Nova guerra atingiu os mercados

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Nova guerra atingiu os mercados (Foto: Pexels) Nova guerra atingiu os mercados

Numa semana de expectativas com a decisão da taxa de juros tanto aqui no Brasil quanto nos Estados Unidos, os riscos geopolíticos aumentaram com um ataque à uma das maiores refinarias de petróleo do mundo, fato que mexeu com as principais bolsas do mundo. Por aqui, começamos com a Petrobras puxando o índice na segunda-feira, após o petróleo subir cerca de 19% em apenas um dia, pressionando a política de preços da Estatal que cedeu e aumentou o diesel em cerca de 4,2% e a gasolina em 3,5%.

De acordo com analistas da Toro Investimentos, um novo fôlego para o Ibovespa se deu por conta dos cortes nas taxas de juros no Brasil e nos EUA e também em relação às conversas de 2º nível entre representantes chineses e americanos para preparação das negociações oficiais do próximo mês, o que gerou menor aversão ao risco por conta dos investidores.

Economia

Como já era esperado, o Banco Central reduziu a taxa Selic de 6,00% para 5,50%. A mudança vem na esteira dos dados ruins da economia brasileira, que não tem conseguido retomar um ritmo mais forte de crescimento após a crise de 2015-16, além da inflação sob controle.

Segundo analistas da Toro Investimentos, além dos impactos positivos sobre a economia, a redução dos juros torna a Bolsa de Valores mais atrativa, na medida em que investidores tendem a sair da renda fixa em busca de melhores oportunidades. Como o patamar de 5,50% já estava bem precificado, o impacto sobre o Ibovespa não foi muito grande, mas caso os cortes sigam além dos 5,00%, poderemos ver novo movimento altista da renda variável.

Empresas

A Magazine Luiza (MGLU3) inaugurou na segunda feira (16) 19 novas lojas no Pará. A Companhia planeja ter 50 lojas em funcionamento no estado até o fim de outubro como forma de ampliar a capilaridade no mercado brasileiro.

O Banrisul (BRSR6) informou que o Governo do Estado do Rio Grande de Sul cancelou a oferta pública de ações ao mercado. A desistência do Governo se deve à baixa demanda pelo papel, sinalizando que os potenciais investidores não estariam dispostos a pagar o valor pretendido pelo Governo, em torno de R$19,00 por ação.

Davi Alcolumbre, presidente do Senado, disse que o Governo não teria base para uma aprovação do processo de privatização da Eletrobras (ELET3). A declaração do senador desanimou o mercado, que estava otimista com as privatizações.

Ao longo do pregão de sexta-feira (20) as ações da Braskem (BRKM5) se movimentaram, motivadas pela notícia de que a Odebrecht estaria contratando a Lazard (Banco de Investimentos) para retomar o processo de venda de sua participação na petroquímica.

A valorização recorde do petróleo foi assunto não apenas nas Bolsas mundo afora mas também aqui no Brasil. Por conta disso a Petrobras (PETR4) chegou a atingir patamares que não eram alcançados desde julho deste ano e só na segunda-feira (16) as ações da Companhia já tinham subido mais de 4%.

Mundo

Após ataques de drones a uma das principais refinarias da maior produtora de petróleo do mundo - a saudita Aramco -, o mercado de petróleo sofreu um choque e gerou preocupações globais. Os danos causados impactaram cerca de 5,0% da produção global, e já na noite de domingo os futuros do petróleo brent chegaram a subir 19% no intradiário, levando os preços do barril de US$71,95. Contudo, ao longo da semana, os preços corrigiram para cerca de US$65,00.

Essa semana também foi importante para a política monetária no mundo, a começar pelos EUA, que reduziu sua taxa de juros em 0,25 p.p., para a faixa de 1,75% a 2,0%. O Brasil seguiu o ciclo de afrouxamento e cortou 0,50 p.p. mantendo a taxa de juros em 5,5%. Além do Brasil, nesta semana outros países como a Indonésia e Hong Kong também cortaram seus juros e outros a mantiveram, a exemplo do Japão, que sinalizou que pode diminuir as taxas em sua próxima reunião em outubro. Outros países que também mantiveram suas taxas na estabilidade foram a Inglaterra e Suíça. De fato, os BCs do mundo inteiro estão se alinhando à expectativa de desaceleração global e para reafirmar isso, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) reduziu sua previsão para o crescimento global em 2019 para 2,9%, menor crescimento em 10 anos.

Para essa semana, o investidor deverá voltar suas atenções à divulgação da ata do Copom na terça-feira (24). Apesar da decisão de corte de 0,50 p.p. ter sido anunciada na última quarta (18), a ata poderá trazer mais clareza sobre a política econômica do Banco Central em relação aos juros e sobre possíveis reduções no futuro. De fato, a pressão inflacionária continua sob controle e não aparenta incomodar o Copom, abrindo espaço para que a Selic feche 2019 abaixo do patamar de 5,0%.

(Redação – Investimentos e Notícias)