Investidores atentos as decisões de Donald Trump

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Donald Trump no radar dos investidores (Foto: Pexels) Donald Trump no radar dos investidores

Donald Trump anunciou tarifas pesadas sobre uma grande gama de exportações chinesas aos Estados Unidos. Poderia ser março de 2018, mas é agosto de 2019. Após meses de negociações, o novo episódio traz o presidente americano voltando a subir o tom e pressionando o país asiático.

De acordo com analistas da Toro Investimentos, o anúncio balançou os mercados mundiais, com impactos também na bolsa brasileira. Abaixada a poeira, o Ibovespa se recuperou bem e voltou a olhar para o cenário interno. A aprovação da reforma da Previdência em segundo turno na Câmara dos Deputados e a divulgação dos balanços contábeis de diversas empresas deram a tônica otimista do resto da semana.

A economia brasileira ainda dá sinais de fraqueza e não podemos descartar novos movimentos da série de atritos entre Estados Unidos e China ao longo da próxima semana. Por sorte, ainda temos mais uma semana de divulgação de balanços para nos amparar. É melhor aproveitar.

Previdência

Na volta do recesso parlamentar, a Câmara dos Deputados aprovou em segundo turno a reforma da Previdência. Todos os destaques apresentados foram rejeitados, o que significa que o texto segue para o Senado inalterado. Lá, duas questões podem ou não ser incorporadas no texto: a inclusão de estados e municípios e o regime de capitalização.

A primeira é uma demanda cara a governadores e prefeitos. Estes gostariam que a reforma fosse estendida aos seus respectivos entes federativos sem que tivessem que propor individualmente novas propostas nas câmaras estaduais e municipais. Vale lembrar que são justamente os estados que hoje mais sofrem com um orçamento travado por salários e aposentadorias.

Já o regime de capitalização é um xodó do ministro da Economia Paulo Guedes. O modelo instituiria uma conta única de Previdência para cada trabalhador, no qual cada contribuinte contribuiria para a sua própria aposentadoria. Em tese, isso tiraria do Estado o custo de déficts na Previdência. A polêmica em torno na proposta, por outro lado, recai sobre a falta de informações: não se sabe como seria a transição do regime atual para o de capitalização e nem se o Estado se responsabilizaria por impedir que as aposentadorias ficassem excessivamente baixas no novo modelo.

Os principais atores envolvidos no tema divergem se deveriam tentar incluir ambos os pontos durante a tramitação no Senado ou se deveriam propor uma nova proposta paralela para tratar dessas questões. A inclusão no texto atual aceleraria o processo e aumentaria as chances de aprovação. Por outro lado, aqueles que defendem uma proposta paralela temem que essas questões mais polêmicas possam minar o apoio à reforma como um todo, mesmo porque, com as inclusões, a PEC teria que passar por duas novas votações na Câmara.

Economia

Os dados divulgados reforçaram mais uma vez a fraqueza da economia brasileira, especialmente no que tange a inflação. IPCA e IGP-DI vieram abaixo das projeções do mercado e a inflação oficial vai ficando cada vez mais longe (e abaixo) da meta estipulada pelo Banco Central para 2019. Os dados do varejo também decepcionaram.

Os analistas brasileiros vão aumentando suas apostas na queda dos juros. O boletim FOCUS desta semana já trouxe o consenso da taxa Selic ao fim de 2019 em 5,25% (contra 5,50% da semana anterior). Os analistas da Toro acreditam que os juros podem chegar até mesmo a 5,00% neste ano. 

O estímulo do Banco Central é bem vindo, especialmente em um contexto global em que os juros devem operar num patamar estruturalmente mais baixo por algum tempo. Mesmo assim, precisamos de algum estímulo interno ao crescimento. Os saques no FGTS ajudam, mesmo que pouco. A continuidade das reformas amplia a confiança do empresariado e pode destravar o investimento em algum momento. Seguimos aguardando algum sinal dos dados econômicos que mostre que a maré está virando.

