O mercado volta a sonhar

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O mercado volta a sonhar (Foto: Pexels) O mercado volta a sonhar

Depois de se recuperar bem das turbulências políticas na semana passada, o Ibovespa volta a subir forte em meio a sinais de aproximação entre Jair Bolsonaro e o Congresso. Mesmo com PIB negativo e turbulências internacionais, os investidores acreditam que dessa vez a reconciliação entre os poderes é pra valer. 

O que isso implica? De acordo com analistas da Toro Investimentos, o caminho estaria finalmente se pavimentando para a aprovação da reforma da Previdência. Essa é, mais uma vez, a grande aposta para tirar a economia do buraco. Enquanto isso, no cenário corporativo, uma possível fusão de BRF e Marfrig surge no radar e gera críticas de investidores. 

Política

As manifestações em apoio ao governo parecem ter surtido efeito. Logo no início da semana e amparado pelas ruas, Bolsonaro se reuniu com os presidentes dos demais poderes para propor um pacto em prol das reformas econômicas. 

O Executivo conseguiu outra vitória com a aprovação da reforma administrativa na terça-feira (28). O Senado aprovou as mudanças na composição dos ministérios e o governo Bolsonaro poderá continuar com sua estrutura atual. 

O COAF, por outro lado, saiu mesmo das mãos de Sérgio Moro. Apesar de não ser de interesse do governo, a articulação do presidente considerou melhor aceitar essa derrota menor do que correr o risco de deixar a reforma caducar.

A melhora aparente no clima entre os poderes animou o mercado. Espera-se agora uma aprovação mais tranquila da Previdência do que há algumas semanas. Esperamos que nada regrida.

Economia

Se o ambiente político parece ter deixado as turbulências para trás, o mesmo não se pode dizer da economia brasileira. A recuperação que já era lenta agora parece perigosamente ameaçada: a divulgação do PIB do primeiro trimestre mostrou retração de 0,20%. Isso significa que não só a economia não cresce, como agora regride.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) seguiu a tendência dos outros índices de confiança e fechou maio com nova queda. O indicador atingiu 97,2 pontos, 0,7 p.p. abaixo do registrado em abril. Valores abaixo de 100 pontos indicam pessimismo.

Para não dizer que tudo são mazelas, a taxa de desemprego teve leve queda de 12,7% para 12,5% (mas ainda atinge 13,1 milhões de pessoas). No mesmo sentido, o nível de utilização da capacidade instalada da indústria avançou para 75,3%, 0,8 p.p. acima do mês passado. 

Mesmo com esses pequenos avanços, a leitura majoritária ainda é de uma economia muito debilitada. Pressões para que o Banco Central abaixe a taxa de juros já aparecem aqui e ali. Surgem também notícias de que o governo está estudando liberar o acesso a algumas contas do FGTS para tentar dar algum impulso ao consumo. 

A inflação não tem demonstrado a mesma fraqueza que o PIB. Se a crise se acirrar ainda mais, investidores devem se afastar do país e pressionar o câmbio - especialmente em um cenário sem reforma da Previdência. O Banco Central sabe disso e está muito atento às incertezas na economia global. Os juros ainda devem ter dificuldades para recuar o suficiente para impactar o nível de atividade. 

Os saques no FGTS podem de fato ajudar, mas será que sobrou algum recurso livre após o governo Temer realizar o mesmo movimento em 2017? Até que a proposta seja melhor explicada, todas as esperanças são depositadas na reforma da Previdência.

Empresas

A Magazine Luiza (MGLU3) fez uma nova oferta pela Netshoes, no valor de US$93 milhões, após a Centauro (CNTO3) ofertar US$87 milhões pela Companhia. A briga pela Netshoes segue acirrada. São duas gigantes do varejo buscando se consolidar no segmento de material esportivo e e-commerce.

