Geraldo Alckmin - Candidato à presidência em 2018

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Destaque Alckmin ainda tem que enfrentar possíveis candidaturas de aliados por outros partidos Foto: divulgação Alckmin ainda tem que enfrentar possíveis candidaturas de aliados por outros partidos

Conheça a trajetória do médico que atualmente possui ampla experiência política.

De personalidade mais quieta, o atual governador do Estado de São Paulo e presidente nacional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Geraldo Alckmin, tem um longo caminho a percorrer até as eleições 2018.

Tido como o nome forte do partido, uma vez que seu principal adversário, Aécio Neves, é carta fora do baralho depois dos escândalos da Lava Jato. Alckmin terá apenas que vencer o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, nas prévias ainda sem data definida, para consolidar sua candidatura como representante do PSDB a presidente da República.

Antes disso, o governador teve um desafeto com seu apadrinhado João Doria, atual prefeito da cidade de São Paulo, que recebeu todo apoio de Alckmin para chegar ao cargo, mas chegou a cogitar concorrer ao Planalto Central este ano. Enquanto uns afirmam que a questão foi resolvida, há quem acredite que Doria ainda pode concorrer a presidente por outro partido.

Alckmin tem como principal trunfo o governo do Estado de São Paulo por mais de 10 anos. Com a morte de Mário Covas, em 2001, assumiu como governador e se reelegeu em 2002. Em 2010, venceu as eleições do Estado no primeiro turno e foi reeleito em 2014.

Sem dúvida alguma, sua experiência política é um cartão de visitas de peso. No entanto, seu currículo também está manchado por denúncias recentes de envolvimento em esquemas ilegais, fato que pode atrapalhar sua corrida entre os candidatos à presidência 2018 .

História de vida

De estudante de medicina a governador de SP

Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho nasceu em Pindamonhangaba, no interior paulista, em 7 de novembro de 1952. Formou-se em medicina pela Universidade de Taubaté e fez  especialização em anestesiologia pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual.

Durante o curso de medicina, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Seu vínculo com a universidade, fazendo parte do diretório acadêmico, e o fato de dar aulas de biologia e química orgânica em um cursinho pré-vestibular e de supletivo contaram a favor para que iniciasse sua carreira política.

É casado com Maria Lúcia Alckmin, com quem teve três filhos: Sophia, Geraldo e Thomaz, que faleceu após a queda de um helicóptero em abril de 2015. Geraldo Alckmin é sobrinho de José Geraldo Rodrigues de Alckmin, que já ocupou cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

Com forte apego à religião cristã, mantém uma imagem de Nossa Senhora Aparecida no gabinete e em outros cômodos do Palácio dos Bandeirantes. Alckmin já foi professor, médico, vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, vice-governador, governador. Com um mandato previsto para encerrar em janeiro de 2019, é o político que mais tempo comandou o governo de São Paulo desde a redemocratização do Brasil.

Já fez parte do rol de candidatos à presidência nas eleições de 2006, mas perdeu no segundo turno para Luiz Inácio Lula da Silva. Após a derrota, decidiu estudar economia por alguns meses em Washington, nos Estados Unidos.

Vida Política

Candidatura de Geraldo Alckmin pode sofrer reviravoltas

Iniciou sua carreira na vida pública aos 19 anos, como vereador. Em 1976, aos 23, foi eleito prefeito de Pindamonhangaba, sua cidade natal. No ano de 1982, Alckmin chegou à Assembleia Legislativa de São Paulo, sendo eleito deputado estadual pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Em 1986, elegeu-se deputado federal. Foi vice-líder da bancada na Assembleia Nacional Constituinte e, posteriormente, um dos fundadores do PSDB. Na Câmara, foi o autor de propostas que se converteram no Código de Defesa do Consumidor, e também relator do projeto que originou a Lei de Benefícios da Previdência Social.

Em 1994, foi eleito vice-governador de Mário Covas. Nesse período, coordenou o Programa Estadual de Desestatização do Governo de São Paulo e, com a morte de Covas em 2001, assumiu o governo.

Foi candidato à Prefeitura de São Paulo em duas ocasiões, em 2000 e em 2008, e concorreu à Presidência da República em 2006. Em 2009, foi empossado secretário de Estado de Desenvolvimento.

