Destaques da Semana: Turbulência política abala Bolsa, mas Ibovespa fecha em alta na semana.

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Destaques da Semana: Turbulência política abala Bolsa, mas Ibovespa fecha em alta na semana. (Foto: Pexels) Destaques da Semana: Turbulência política abala Bolsa, mas Ibovespa fecha em alta na semana.

As brigas entre o Congresso e o Poder Executivo assombraram o mercado ao longo da semana passada. Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e Jair Bolsonaro trocaram farpas por conta da articulação em torno da reforma da Previdência e levaram pessimismo à Bolsa.

De acordo com analistas da Toro Investimentos, o Ibovespa chegou a negociar abaixo de 92 mil pontos, mas se recuperou bem no final da semana frente ao tom mais ameno entre os políticos. Também auxiliou na retomada a definição do relator da reforma na CCJ e o maior otimismo nas Bolsas internacionais.

Política

Rodrigo Maia, presidente da Câmara, já havia indicado que sairia da articulação pela reforma da Previdência por conta de atritos com o entorno político do presidente Jair Bolsonaro, o que incluía principalmente seu filho Carlos.

Na semana passada, os ânimos seguiram quentes. Maia articulou a votação de uma emenda à Constituição que diminui a margem de manobra do Governo no orçamento. A medida foi aprovada rapidamente e com o apoio de 400 deputados. A sinalização foi de que o Congresso é capaz de aprovar sem dificuldades uma reforma na Constituição (pelo menos quando é de seu interesse).

O Governo não deixou barato. Paulo Guedes, ministro da Economia, discursou na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, disse que a “bola” está com o Congresso e que não tem apego ao cargo. A estratégia visa jogar para o parlamento o ônus político dos atrasos na tramitação da reforma.

Após novas trocas de farpas entre Maia e Bolsonaro, os dois lados tentaram esfriar a situação. Guedes, que agora é o articulador da Previdência, se encontrou com o presidente da Câmara para mostrar aproximação entre Planalto e Congresso. Enquanto isso, na CCJ, Marcelo Freitas (PSL) foi escolhido relator da proposta, o que deve destravar a apreciação do tema.

Economia

A taxa oficial de desemprego foi divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (29). O indicador subiu de 12%, no trimestre encerrado em janeiro, para 12,4%, no trimestre encerrado em fevereiro. Isso indica que aproximadamente 13,1 milhões de brasileiros ainda procuram emprego sem sucesso, maior patamar desde agosto do ano passado.

Apesar dos números ruins, os dados do CAGED trouxeram algum alento. Este indicador cobre apenas os empregos com carteira assinada, ou seja, não leva em conta os trabalhadores informais ou por conta própria. 

O resultado de fevereiro foi uma criação líquida de 173 mil empregos, o que significa que, descontando as demissões, 173 mil novos empregos foram gerados no país. A melhora foi puxada pelo setor de serviços, o qual criou 112 mil empregos e continua a ser o setor que mais emprega no Brasil.

Confiança do consumidor recua fortemente em março.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a confiança do consumidor cedeu 5,1 pontos em março na comparação com fevereiro, indo de 96,1 para 91,0 pontos. Este é o menor patamar desde outubro de 2018, quando a esperança com o novo governo trouxe otimismo às famílias.

Resultados abaixo de 100 pontos indicam pessimismo quanto ao futuro, enquanto resultados acima desse patamar mostram otimismo. Nesse sentido, o dado atual mostra um desapontamento dos consumidores com o ritmo de recuperação da economia, cujo principal destaque negativo é o alto desemprego.

Empresas

Na terça feira (26), a justiça determinou bloqueio de R$2,95 bilhões da Vale (VALE3) para cobrir eventuais ressarcimentos das famílias afetadas com a barragem Sul Superior, em Barão de Cocais.

A PetroRio (PRIO3) avalia perfurar um poço no campo de Frade, na camada do pré-sal. Tal fato marcaria o início da exploração do pré-sal pela companhia, que atualmente só produz no pós-sal.

O Ministério Público informou na terça-feira (26) que a CSN (CSNA3) se recusou a acatar recomendações da promotoria sobre a segurança de moradores da cidade de Congonhas (MG), que está localizada abaixo de uma barragem de rejeitos da companhia.

A Avianca decidiu reduzir as ofertas de voos de 53 para 52 rotas, encerrando as operações em grandes aeroportos, o que pode abrir espaço para as companhia aéreas Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4).

Na quinta-feira (28), a Rumo (RAIL3) arrematou a concessão da Ferrovia Norte-Sul por R$2,7 bilhões, ágio de 100,92% em relação ao lance mínimo. A companhia enxerga valor estratégico no ativo que pode atender ao escoamento de grãos em Goiás e ao transporte de petróleo e derivados de São Paulo até o norte do país.

