Henrique Meirelles - Candidato à presidência em 2018

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Destaque Atual ministro da Fazendo pode se candidatar a presidente nas eleições deste ano Foto: divulgação Atual ministro da Fazendo pode se candidatar a presidente nas eleições deste ano

Conheça o histórico do atual ministro da Fazenda do governo Temer.

Com uma grande experiência no setor econômico, Henrique Meirelles é mais um nome cotado para sentar na cadeira da Presidência da República. Atual ministro da Fazenda, ele carrega em seu histórico grandes feitos na área econômica.

Gilberto Kassab, presidente do Partido Social Democrático (PSD), afirmou que o convite foi feito ao atual ministro da Fazenda para lançá-lo como candidato à presidência em 2018. No entanto, Meirelles acabou saindo do PSD e se filiando recentemente ao MDB. 

Embora o interesse do político venha se desenhando há alguns meses, ele tem evitado confirmar sua candidatura, tendo em vista que ainda não é possível prever qual seria a oposição a ser enfrentada dentro do próprio governo.

História de vida

Henrique Meirelles tem currículo invejável no setor financeiro

Henrique de Campos Meirelles nasceu em Anápolis, cidade de Goiás, em 1945. Filho de Hegesipo de Campos Meirelles e Diva Silva de Campos. O atual ministro da Fazenda deixou o estado de Goiás para cursar, em São Paulo, a graduação em engenharia civil, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

Formou-se em 1972 e, no ano de 1974, Meirelles concluiu um MBA pelo Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No mesmo ano, começou sua carreira no BankBoston, onde trabalhou por 28 anos com atuação nacional e internacional.

Atuou no departamento de Leasing e, após 4 anos, assumiu a vice-presidência do banco. Em 1984, Henrique Meirelles entrou no curso que preparava executivos para assumirem grandes corporações, o chamado Advanced Management Program (AMP), pela Harvard Business School. Além disso, o executivo também recebeu um título honorário de doutor pela Bryant College.

Ainda em 1984, retornou ao Brasil e foi nomeado presidente do BankBoston no País, cargo que ocupou durante 12 anos. Em 1996, foi escolhido presidente mundial do BankBoston e foi morar nos Estados Unidos, ocupando o cargo até o ano de 1999. Além disso, no período em que esteve nos EUA, Meirelles foi um dos mais populares membros da corte do ex-presidente norte-americano Bill Clinton.

Com a fusão, em 1999, do BankBoston com o Fleet Financial Group, que juntos formaram o FleetBoston Financial, Meirelles assumiu a presidência de Global Banking. Mas, em 2002, o executivo finalmente se aposentou e retornou ao Brasil.

Em seu currículo, Henrique Meirelles possui os títulos de:

  • Presidente do Conselho da J&F Investimentos.
  • Membro do Conselho da Lloyd's de Londres.
  • Membro do Conselho de Administração da Azul Linhas Aéreas.
  • Conselheiro do reitor da John F. Kennedy School of Government, de Harvard.
  • Conselheiro do Reitor do MIT, em Cambridge.
  • Conselheiro do Centro de Estudos Latino Americanos da Washington University.
  • Chairman da Sociedade de Revitalização da Cidade de São Paulo.
  • Fundador e Presidente Associação Brasileira das Empresas de Leasing.
  • Membro da FTI Consulting.
  • Presidente da Associação "Viva o Centro", pela revitalização da região central da cidade de São Paulo.
  • Presidente emérito da Associação Brasileira de Bancos Internacionais.
  • Diretor da Câmara do Comércio de São Paulo.
  • Membro do conselho da Harvard Kennedy School of Government
  • Membro do conselho da Sloan School of Management do MIT
  • Membro do conselho da Carroll School of Management do Boston College
  • Membro do conselho do Conservatório de Música da Nova Inglaterra
  • Membro do conselho do Instituto de Arte Contemporânea de Boston.

O executivo ainda conquistou os prêmios de:

  • 2006 - Melhor Banqueiro da América Latina.
  • 2008 - Prêmio Bravo Awards - Financista do Ano.
  • 2008 - Prêmio Emerging Market Awards - Melhor Banqueiro Central para América Latina.
  • 2010 - Prêmio Lide - Personalidade do Ano.
  • 2016 - Brasileiro do Ano na Economia - Revista IstoÉ.
  • 2016 - Melhor Banqueiro Central das Américas - Revista The Banker.

O possível candidato à presidência é casado com Eva Missine desde 2000. Sua família também fez parte da política. Seu avô, Graciano Antônio da Silva, conhecido como Coronel Sanito, foi prefeito de Anápolis por 3 vezes e seu pai ocupou o cargo de secretário no Governo de Goiás por duas vezes. Além deles, seu tio, Jonas Duarte, também foi governador interino de Goiás por diversos períodos: em 1952, 1954 e 1955.

Vida política

Boa atuação na economia colabora para que vejamos Henrique Meirelles candidato em 2018

A juventude de Henrique Meirelles inclui a participação no movimento estudantil de Goiânia e em greves contra o preço das passagens de ônibus. No ano de 2002, já como um grande executivo, se candidatou ao cargo de deputado federal pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e foi eleito com o maior número de votos em Goiás naquele ano.

Em 2003, Meirelles renunciou ao cargo de deputado federal e deixou seu partido para assumir a presidência do Banco Central do Brasil. Ficou por 8 anos na função, sendo o presidente do órgão a ocupar o cargo por mais tempo. Em 2005, foi o primeiro presidente do Bacen a obter formalmente o status de ministro do Estado.

A gestão de Henrique Meirelles, entre 2003 e 2010, se iniciou em meio a um período de crise. A inflação chegou a 25,5% ao ano, taxa de juros real de 18,5%, além do dólar chegar próximo aos R$ 4. Isso tudo ocorria por conta da reação do mercado à liderança de Lula na disputa presidencial, que se confirmou posteriormente.

Com as medidas adotadas por Meirelles e sua equipe, a inflação começou a ser taxada dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, o que continuou acontecendo durante todos os anos da sua gestão.

Alguns especialistas chegaram a afirmar que, a gestão de Meirelles frente ao Bacen foi um fator primordial para que o país passasse pela crise internacional de 2008 e 2009 sem maiores consequências.

Nos primeiros anos de atuação no Banco Central, o executivo contou com o apoio político do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Após a saída de Palocci, no início de 2006, Meirelles conseguiu se aproximar mais de Lula, mas também ganhou a oposição do novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, com quem trocou críticas pelos anos seguintes.

Em 2009, o político decidiu se filiar ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Porém, sua estadia por lá não durou muito, já que em 2011 o ministro oficializou sua ida para o Partido Social Democrático (PSD).

No mesmo ano, Meirelles assumiu o cargo no Conselho Público Olímpico para coordenar todos os investimentos envolvidos na realização dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

Ainda envolvido com a carreira política, mas sem deixar sua veia administrativa, Henrique Meirelles foi convidado para presidir o Conselho de Administração da J&F por Joesley Batista, a holding controladora da JBS e do Banco Original.

Meirelles tinha a função de profissionalizar a companhia criando mecanismos de tomada de decisão mais independentes. Além disso, ele também se tornou responsável pela expansão da companhia dentro e fora do Brasil, com o objetivo de abertura de Capital da empresa.

Em 2014, assumiu temporariamente a presidência do Conselho de Administração da J&F Investimentos, além de também participar do Conselho da Azul Linhas Aéreas. Dois anos depois, todavia, o político voltou a figurar nas páginas dos jornais, depois de ser nomeado para o Ministério da Fazenda e Previdência Social.

Ele assumiu o cargo após a posse de Michel Temer como presidente interino da República, após o afastamento de Dilma Rousseff, que culminou em seu impeachment. Com isso, Meirelles teve que abrir mão do contrato de consultoria com a J&F Investimentos e a Azul.

Partido

Ainda não é certo por qual partido Henrique Meirelles vai se candidatar

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Registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2011, o Partido Social Democrático (PSD) foi concebido após políticos de outros partidos decidirem sair de legendas como o DEM, o PP, o PSDB, entre outros.

A sigla foi encabeçada por Gilberto Kassab, então prefeito de São Paulo, que se tornou, em seguida, o presidente nacional do partido. Além do político, Guilherme Afif Domingos e mais outros nomes de diversas regiões do país integram atualmente o PSD.

Com uma bancada relativamente expressiva, o partido estreou nas eleições de 2012, após ter garantido pelo STF direito à cota do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda eleitoral gratuita. Naquele ano, o PSD foi o 4º em eleger mais prefeitos, ficando atrás apenas de PMDB, PSDB e PT.

A escolha do nome do partido é uma homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, que se filiou ao antigo Partido Social Democrático, existente entre os anos 1945 e 1965.

Segundo a legenda atual, o novo partido surgiu com a proposta de defender as liberdades de expressão e opinião e de direito do cidadão à informação. Além disso, a sigla ainda defende:

  • O voto distrital, com introdução gradual.
  • A iniciativa e a propriedade privada.
  • A economia de mercado, capaz de gerar riqueza e desenvolvimento.
  • A atuação forte do Estado, mas com prioridades em questões sociais.
  • A preservação do meio ambiente como fator de sobrevivência do homem e da própria vida do planeta.
  • O diálogo, sem violências ou radicalismos.

Diante do possível lançamento de Henrique Meirelles como candidato à presidência do Brasil pelo PSD, os impasses aparentam ser muitos, pois outro fator importante para o ex-presidente do Banco Central é a estrutura partidária para lançar sua candidatura.

