Ciro Gomes - Candidato à presidência em 2018

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Destaque Candidato à presidência é conhecido por seu temperamento impulsivo. Foto: divulgação Candidato à presidência é conhecido por seu temperamento impulsivo.

Conheça a trajetória do ex-ministro que atualmente possui ampla experiência política.

Conhecido por sua língua afiada e histórico de declarações polêmicas, Ciro Gomes faz parte da lista de candidatos à presidência em 2018O político é visto como uma alternativa da esquerda para as eleições deste ano, com chances ainda maiores caso o ex-presidente Lula não possa se candidatar.

Apelidado de coronel por sua postura um tanto rígida diante de algumas questões, Ciro foi escolhido pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) para representar a legenda nas eleições 2018 ao cargo de presidente.

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, anunciou durante o Encontro Nacional do partido, em 2016, que Ciro seria o pré-candidato escolhido para representar o País. Em julho de 2017, Lupi divulgou vídeo nas redes sociais reiterando a candidatura de Ciro Gomes pelo PDT.

História de vida

Entenda como Ciro Gomes saiu do Ceará e chegou a Harvard

Ciro Ferreira Gomes nasceu em Pindamonhangaba (SP), no dia 06 de novembro de 1957. É filho de José Euclides Ferreira Gomes Filho e Maria José Ferreira Gomes. Aos 4 anos de idade, mudou-se com a família para a cidade de Sobral (CE), onde concluiu o curso secundário em uma escola pública da cidade.

Em seguida, foi para Fortaleza e ingressou, em 1976, no curso de Direito na Universidade Federal do Ceará. Após se formar, Ciro foi professor de Direito tributário e Direito constitucional.

É autor de 3 livros na área de economia política:

  • "No País dos Conflitos” (1994).
  • "O Próximo Passo – Uma Alternativa Prática ao Neoliberalismo" (1995), em parceria com o professor da Universidade de Harvard, Roberto Mangabeira Unger.
  • "Um Desafio Chamado Brasil" (2002).

Ele ainda atuou como uma espécie de pesquisador visitante, na Harvard Law School, nos Estados Unidos. Neste período, Ciro passou a escrever aos domingos uma coluna para o Jornal do Brasil e daí originou-se o livro publicado junto ao professor Unger.

Aos 23 anos, na cidade de Sobral, foi apontado como procurador do município, após seu pai ter sido eleito prefeito pelo Partido Democrático Social (PDS). Neste mesmo período, também foi convidado por José Maria Felix para ser comentarista esportivo da Rádio Educadora do Nordeste.

O político foi casado com Patrícia Saboya Gomes entre 1983 e 1999. Com ela, teve 3 filhos: Ciro, Yuri e Lívia. Em 1999, o candidato à presidência em 2018 acabou se casando com a atriz Patrícia Pillar, mas o relacionamento chegou ao fim em 2011. Dois anos depois, ele assumiu um relacionamento com Zara Castro, com quem teve um filho, Gael, em 2015.

Seus familiares também estão envolvidos com a política. Seu pai foi prefeito de Sobral por 3 mandatos e seu tio, Vicente Antenor Ferreira Gomes, foi prefeito e deputado estadual pelo estado do Ceará.

Dois de seus quatro irmãos também seguiram a carreira política: Cid Gomes foi governador do Ceará por 2 mandatos e Ivo Gomes é atualmente prefeito da cidade de Sobral. Sua primeira esposa, Patrícia Saboya, foi sua aliada política, ex-deputada estadual e senadora pelo Ceará.

Vida Política

Após diversos partidos, candidatura de Ciro Gomes em 2018 será pelo PDT

Ciro passou por diversos partidos ao longo de sua carreira:

  • Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que deu sustentação à ditadura militar no Brasil.
  • Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).
  • Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que ajudou na articulação nacional para sua criação ao lado de políticos como Mário Covas e Tasso Jereissati.
  • Além de Partido Popular Socialista (PPS), Partido Socialista Brasileiro (PSB), e Partido Republicano da Ordem Social (PROS).

Ao contrário do que muitos pensam, ele nunca se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT). Atualmente, é filiado e vice-presidente do PDT.

Também já ocupou altos cargos políticos no país: foi deputado estadual por duas legislaturas no Ceará de 1983 a 1988, prefeito de Fortaleza de 1989 a 1990 e governador do Ceará entre 1991 e 1994.

Com nome forte no Nordeste do Brasil, o político assumiu em 1994 o cargo de Ministro da Fazenda no governo de Itamar Franco, durante a implantação do Plano Real. Ainda, foi Ministro da Integração Nacional de 2003 a 2006, durante o Governo Lula. Seu último mandato político foi como deputado federal pelo estado do Ceará, entre 2007 e 2011.

Em 1998 e em 2002, Ciro Gomes concorreu à presidência da República pelo PPS. No entanto, os presidentes eleitos naqueles anos foram Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva , respectivamente.

Além da vida política, o ex-ministro também ocupou cargos importantes no setor privado. Foi Presidente da Transnordestina S/A e um dos diretores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Partido

Lula e Ciro Gomes podem formar aliança nas eleições 2018

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O Partido Democrático Trabalhista (PDT) tem sua história totalmente ligada a Leonel Brizola. Idealizador do partido, Brizola foi exilado no período da Ditadura Militar e promoveu em Lisboa, em 1979, juntamente com outros socialistas, um encontro que contou com a presença de refugiados de 12 países da América e da Europa junto a 80 pessoas vindas do Brasil.  

A ideia do encontro era a elaboração da “Carta de Lisboa”, um documento que continha as bases programáticas do partido político que Brizola planejou fundar no Brasil. Era período de redemocratização e o então Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) tinha como objetivo renascer comprometido com o socialismo democrático.

No entanto, ao retornar ao Brasil beneficiado pela anistia, Brizola pleiteou junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o direito pela legenda, mas Ivete Vargas, também interessada em obter o controle da sigla, acabou ganhando a batalha jurídica em 1980, quando o TSE decidiu que caberia ao grupo de Ivete a posse da legenda.

A partir daí, Leonel Brizola e seus aliados decidiram pela criação de outro partido trabalhista que continuasse a trajetória do velho PTB, mas que incorporasse novas demandas presentes naquela época.

Assim foi criado o PDT, que se declarou socialista e anunciou em seu manifesto a “defesa da democracia, do nacionalismo e do socialismo”. As principais bandeiras levantadas pelo partido foram:

  • Assistência à infância e aos jovens.
  • Defesa de interesses dos trabalhadores, das mulheres, das populações negras, das populações indígenas e da natureza brasileira.
  • Recuperação de concessões feitas a grupos estrangeiros.

Com o modelo do socialismo europeu, inclusive em seu símbolo, que referencia diretamente o Partido Socialista Francês, a legenda sempre teve como grande marca a liderança de Brizola, que não somente apontava os rumos do partido, mas também determinava sua postura e ação em relação a diversos temas.

O registro definitivo do PDT foi concedido pelo TSE em novembro de 1981 e, com o passar do tempo, o partido ganhou bastante expressão dentro dos estados e, mais tarde, no âmbito federal.

No entanto, nem só de glórias viveu a legenda. O partido também teve momentos desafiadores, como quando Brizola não concordou com as políticas impostas pelo Governo Sarney, em meados de 1986.

A rebeldia lhe custou um enorme isolamento. O partido ficou dividido, teve pouca expressão nas eleições seguintes e demorou a se firmar novamente. Nos anos seguintes, em tom mais amigável, o PDT conseguiu fazer oposição ao governo, mas tentando dialogar em assuntos que eram de seu interesse.

Ainda nos anos 1990, o PDT tentou novamente ganhar mais destaque e lançouBrizola como candidato à presidência, mas essa e todas as demais tentativas não tiveram sucesso.

Em 2002, por exemplo, o PDT decidiu mudar sua estratégia e apoiou a candidatura de Ciro Gomes, então no Partido Popular Socialista (PPS), ao maior cargo do País. Porém, foram derrotados pelo PT.

Dois anos depois, o grande líder e fundador do partido veio a falecer aos 82 anos, por problemas cardíacos. Mesmo com a perda, o partido disputou as eleições municipais daquele ano e elegeu 307 prefeitos, um desempenho respectivamente superior às eleições municipais anteriores.

Em 2006, o PDT apresentou Cristovam Buarque como candidato à presidência da República. O ex-ministro da Educação do primeiro Governo Lula e dissidente do PT terminou o primeiro turno em 4º lugar.

Atualmente, o partido pelo qual Ciro Gomes disputará a Presidência da República nas eleições 2018 tem bastante peso no cenário político. Maior partido do Ceará, o PDT é também a sigla mais governista do Brasil, segundo dados recentes.

A legenda, oposicionista no âmbito federal, conta hoje com o maior número de filiados em cargos de primeiro escalão nos governos estaduais. São 13 cargos em governos estaduais e 22 secretários em postos de primeiro escalão, devido à política de aliança. Além disso, o partido ainda administra diretamente os estados do Amazonas e do Amapá.

Agora, o partido pretende atingir um patamar ainda maior, disputando as eleições com Ciro Gomes como candidato, que pode aumentar suas chances de ser eleito caso o ex-presidente Lula seja impedido de lançar sua própria candidatura.

Inclusive, há conversas de bastidores para que seja formada uma aliança entre os partidos de Lula e Ciro Gomes, já pensando na possibilidade do petista ser pego na Lei Ficha Limpa e não possa se candidatar.

Polêmicas

Ciro gomes: processos por danos morais são cada vez mais frequentes

Uma polêmica importante envolvendo o pré-candidato foi a transposição do Rio São Francisco, durante o Governo Lula, que teve Ciro como um dos principais responsáveis pela obra. O projeto somou um custo inicial estimado em R$ 4,5 bilhões apenas para sua primeira etapa e foi considerado a obra de maior impacto do governo.

O objetivo era implantar dois canais somando 700 quilômetros de extensão, desviando entre 1% e 2,5% das águas do Rio São Francisco para irrigar parte do Nordeste. Com o projeto, cerca de 12 milhões de pessoas seriam beneficiadas nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Obviamente, o projeto de transposição do Rio São Francisco causou controvérsia, principalmente por críticos que acreditavam que o projeto beneficiaria mais a agroindústria e os proprietários de terra. Fato é que a obra saiu do papel e o eixo leste foi inaugurado no ano passado. Ainda há o eixo norte, que ainda não está pronto.

No entanto, a obra não saiu ilesa de possíveis irregularidades. Segundo investigações da Polícia Federal, empresários do consórcio OAS/Galvão/Barbosa Melo/Coesa podem ter usado empresas de fachada para desviar aproximadamente R$ 200 milhões da verba destinada ao trecho que vai do agreste de Pernambuco ao estado da Paraíba. Mas nenhuma irregularidade foi vinculada a Ciro Gomes até o momento.

Outra situação envolvendo o nome de Ciro foi o possível envolvimento em um esquema de corrupção, no qual teria recebido dinheiro de caixa dois, enquanto ministro da Integração Nacional entre 2003 e 2006, para ajudar em sua campanha para deputado federal, nas eleições de 2006.

Em sua carreira, Ciro Gomes é bastante conhecido por seu temperamento forte e sinceridade pungente. Comportamento que traz consequências negativas para sua imagem pública e problemas com a justiça.

Um exemplo recente é sua condenação pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), em maio de 2017, na ação movida pelo presidente Michel Temer por danos morais. Ciro foi condenado por ter chamado o presidente de “ladrão fisiológico”, em palestra na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

Além disso, Ciro Gomes responde a mais 80 processos por danos morais, sendo 37 deles movidos pelo Senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). Além dele, Eduardo Cunha também está na lista de pessoas que movimentam processos contra o candidato à Presidência, por tê-lo chamado de “o maior bandido do país”.

Todas as ações são motivadas por críticas feitas pelo candidato à imprensa ou durante palestras. A lista de adversários do ex-ministro na Justiça ainda inclui outros casos como o do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), que entrou com processo contra Ciro após ter sido chamado de “farsante” e “engomadinho que vive com o beiço cheio de botox”.

Seu comportamento explosivo também rendeu outro episódio marcante mais recentemente. Em março de 2016, um grupo de manifestantes pró-impeachment de Dilma Rousseff se reuniu de madrugada na porta da residência de seu irmão Cid Gomes, em Fortaleza (CE).

Em vídeo que circulou na internet, Ciro surgiu bastante irritado na ocasião e xingou os participantes de fascistas, mandando-os para casa. Também falou para que eles leiam mais sobre a história do Brasil antes de defender a ditadura militar. Quando um dos manifestantes perguntou sobre a inocência de Lula, Ciro foi direto: “o Lula é uma merda”.

Em nota enviada através de assessoria, o pré-candidato nas eleições 2018 disse que agiu em defesa do irmão uma vez que ele “estava sendo agredido, insultado e ameaçado fisicamente”. A nota também reiterou que “o direito de se manifestar se limita ao que determina a democracia”.

Perspectivas

São muitas ações e polêmicas que envolvem um dos nomes cotados para a Presidência da República nas eleições 2018. Um dos grandes obstáculos que Ciro Gomes tem pela frente é justamente frear seu comportamento impulsivo.

Suas frases impensadas ou ditas sem ponderar consequências podem ser um problema durante sua campanha como candidato à presidência, afugentando eleitores que buscam concorrentes ao Planalto mais equilibrados.

Por outro lado, sua sinceridade “doa a quem doer” também tem chances de trazer desdobramentos positivos, uma vez que pode agradar eleitores que simpatizam com candidatos de opinião forte.

Cotado em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, Ciro Gomes teve que dar uma pausa breve em seus compromissos de campanha para passar por um procedimento cirúrgico de pequeno porte na próstata.