Empresas

A Eletrobras (ELET3) amortizou R$1,3 bilhão do saldo devedor de instrumentos de dívida firmados com a Petrobras (PETR4). Com isso, a Companhia busca alongar o prazo e reduzir o custo da dívida.

A Petrobras (PETR4) definiu uma nova política de preço para o botijão de gás, que é um produto com forte apelo social e tem impacto perceptível para as famílias. A partir de agora, os consumidores pagarão valores alinhados ao mercado externo, como já acontece com o gás (GLP) destinado à indústria e ao comércio. Isso significa uma redução média de 13,4% no GLP industrial e de 8,2% no botijão de gás.

O Grupo Anima (ANIM3) assinou na terça-feira (06) contrato para compra da rede de ensino Ages, localizada nos estados da Bahia e Sergipe, ganhando participação no nordeste. Será pago o montante de R$150 milhões por 100% das cotas e R$50 milhões vinculados ao desempenho após a aquisição.

A Ambev (ABEV3) teve a euforia com os bons resultados do 2T19 ofuscados com notícias sobre envolvimento com investigações de corrupção na operação Lava Jato. Em delação, o ex-ministro Antônio Palocci implicou a Empresa em esquema de “pagamentos indevidos” à ele próprio e aos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. O interesse da empresa seria impedir o aumento de impostos sobre bebidas alcoólicas.

José Seripieri Filho, conhecido por Júnior, vendeu parte de sua participação na Qualicorp (QUAL3 ) à Rede D’or, segundo comunicado pela Empresa. Na quinta-feira (08) foi anunciado a compra de 10% da Qualicorp pela Rede D’or, fatia equivalente à metade da posição de Júnior na Empresa. O fundador da empresa, envolvido no episódio do pagamento de R$150 milhões por um acordo de não competição (que levantou questionamentos sobre a governança corporativa da Empresa) vai deixar o cargo de CEO da Companhia após a conclusão da transação (que ainda depende de aprovação do CADE).

Balanços

Ao longo desta semana tivemos a continuidade da temporada de resultados do 2T19, com a divulgação de importantes balanços, como por exemplo:

IRB Brasil (IRBR3) registrou lucro líquido de R$388,4 milhões, alta de 35% em relação ao 2T18.
Unidas (LCAM3) teve um lucro recorrente de R$83,9 milhões no 2T19, valor 59,6% superior ao apresentado no mesmo período do ano anterior.

Azul (AZUL4) reverteu prejuízo e registrou um lucro líquido de R$345,5 milhões no 2T19, impulsionado pelo avanço de 31% na receita.
Raia Drogasil (RADL3) apresentou lucro líquido ajustado de R$149,4 milhões, crescimento de 16,1% frente ao mesmo período do ano passado.

Banco do Brasil (BBAS3) anunciou um lucro líquido ajustado 36,8% superior ao valor apresentado no ano passado, ficando em R$4,4 bilhões.

Grupo NotreDame Intermédica (GNDI3) reportou lucro líquido ajustado de R$130,7 milhões no 2T19, valor 24% superior ao 2T18.
Tegma (TGMA3) apresentou no 2T19 lucro líquido de R$32,5 milhões, 15,4% superior ao 2T18.

B3 (B3SA3) anunciou lucro líquido de R$654,6 milhões no 2T19, valor 9,7% inferior ao 2T18.

BRF (BRFS3) reverteu prejuízo e apresentou lucro líquido de R$191 milhões no 2T19.

Lojas Americanas (LAME4) reportou lucro líquido de R$112,7 milhões, contra os R$5,1 milhões apresentados no 2T18.

Os investidores devem ficar atentos a esta semana, que marcará o fim dessa maratona de divulgações. Empresas importantes como Banco Inter (BIDI4), Magazine Luiza (MGLU3), Eletrobras ( ELET3) e Embraer ( EMBR3) informarão seus resultados entre os dias 12 e 14 de agosto. Se os balanços vierem fora das expectativas do mercado, poderemos observar oscilações mais abruptas nos preços de tais ações, o que pode influenciar no próprio Índice Bovespa.

(Redação – Investimentos e Notícias)