Ibovespa fecha a semana no negativo

  •  
Ibovespa fecha a semana no negativo (Foto: Pexels) Ibovespa fecha a semana no negativo

Pela terceira semana consecutiva, o Ibovespa fecha negativo e dessa vez com queda bastante expressiva (-4,52%). Bolsonaro havia previsto um tsunami nesta semana caso o Congresso barrasse a Medida Provisória (MP) que criou a atual estrutura ministerial do governo. O tema não foi a plenário, mas os desgastes em torno dos cortes na Educação e a investigação sobre Flávio Bolsonaro ampliaram o já desgastado governo. 

De acordo com analistas da Toro Investimentos, as demais notícias também não colaboraram: os dados econômicos decepcionaram mais uma vez, Estados Unidos e China continuam com sua interminável valsa comercial e houve até preocupações com um possível novo rompimento de barragem da Vale em Minas Gerais.

Política

As atenções da administração Bolsonaro estavam voltadas para a possível não aprovação da MP da reforma administrativa no plenário da Câmara dos Deputados. É essa Medida que reformulou a estrutura dos ministérios para o atual formato. Sem ela, Bolsonaro “herda” a estrutura de Michel Temer e “ganha” 7 novos ministérios.

Nesta semana o projeto não teve andamento, jogando a apreensão para a próxima semana. Contudo, isso não quer dizer que tivemos dias tranquilos. A principal pressão sobre o governo foi ligada aos contingenciamentos no Ministério da Educação. Protestos de estudantes ocorreram em diversas capitais e o Ministro Abraham Weintraub foi convocado a depor no Congresso, ampliando o desgaste do governo.

Se não bastasse, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, e do ex-policial Fabrício Queiroz, próximo a ambos. Sobre Flávio e Queiroz recaem suspeitas de desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro através de imóveis. 

Pela proximidade dos envolvidos com Jair Bolsonaro, o caso acaba sempre afetando a imagem do presidente. Isso para não falar da possibilidade de que suspeitas eventualmente recaiam sobre o próprio Bolsonaro-pai.

Economia

O Banco Central divulgou seu IBC-Br, indicador mensal considerado uma prévia do PIB. No trimestre encerrado em março, o índice apresentou recuo de 0,68% em comparação com o último trimestre de 2018. Por conta disso, espera-se um PIB negativo neste primeiro trimestre, resultado que será divulgado dia 30/05.

Nessa linha, o relatório Focus desta semana também traz redução na expectativa do mercado para o PIB do ano. Após 11 semanas seguidas de revisão para baixo (e contando), atualmente a projeção de um crescimento de 1,45% ao final de 2019.

Na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), a autoridade monetária também ressalta que o crescimento econômico se mostra mais fraco do que se imaginava no começo do ano. Mesmo assim, o Copom não deve abaixar os juros por enquanto, tendo em vista o cenário externo incerto e os possíveis impactos inflacionários caso as reformas fiscais não avancem a contento.

Empresas

A Petrobras (PETR4) iniciou a fase não vinculante de venda da Liquigás. A Liquigás chegou a ser vendida para o Grupo Ultra, mas no início de 2018, o Cade reprovou a operação, pois o Grupo Ultra deteria quase 50% de todo o mercado de vendas de GLP no País. A Petrobras anunciou também que começou a etapa de divulgação de oportunidade de venda integral de sua participação (93,7%) na Breitener Energética.

A BR Distribuidora (BRDT3), controlada da Petrobras, também comunicou que iniciou a fase vinculante do processo de venda de toda a sua participação (49%) na CDGN Logística.

Balanços

A Eletrobras (ELET6) registrou lucro líquido de R$1,4 bilhão no 1T19, o triplo do registrado no mesmo período do ano passado.

A JBS (JBSS3) reportou lucro líquido de R$1,09 bilhões no primeiro trimestre de 2019.

A Embraer (EMBR3) divulgou crescimento de 23% no prejuízo líquido e crescimento de 152% da dívida líquida do 4T18 para o 1T19. 

A Cemig (CMIG4) anunciou lucro líquido de R$797,2 milhões no 1T19, crescimento de 71,6% em relação ao 1T18.

Ativos 

Nessa semana a Vale (VALE3) voltou a preocupar os investidores posicionados no papel, chegando a cair mais de 5%. Na segunda-feira (13), a Mineradora comunicou ao mercado que levará de dois a três anos para alcançar a meta de produção que havia estabelecido para este ano. 

Essa possível redução na oferta acabou desequilibrando o mercado e o minério de ferro do porto de Qingdao ultrapassou a marca dos US$100, maior cotação da commodity desde 2014. 

Outra notícia que ligou o alerta não apenas dos investidores, mas dos moradores de Barão de Cocais (MG) foi a possível ruptura de uma mina da cidade entre os dias 19 a 25 de maio. Com isso, as ações da Vale caíram mais de 3% na semana.

(Redação – Investimentos e Notícias)