Balanços

A Oi (OIBR3) divulgou prejuízo de R$3,3 bilhões no 4T18, mostrando redução de 2,53 milhões de clientes no ano de 2018, 4% de recuo na comparação com 2017.

A Vale (VALE3) registrou lucro líquido de R$14,5 bilhões no 4T18, 472% maior que no 4T17. A empresa já provisionou cerca de R$2 bilhões em função das antecipações das indenizações às famílias das vítimas de Brumadinho.

A Eletrobras (ELET3) divulgou lucro de R$12,1 bilhões no quarto trimestre de 2018, revertendo prejuízo de 4 bilhões do mesmo período do ano anterior. A empresa também anunciou pagamento de R$1,3 bilhão em dividendos.

A JBS (JBSS3) registrou lucro líquido de R$563,2 milhões no 4T18, avanço de 24,7% na comparação anual.

Ativos

Após perder uma importante região de suporte, o principal índice acionário brasileiro encerra a semana em território positivo e, mais uma vez, o ritmo do mercado foi conduzido pelas articulações acerca da reforma da Previdência. 

Na quarta-feira (27), observamos um significativo aumento no ímpeto vendedor na Bolsa brasileira e a saída de Rodrigo Maia como principal articulador da Reforma favoreceu esse movimento. No entanto, o bom humor do mercado voltou a predominar com a confirmação do ministro da Economia, Paulo Guedes, como player central dessas tratativas e com a definição de Marcelo Freitas (PSL) como relator na CCJ.

Dessa forma, o Ibovespa encerra o mês próximo à estabilidade. A votação da CCJ pode ser o principal driver para a próxima semana.
Revertendo prejuízo do quarto trimestre do ano passado, as ações da JBS (JBSS3) subiram mais de 12% na semana, confirmando reversão iniciada já na segunda-feira (25). 

O Ebitda ajustado da companhia superou as expectativas negativas do mercado e, no pregão de sexta-feira (29), o ativo conseguiu romper uma importante resistência na região dos R$15,50, registrando alta de mais de 4% no dia. 
Assim, as ações da empresa encerram a semana em tendência de alta e o cenário otimista do mercado pode corroborar a continuidade desse viés.

Mundo

A semana iniciou em um clima de cautela nas principais praças no exterior, após os yields dos Tresuries norte-americanos de 10 anos caírem para abaixo de 2,4%. Esse movimento levou a uma inversão da curva de juros, com as taxas de curto prazo acima das de longo prazo. 

O cenário sinaliza uma possibilidade de crise global à frente. Com isso, as Bolsas no exterior encerraram o início da semana com viés baixista. No dia seguinte, o mercado amenizou o “pânico” criado, apresentando movimento de correção.

Os rumores de um desaquecimento econômico global persistiram na quarta-feira (27), quando o Banco Central da Alemanha emitiu bonds de 10 anos com juro negativo. O fato ocorreu após o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, dizer que ainda é necessária uma política acomodatícia na Zona do Euro. 

Esse fator induz os Bancos Centrais ao redor do mundo a adotarem uma política mais branda em suas decisões de taxa de juros. No final da semana, as Bolsas ignoraram os temores com resultados trimestrais fortes das companhias americanas e mostraram otimismo com as negociações entre EUA e China.

No início da semana, a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, disse que não havia apoio suficiente no Parlamento para a votação de seu plano para o Brexit (que inclui um acordo com a UE). Na votação que ocorreu na sexta-feira (29), o Parlamento britânico confirmou a expectativa e rejeitou o acordo proposto pela Primeira Ministra. 

Mesmo assim, o mercado deu pouca importância para decisão que força uma saída sem acordo do Reino Unido com a UE e segue otimista impulsionado tanto pelos bons resultados das companhias no trimestre quanto pelas negociações entre EUA e China. As Bolsas europeias encerraram o pregão majoritariamente em alta.

A onda de otimismo vinha desde a quinta-feira (28), quando o conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, comentou que o governo está preparado para manter negociações com os chineses por quanto tempo for necessário. 

As taxas de juros dos Treasuries voltaram a subir após atingir a mínima de 15 meses atrás. Com isso, as principais praças internacionais encerraram a semana com saldo positivo, exceto na Ásia, onde o Xangai, da China, e o Nikkei, do Japão, encerraram a semana com saldo negativo. O resultado foi puxado pela forte queda que tiveram na segunda-feira (25), porém encerraram a sexta-feira (29) em alta seguindo o otimismo global.

(Redação – Investimentos e Notícias)