No ano seguinte, venceu as eleições para governador do Estado de São Paulo no primeiro turno, recebendo mais de 11,5 milhões de votos. Nas eleições posteriores, foi reeleito com mais de 12,2 milhões de votos. Em dezembro de 2017, foi escolhido como presidente nacional do PSDB e anunciou a pré-candidatura para o Palácio do Planalto nas eleições 2018.

Dentro de seu partido, Alckmin já protagonizou uma disputa interna com José Serra. A briga teve seu auge nas eleições de 2008, quando Alckmin se lançou candidato à Prefeitura de São Paulo e perdeu a disputa para o então prefeito Gilberto Kassab, que contou com a ajuda de Serra nos bastidores.

A trégua veio somente meses após a eleição, quando Alckmin aceitou o posto de secretário de Desenvolvimento do Estado, na época, governado por Serra. Em 2010, integrou, ao lado do antigo adversário, a chapa eleitoral tucana. Disputou com sucesso o governo paulista, enquanto Serra saiu derrotado da corrida presidencial.

Agora em 2018, além de ter que conviver com a possibilidade de João Doria se alçar como concorrente ao Planalto, Geraldo Alckmin também precisa lidar com o apoio de aliados a uma possível candidatura de Luciano Huck.

O apresentador de televisão tem forte apelo popular e já admitiu que tem interesse em concorrer a presidente. Apesar das pesquisas de intenção de voto indicarem um bom começo para ele, Huck acabou negando no fim do ano passado que concorreria à presidência do Brasil em 2018.

No entanto, o apresentador tem seu pleito visto com bons olhos por nomes de peso, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que afirmou recentemente acreditar que Luciano Huck tem o estilo do PSDB.

Partido

Nomes de peso na fundação do PSDB

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O PSDB foi fundado em 25 de junho de 1988 por um grupo de dissidentes do PMDB. Esse grupo, formado por personalidades da política brasileira como Franco Montoro, Sérgio Motta, Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, José Serra e tantos outros, não encontravam mais no PMDB espaço para o debate de ideais como o parlamentarismo e a Assembleia Nacional Constituinte.

Subscrito por 40 deputados e 8 senadores, o Manifesto da Social Democracia Brasileira convocava o povo brasileiro a prosseguir na luta por mudanças sociais e políticas e definia os princípios e objetivos do PSDB. Entre eles:

  • Defender a democracia contra qualquer tentativa de retrocesso a situações autoritárias.
  • Adotar o parlamentarismo como sistema de governo.
  • Aprimorar o funcionamento das instituições.
  • Implementar políticas de melhoria dos serviços públicos básicos e de distribuição de renda, que conduzam à erradicação da miséria no Brasil.
  • Apoiar as justas reivindicações dos trabalhadores, assegurada a livre negociação com sindicatos autônomos e os meios próprios de luta dos assalariados, inclusive a greve, sem interferência do Estado.
  • Combater as desigualdades regionais, assegurando-se recursos necessários a planos que beneficiem diretamente o povo e não as oligarquias.
  • Promover o desenvolvimento do mercado interno e a integração soberana do Brasil no sistema econômico internacional
  • Enfrentar o problema da dívida externa.

O tucano foi o símbolo escolhido para representar o partido, a proposta foi feita pela representação de Minas Gerais com o objetivo de simplificar a identificação do partido e facilitar sua comunicação.

A figura do animal tem três importantes significados:

1) É uma ave típica da fauna brasileira

2) Seu peito amarelo lembra a cor da campanha das eleições diretas

3) Também é um dos símbolos do movimento ecológico e da defesa do meio ambiente.

Em 15 de novembro de 1988, cerca de seis meses após sua fundação e ainda com registro provisório, o PSDB lançou candidatos próprios elegendo 18 prefeitos e 214 vereadores.

Em novembro de 2017, o partido divulgou um documento com 27 páginas que apresenta as diretrizes para um novo programa partidário. Intitulado “Gente em Primeiro Lugar: o Brasil que queremos”, o texto mostra uma certa tendência do partido pela redução do Estado. Ainda, promete dar atenção para os mais pobres, com uma agenda considerada mais progressista.

