Ibovespa acumula queda de 2,83% na semana

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Ibovespa acumula queda de 2,83% na semana (Foto: Pexels) Ibovespa acumula queda de 2,83% na semana

Quando parecia que o otimismo havia tomado de vez conta do mercado e que voltaríamos ao icônico patamar de 100 mil pontos, a cautela voltou a dar as caras. Por todo o mês de junho, o Ibovespa se aproximou dos 97 mil pontos e sempre perdeu fôlego.

Para além dos casos de coronavírus no Brasil, que seguem em patamar muito elevado, os bons sinais que vinham do exterior também começam a fraquejar. De acordo com analistas da Toro Investimentos, o aumento de casos em alguns países da Europa, mas, principalmente, nos Estados Unidos, indicam que a pandemia ainda está longe de ser controlada. Mais: alguns recuos de volta à quarentena já pipocam aqui e ali. Por enquanto, são isolados, mas nada impede que se espalhem.

A nuvem de preocupação abafou até a aprovação do Marco Legal do Saneamento, que tem potencial de destravar bilhões em investimentos nos próximos anos. Como sempre, isso não quer dizer que não haja empresas se destacando. 

Empresas 

Na semana tivemos um respiro de IRB, em meio a sua já prolongada turbulência, e uma nova aquisição de WEG, que, discretamente, vai buscando se consolidar no setor de alta tecnologia.

Entre as empresas do setor de saneamento listadas na Bolsa estão SABESP (SBSP3), COPASA (CSMG3) e SANEPAR (SAPR11). As duas primeiras mencionadas têm a sua privatização no horizonte dos governadores dos estados de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente. Contudo, neste momento, nossos Analistas recomendam o investimento em SAPR11 para longo prazo, por apresentar melhor performance nos seus resultados se comparada aos pares.

Todavia, muita água ainda passará: estima-se que são necessários cerca de R$700 bilhões em investimentos e, portanto, oportunidades não faltarão para que as companhias do setor de saneamento cresçam em participação de mercado, eficiência, geração de resultados e retornos aos acionistas.

A Weg (WEGE3) anunciou a aquisição da Mvisia, startup de soluções de inteligência artificial e visão computacional. Trata-se da 3ª empresa comprada, após ter comunicado, em julho de 2019, sobre a sua nova estrutura de negócios digitais. Neste sentido, a Mvisia poderá gerar mais valor para a Weg Digital Solutions e para a WEGnology (plataforma de internet das coisas), que atendem à indústria 4.0, segmento estratégico para o futuro da Companhia.

A Weg possui agora 51% do capital social da Mvisia, com a possibilidade de aumentar a sua participação mais adiante. A startup detém softwares e sistemas de visão próprios, com know-how em aplicações de processamento embarcado e algoritmos de machine learning para vídeos e imagens, além de integração aos sistemas MES (sistemas de execução de fabricação) aplicados no monitoramento de processos industriais.

O montante do investimento não foi revelado, mas a Weg informou que “não representa investimento relevante para a adquirente”.
A Engie Brasil (EGIE3) reportou resultados mistos referentes ao 1T20. De um lado, houve evolução, ante ao 1T19, da receita líquida (+10,9%) e do EBITDA (+9,8%), além de crescimento de 3,5% no volume de energia vendida (em megawatts) e de 2,2% no preço líquido médio de venda.

Por outro lado, a Empresa apresentou queda de 9,5% no lucro líquido, tendo registrado R$512 milhões no 1T20 contra R$656,5 milhões no 1T19. Enquanto houve queda no ROE, de -1,3 ponto percentual (p.p.), e no ROIC, de -1,7 p.p. A redução de 31,6% na produção de energia elétrica também foi um destaque negativo.

Entretanto, a Engie concluiu o 1T20 com R$4,2 bilhões em caixa, o equivalente a cerca de 40% da receita líquida do ano de 2019 e tem feito ações com o objetivo de preservar a liquidez. Para enfrentar o contexto da pandemia, a Empresa fez a retenção dos dividendos complementares ao exercício de 2019, com a revisão do payout para 56,8% (acima do mínimo de 55% previsto na política). Além disso, realizou a captação de novos recursos, fez a rolagem de dívidas de curto prazo, adotou o stand-still do BNDES para certas subsidiárias e renegociou contratos com clientes.

O Corpo Executivo informou que, apesar do cenário desafiador na economia devido à pandemia de COVID-19, a Companhia está dando continuidade à aceleração do seu crescimento, tendo aumentado a participação no segmento de transmissão. Isso ocorreu através da aquisição da Sterlite Novo Estado Energia, que visa a construção de cerca de 1.800 km de linhas no Pará e Tocantins, além de uma subestação e da ampliação de mais três, somando investimento de R$3 bilhões.

Se a vida imita a arte, o mercado imita a vida, refletindo todo e qualquer evento nos seus preços. E por mais poético que isso pareça, esse reflexo entre vida real e mercado financeiro acontece sem dó nem piedade, a exemplo, IRB Brasil (IRBR3). O ativo que já foi um dos queridinhos dos players, já foi consenso de compra no mercado, já operou na casa dos R$100,00 e já foi motivo de briga nas redes sociais, nos últimos tempos acabou saindo dos holofotes, sofreu forte desvalorização depois de ter sua transparência de dados colocada em xeque e nunca mais viveu seus dias de glória.

Porém, essa semana IRB conseguiu aparecer na telinha do horário nobre, dando um salto de 14,2% e sendo a maior alta do Ibovespa. O que motivou o otimismo do mercado em relação a resseguradora foi a aprovação de algumas medidas para melhorar a estrutura de governança corporativa da empresa, feitas por seu Conselho de Administração. Em suma, foram aprovadas três medidas de reestruturação: 

O conselho pode deliberar sobre aumento de capital, dentro de um limite permitido.

Flexibilidade na composição da diretoria executiva. 

Foi criada uma reserva de lucros estatutários formada por até 100% do lucro líquido. 

A IRB Brasil vem tentando fazer essa reestruturação desde março e veio em boa hora. Tendo maior flexibilidade, a Companhia amplia a rapidez de suas decisões, podendo tirar melhor proveito das oportunidades de mudança no mercado. Mas tudo precisa ser feito com parcimônia, afinal, IRB não está mais nos holofotes, pelo menos não de forma positiva, e como ela perdeu o posto de queridinha, qualquer atuação “mais ou menos” vai pesar muito mais pra menos do que pra mais.

Coincidência ou não, na semana passada IRBR3 teve a pior performance do Ibovespa enquanto Cielo (CIEL3) fechou em grande estilo no topo do ranking. Invertendo os papéis, a operadora brasileira de pagamento fecha a semana com a maior queda do Ibov. A busca pelo pote de ouro, que poderia estar no final de um arco-íris ou de uma conversa, foi temporariamente interrompida pelo CADE e pelo Banco Central. Sendo assim, a parceria entre Cielo e Fabebook ficou pra depois (se é que vai acontecer). 

Internacional

O FMI (Fundo Monetário Internacional) chegou a rebaixar a expectativa de crescimento da economia mundial estimando uma queda de 4,9% no PIB, ante os -3% apresentados anteriormente, o que reforça o discurso de uma recessão mais aguda.

(Redação – Investimentos e Notícias)