Em meio a tensões, Ibovespa disparou na semana passada

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Em meio a tensões, Ibovespa disparou na semana passada (Foto: Pexels) Em meio a tensões, Ibovespa disparou na semana passada

Após as turbulências causadas pela saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde, tudo indicava que essa seria também uma semana difícil. Não foi. As polêmicas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro não foram para frente, assim como não repercutiu negativamente a divulgação do vídeo da reunião ministerial que corroboraria as acusações de Moro a Bolsonaro.

De acordo com analistas da Toro Investimentos, sem novas bombas, o Ibovespa acumulou alta de quase 6%. Grande ajuda veio de dados promissores sobre uma possível vacina para o COVID-19, ainda que muito preliminares.

Do lado corporativo, a temporada de balanços segue a todo vapor. Soma-se a isso, os prejuízos bilionários da Suzano com a alta do dólar e os ganhos também bilionários das varejistas com uma vitória na justiça.

Por enquanto, tudo bem

A semana tinha tudo para ser marcada por novas turbulências políticas. O fim de semana passado trouxe novas denúncias envolvendo a Polícia Federal e a família Bolsonaro, enquanto a expectativa era alta para a divulgação do vídeo da reunião ministerial na qual, segundo o ex-Ministro Sérgio Moro, suas acusações seriam confirmadas. 

De um lado, as denúncias de que o Senador Flávio Bolsonaro teria tido acesso antecipado a investigações não tiveram novos desdobramentos. De outro, a divulgação do tão aguardado vídeo da reunião ministerial não parece ter trazido elementos novos. O índice futuro, inclusive, se comportou positivamente ao longo da divulgação do vídeo.

Contudo, é importante lembrar que a divulgação se deu após o fechamento do mercado à vista e não havia sido terminada quando o mercado de futuros se encerrou. Esse deve ser o tema político central durante o fim de semana e não dá pra descartar novas repercussões na abertura da Bolsa de segunda-feira.

Empresas

Decisões favoráveis na justiça, que favorecem varejistas como Lojas Renner (LREN3), Hering (HGTX3) e Via Varejo (VVAR3) , foram anunciadas ao longo da semana. As 3 varejistas, em conjunto, conseguiram um crédito fiscal de quase R$2 bilhões.

Esse crédito fiscal se deve à vitória das companhias na justiça referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Com a decisão da justiça, as cobranças passadas são consideradas indevidas e poderão ser utilizadas como crédito fiscal.

Apesar dos recursos não irem diretamente para o caixa, as Empresas poderão abater esses valores no pagamento futuro de impostos. A Lojas Renner saiu na frente, com recebimento de R$1,3 bilhão, na sequência, a Via Varejo, com cerca de R$370 milhões, e a Hering, com aproximadamente R$280 milhões.

Balanços

A Lojas Renner (LREN3), referência de qualidade dentre as empresas de varejo no Brasil, apresentou resultados sinalizando fortes impactos pelo COVID-19. O lucro líquido da Empresa caiu cerca de 90%, com o e-commerce, que ainda é pequeno, não sendo suficiente para suprir as perdas com as lojas físicas fechadas.

A Usiminas (USIM5) foi outra empresa a apresentar prejuízo no primeiro trimestre de 2020. O lucro de R$76 milhões auferido no mesmo período do ano passado foi revertido para um prejuízo de R$424 milhões em 2020, demonstrando impactos do enfraquecimento na atividade econômica também em função do COVID-19.

(Redação – Investimentos e Notícias)