O ministro do STF Edson Fachin suspendeu na segunda feira (27) a venda de 90% da participação da Petrobras (PETR4) na TAG, sua subsidiária, no valor de US$8,6 bilhões. O negócio segue suspenso com a decisão do STF sobre a necessidade de aprovação do Congresso para a privatização de estatais.

O conselho de administração da Braskem (BRKM5) autorizou a assinatura do acordo de leniência com a Controladoria Geral da União e com a Advocacia Geral da União relativos a contravenções identificadas através da Operação Lava Jato. O valor do acordo é de R$410 milhões.

A Ecorodovias (ECOR3) concluiu a operação de compra da Concessionária de Rodovias de Minas Gerais, o valor da aquisição foi de R$655 milhões.

Ativos em destaque

Na semana passada, a união de duas empresas que criaria uma gigante no segmento de cosméticos, mas na noite desta quinta-feira (30) um novo “blend” ganhou destaque no radar do mercado quando BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3 ) anunciaram uma possível fusão que formaria a 4º maior empresa do segmento, com faturamento de aproximadamente R$80 bilhões ao ano. 

Se confirmada a negociação, os acionistas da BRF deverão ficar com 85% da nova empresa, enquanto os acionistas da Marfrig ficariam com 15%. Até então tudo certo, todos esperando um pregão de alta para BRF na sexta-feira (31). Mas para surpresa de muitos, enquanto Marfrig subia, BRF chegou a cair mais de 3% no dia. 

De toda forma, os investidores ficam de olho para os novos capítulos dessa novela. O que se sabe é que o casamento entre as duas Companhias pode resultar em ganhos de sinergias operacionais e financeiras e ampliar o cenário de diversificação de ambas. A BRF é líder na produção de carne de frango e suína no Brasil, enquanto a Marfrig fica em segundo lugar mundial no segmento de carne bovina, atrás apenas da concorrente JBS (que inclusive caiu pouco mais de 2% no pregão de sexta-feira).

Bolsas no mundo

Durante o feriado nos Estados Unidos e na Inglaterra na segunda-feira (27), Donald Trump discursava no Japão, afirmou que os Estados Unidos não estão prontos para um acordo comercial com a China no momento e reiterou que as taxas podem subir substancialmente com facilidade. 

A China por sua vez joga o jogo, à sua maneira e num tom mais pacífico e conciliador: lamenta as medidas ásperas dos EUA e diz que abrirá seu setor industrial a mais investidores estrangeiros, buscando apoio em internet, big data e inteligência artificial.

Na quarta-feira (29) as bolsas norte-americanas caíam para o menor nível em 12 semanas com receios sobre os desdobramentos da guerra comercial e novamente com o alerta de possível recessão vindo da inversão da curva de juros. Dessa vez, a inversão é mais profunda que a inversão ocorrida em 2007 e todo mundo se lembra o que ocorreu depois, certo?

Lembram também da semana passada, neste mesmo semanal, em que questionamos sobre um possível fim do bull market norte-americano? Pois é, o clima atual nas principais praças globais do mercado financeiro é de cautela e vamos acompanhar de perto cada movimento, a fim de sabermos se é mesmo o fim de um longo ciclo de alta.

Apesar disso, um alívio para os norte-americanos veio dos dados do PIB, que cresceu 3,1% (anualizado) no primeiro trimestre, com o consumo e as exportações se mostrando mais fortes. Ainda assim, os rendimentos dos títulos do tesouro norte-americano continuavam a cair. O perigo desse dado positivo é que dá mais força para que Donald Trump continue confiante em sua política de impor tarifas ao redor do mundo.

E falando em tarifas: a última cartada de Trump no final da semana, desta vez, foi taxar as exportações mexicanas em 5% até que os líderes do governo mexicano consigam impedir o fluxo de imigrantes de entrarem ilegalmente nos Estados Unidos. 

Essa medida derrubou a moeda mexicana na sexta-feira (31). Empresas europeias que possuem montadoras, fábricas e bancos com exposição mexicana começam a se preocupar com esse novo front da guerra comercial.

(Redação – Investimentos e Notícias)