Polêmicas

Possível relação entre Alckmin e Odebrecht é obstáculo de campanha

Para chegar ao cargo de presidente, Alckmin tem ainda que passar ileso pela Operação Lava Jato. No ano passado, o governador teve seu nome vinculado a uma denúncia do grupo Odebrecht. Executivos da empreiteira relataram que o candidato teria recebido no total R$10,3 milhões em caixa dois para as campanhas eleitorais de 2010 e 2014.

Parte do valor, R$2 milhões, foi repassado para a campanha de 2010 e entregue para Adhemar César Ribeiro, cunhado de Alckmin. A segunda parte, de R$8,3 milhões, teria sido entregue a Marcos Monteiro, secretário de Planejamento de São Paulo e coordenador da campanha de Alckmin.

O Ministério Público Federal abriu inquérito em novembro do ano passado e a acusação está sendo avaliada em segredo de Justiça no Superior Tribunal de Justiça. O governador nega que tenha pedido ou recebido recursos irregulares em sua vida pública.

Outra investigação que paira sobre o governador paulista é a admissão de representantes da Camargo Corrêa e da Odebrecht ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). As empresas assumiram que formaram cartéis para vencer concorrências de obras públicas no Estado de São Paulo.

O período denunciado pelas companhias vai de 2004 a 2015, incluindo licitações realizadas para as obras do Rodoanel e das linhas 2 e 5 do metrô de São Paulo. Com isso, contratos assinados no primeiro mandato de Geraldo Alckmin como governador estão sendo investigados.

Alckmin também leva no currículo o uso de força extrema da Polícia Militar de São Paulo na repressão aos manifestantes em junho de 2013. Naquele ano, ocorreu uma série de manifestações na capital paulista contra o aumento das passagens de ônibus e metrô, que passaram de R$ 3, para R$ 3,20 em 02 de junho – uma alta de 6,7%.

Organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL) e pelo Movimento Mudança pelas redes sociais, a manifestação mais violenta ocorreu em 06 de junho com a participação de cerca de 2.000 pessoas que fecharam as avenidas Paulista e 23 de Maio, na região central de São Paulo.

Num certo momento da ação, um grupo de manifestantes passou a vandalizar estações do metrô, pontos de ônibus, vitrines, bancas de jornais e agências bancárias. A Polícia Militar interveio com o uso de bombas de efeito moral e balas de borracha e houve confronto.

Neste dia, entre vários integrantes da imprensa que faziam a cobertura da manifestação, um fotógrafo teve seu olho atingido por uma bala de borracha. No total, 15 pessoas foram detidas e mais de 50 ficaram feridas entre manifestantes, profissionais da imprensa e policiais militares.

Devido ao crescimento da comoção popular, outras manifestações ocorreram nos dias seguintes, mas com o uso moderado das forças da PM. O dia 17 de junho foi um dos mais simbólicos, com mais de 65 mil pessoas nas ruas de São Paulo.

Depois disso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e o prefeito da capital, Fernando Haddad do Partido dos Trabalhadores (PT), anunciaram em conjunto a revogação do aumento, levando o valor da tarifa de volta a R$ 3.

As manifestações, que tiveram início em SP devido ao aumento das passagens, se tornaram um combustível para que ocorressem protestos em várias cidades do País, com reivindicações contra a corrupção e grande repercussão internacional devido à proximidade com a Copa do Mundo no Brasil.

No dia 20 de junho de 2013, mais de 100 mil cidadãos paulistanos participaram de uma manifestação nacional, que reuniu mais de um milhão de pessoas nas principais capitais brasileiras e cidades do interior.

Perspectiva

Além da sombra da Lava Jato durante sua campanha, o governador ainda tem o desafio de melhorar seus números nas pesquisas. Em levantamento realizado pelo Instituto Datafolha, sem adversários dentro do partido, Alckmin tem entre 6% e 12% das intenções de voto. Números que não o colocam nem mesmo no segundo turno das eleições 2018.

Apesar disso, há chances de que a impossibilidade de Lula em disputar as eleições possa ajudá-lo a angariar votos dos indecisos ou que não se identificam com o discurso de outros candidatos à presidência, como o conservadorismo de Jair Bolsonaro, por exemplo.

Que tal saber mais sobre a trajetória de outros candidatos? Veja os perfis: