Notícias externas influenciam Ibovespa

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Notícias externas influenciam Ibovespa (Foto: Pexels) Notícias externas influenciam Ibovespa

Conforme as preocupações com a economia global vão aumentando, o mercado brasileiro começa a andar de acordo com as ondas de notícias externas. Dessa forma, Estados Unidos e China anunciaram (mais uma) conversa para resolver sua já longa disputa comercial. O anúncio impulsionou as bolsas lá fora e por aqui. 

De acordo com analistas da Toro Investimentos, os dados ruins da indústria e do mercado de trabalho americanos reforçaram as apostas em corte de juros nos Estados Unidos. Na Europa, a situação não é muito diferente e o Banco Central do continente pode anunciar cortes de juros já na semana que vem. Com juros baixos no horizonte, o dólar caiu frente ao real pela primeira vez em 7 semanas.

No cenário corporativo, os bancos recuperaram terreno com a possibilidade de liberação de bilhões de reais dos depósitos compulsórios, enquanto Petrobras segue a todo vapor com sua estratégia de venda de ativos.

A política em segundo plano

Conforme a pauta econômica do governo vai caminhando, a política brasileira vai ficando em segundo plano em termos de impactos sobre o andamento do mercado financeiro. A PEC da Previdência foi aprovada na CCJ do Senado, a reforma tributária segue em fase de desenho, enquanto os projetos de privatizações foram anunciados, porém pouco se sabe até o momento sobre datas e formatos dos leilões.

Por outro lado, as seguidas polêmicas nas quais o presidente Jair Bolsonaro tem se envolvido vão minando sua popularidade entre o eleitorado. A mais recente pesquisa do Datafolha mostrou que a aprovação de Bolsonaro caiu para 29%, enquanto sua reprovação alcançou 38%. 

O mais novo motivo de desgaste foi a indicação de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República (PGR), nome que desagradou tanto o Ministério Público, por não ter sido indicação da classe, quanto apoiadores do presidente, que consideram Aras um nome ligado à esquerda.

Por enquanto, o desgaste do chefe do Executivo não tem impactado diretamente no mercado, porém essa não é uma hipótese descartável. No caso dos incêndios na Amazônia, por exemplo, já apareceram propostas aqui e ali de boicote a produtos agropecuários brasileiros ou de sanções econômicas ao Brasil.

Economia

Na semana passada nos mostramos reticentes quanto à recuperação da economia, mesmo com os dados acima do esperado no PIB do segundo trimestre. Nesta semana, os dados econômicos voltaram a confirmar a tese de que a economia ainda não vai bem.

O primeiro indicador que balançou o mercado foi a produção industrial, que mostrou queda de 0,3% na comparação de julho com junho. A indústria tinha sido destaque no PIB do segundo trimestre, de forma que a recente queda acendeu um sinal de alerta no mercado.

O IPCA de agosto mostrou novamente uma inflação baixa, mesmo com as recentes altas do dólar, o que historicamente impactam diretamente nos preços dos produtos no Brasil. Isso indica, como já comentamos seguidas vezes aqui, que a demanda continua baixa. Se o desemprego continuar caindo, mesmo que lentamente, poderemos ver indícios de melhora. Por enquanto, seguimos só acompanhando.

Empresas

Alfredo Setubal, diretor-presidente da Itaúsa (ITSA4), comentou em encontro com analistas e investidores sobre a intenção da Companhia de expandir suas participações em empresas não financeiras. Além da aquisição da Liquigás, que está encaminhada, Setubal disse que a Itaúsa possui estudos avançados sobre outros 15 possíveis ativos, que podem virar alvos para compra.

A MRV (MRVE3) comprou 51% da AHS Residential, incorporadora americana controlada pela família Menin. O Presidente da MRV, Rafael Menin, afirmou que a Companhia continuará a crescer no Brasil, mesmo com a expansão para os Estados Unidos.

O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) deve vender suas ações da JBS (JBSS3) em Nova York. O Banco detém mais de 20% das ações da Companhia, e pode se desfazer dessa posição em um possível IPO nos Estados Unidos, que já é um plano antigo da Companhia.

A Petrobras (PETR4) iniciou na segunda feira (2) a fase vinculante para a venda de suas participações em 11 campos de produção em águas rasas no Polo Garoupa, dando continuidade à estratégia de otimização do portfólio e melhoria da alocação de capital da Empresa. Além disso, na sexta feira (6), foi dado início à fase vinculante referente à venda de suas participações em 27 concessões no Polo Cricaré, no Espírito Santo, e das 14 concessões no Polo Recôncavo, na Bahia.

(Redação – Investimentos e Notícias)