Apesar do presidente da sigla, Gilberto Kassab, ter afirmado que, devido ao momento vivido pelo Brasil, o partido pretende lançar uma candidatura própria. No entanto, é possível que ele seja lançado por outra legenda para as eleições 2018. Entre suas preferências, está o MDB (antigo PMDB). De acordo com pronunciamentos recentes, a candidatura de Henrique Meirelles conta com o apoio de Michel Temer.

Polêmicas

Relação de Henrique Meirelles e JBS está sendo investigada

Henrique Meirelles, assim como os demais candidatos ao cargo de presidente do Brasil, teve seu nome envolvido em alguns escândalos de corrupção. Em 2005, o procurador-geral da República, Claudio Fonteles, pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito e a quebra do sigilo fiscal de Henrique Meirelles

Na época, ele era presidente do Banco Central e havia suspeita de remessa ilegal de dinheiro ao exterior. O pedido incluiu a quebra de sigilo de Meirelles e de empresas que supostamente pertenciam a ele a partir de 1996.

O ministro Marco Aurélio de Mello, do STF, a princípio, autorizou o inquérito, que indicava duvidar da origem de cerca de R$ 1,37 bilhão remetido para o exterior pela Boston Comercial e Participações, uma das empresas possivelmente controladas por Meirelles, por meio do BankBoston.

Em 2010, uma nova acusação surgiu com o mesmo cunho. Porém, nenhuma das duas foi para frente, pois o STF não autorizou a quebra de sigilo na primeira vez e, em 2010, o então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, chegou a pedir o arquivamento do inquérito aberto novamente no STF.

Mesmo sem dar muitas justificativas sobre o caso, Gurgel afirmou que a acusação surgia no momento em que o nome de Meirelles era cogitado para ser vice na chapa da presidenciável Dilma Rousseff (PT).

Em 2016, Meirelles voltou a ser alvo de investigações com o enorme alcance que a Operação Lava Jato obteve. Os indícios de corrupção nos setores político, público e privado fizeram com que o ministro da Fazenda também entrasse na lista de investigados.

Com o nome atrelado ao grupo J&F, para o qual prestou consultoria antes de exercer o cargo de ministro, Meirelles ganhou os holofotes graças às investigações do Ministério Público e da Polícia Federal.

A Operação Greenfield, um braço da Lava Jato, foi deflagrada com a J&F como principal núcleo investigado, que consequentemente passou pelas mãos de Meirelles. A operação ainda analisa fraudes bilionárias em 4 fundos de pensão de funcionários de estatais - Petros (Petrobras), Funcef (Caixa), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios).

Até o momento não houve conclusão das investigações, além de o nome do ministro da Fazenda ter ficado de fora de algumas investigações.

Vale lembrar que políticos do PT e PMDB se mostraram indignados com o fato de a Lava Jato ainda não ter dado tanta atenção ao sistema financeiro, pelo qual passou e ainda passa todos os trâmites de corrupção. Segundo declaração do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) no ano passado, as investigações também devem apurar a atuação de Meirelles na JBS.

Já para o senador Roberto Requião (PMDB-PR) também há muita lentidão no processo de investigação, com os bancos mandando no País. Segundo o senador, os doleiros usam o sistema bancário como braço operacional para a transferências do dinheiro sujo e fazem a repatriação, como se o dinheiro fosse limpo, sem qualquer investigação por parte do Banco Central.

Além disso, Meirelles ainda é citado em notícias sobre seu enriquecimento com consultorias entre 2016 e 2017 e investigações relacionadas ao BankBoston, quando ele ainda fazia parte do grupo. No entanto, não há inquéritos abertos que envolvam exclusivamente o nome do ministro da Fazenda nesses casos.

Perspectivas

Com currículo memorável, é provável que Henrique Meirelles ganhe a simpatia de muitos eleitores que aprovaram sua atuação para tirar o Brasil da crise, controlando a inflação e atingindo o menor patamar dos juros da história.

De fato, Meirelles tem ampla experiência no setor econômico. No entanto, seu passado ligado fortemente a bancos e empresários, como Joesley Batista, pode ser usado como um argumento negativo por adversários, já que pode-se insinuar que ele vá atuar para beneficiar aliados, em detrimento dos interesses da população.

Também é preciso lembrar que o ministro tem pouca vivência no âmbito político, na comparação com outros candidatos à presidência. Além disso, seu nome está ligado a diversas denúncias de corrupção envolvendo dinheiro público nas mãos de dirigentes de grandes estatais e empresas privadas.

Fazendo parte do governo mais mal avaliado da história do País, Meirelles também é um dos principais articuladores da reforma da Previdência, proposta rejeitada por 71% da população. Sendo assim, para ser eleito, o atual ministro da Fazenda deverá provar que seu programa de governo será voltado para o povo brasileiro e não para interesses privados.

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