorização expressiva nos últimos dez anos, ou seja, não há justificativa para o valor pago em relação ao valor real dos imóveis adquiridos pela família Bolsonaro.

Há suspeita de lavagem de dinheiro, de acordo com os critérios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (COFECI).

Isso porque, a compra da casa na qual Bolsonaro vive na Barra da Tijuca mostra indícios de que houve diminuição injustificada do valor do imóvel. Apesar das suposições, nada ficou comprovado até o momento.

Em outra situação polêmica, o deputado federal admitiu ter recebido R$200 mil durante sua campanha eleitoral de 2014. Segundo sua prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro recebeu a quantia da empresa JBS, porém, ele teria encaminhado o valor como doação ao PP, seu partido na época.

A controvérsia surgiu após a verificação de que o partido depositou a mesma quantia de volta na conta de Jair Bolsonaro, mas o deputado afirmou categoricamente que o valor veio do fundo partidário e não da JBS.

Perspectivas

Mesmo com muitas controvérsias no currículo e um posicionamento polêmico, o pré-candidato atrai muitos eleitores. Seu apelido de mito foi dado por fãs que compartilham dos valores conservadores do atual deputado.

Apesar da popularidade crescente, Jair Bolsonaro ainda tem grandes obstáculos a superar. Com uma política tida como semelhante a do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o objetivo de Bolsonaro parece ser o de chamar a atenção, seja para o bem ou para o mal. No entanto, o político ainda precisa provar para muitos brasileiros que sabe fazer mais do que dar discursos acalorados.

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