DESTAQUES DA SEMANA: Incertezas com Previdência derrubam Bolsa e mau humor externo amplia queda

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DESTAQUES DA SEMANA: Incertezas com Previdência derrubam Bolsa e mau humor externo amplia queda Foto: Divulgação DESTAQUES DA SEMANA: Incertezas com Previdência derrubam Bolsa e mau humor externo amplia queda

Após sucessivas semanas batendo suas máximas históricas, o Ibovespa cai mais de 4% nesta semana. As sinalizações de Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara, e do próprio governo, de que o envio da reforma da Previdência não deve acontecer tão cedo gerou cautela nos investidores.

As incertezas sobre o crescimento mundial e sobre as relações comerciais entre China e Estados Unidos contaminaram os mercados internacionais e acabaram ampliando as quedas na bolsa brasileira.

POLÍTICA
DEM vence a presidência das duas casas do Congresso

O fim de semana foi marcado pelas aguardadas eleições dos presidentes do Congresso. Na Câmara, Rodrigo Maia (DEM) confirmou o favoritismo e foi reeleito através de uma ampla base de apoio, que contou até com partidos de esquerda.

Já no Senado, a disputa foi mais acirrada. O debate em torno da abertura dos votos levou ao adiamento da votação para o sábado. Após novos atritos, Davi Alcolumbre (DEM) derrotou o favorito Renan Calheiros (MDB).

Reforma da Previdência pode ter aprovação adiada

O ministro da Economia, Paulo Guedes, havia sinalizado inicialmente que a reforma da Previdência deveria ser enviada ao Congresso até o final de fevereiro. A sinalização ampliou o otimismo do mercado, pois a reforma poderá gerar uma economia de cerca de R$1 trilhão em dez anos.

Contudo, posteriormente, o núcleo duro da gestão de Jair Bolsonaro avaliou mudar o cronograma da reforma. Agora, o governo pretende encaminhar uma “nova PEC” (Proposta de Emenda à Constituição) cujo rito de aprovação será bem mais alongado.

A mudança vem em um contexto em que Rodrigo Maia, presidente reeleito da Câmara dos Deputados, sinalizou que o governo ainda não teria a maioria necessária na Casa para aprovar a reforma nas próximas semanas.

ECONOMIA
IPCA varia 0,32% em janeiro

Na sexta-feira (08), o IBGE divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro. O índice ficou em 0,32%, acima dos 0,15% de dezembro e acima dos 0,29% de janeiro de 2018.

Das 10 categorias pesquisadas de produtos e serviços, apenas vestuário apresentou deflação (-1,15%). A maior variação positiva ficou por conta do grupo alimentação e bebidas (0,90%), que apresentou o maior impacto no índice do mês (0,22%).

Copom mantém a Selic no menor patamar histórico

Pela 7ª vez seguida, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic no menor patamar histórico, 6,50% ao ano. Na decisão, o colegiado apontou a redução dos riscos externos por conta da postura mais flexível do FED em relação a elevação das taxas de juros.

Além disso, o comitê reiterou que a conjuntura econômica necessita de uma política monetária estimulativa, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

CENÁRIO CORPORATIVO
E-mails indicam que Vale tinha ciência de problemas em Brumadinho

Uma troca de e-mails entre funcionários da Vale (VALE3) indica que, dois dias antes do rompimento da barragem, a companhia havia identificado problemas nos sensores que monitoravam a estrutura. Os e-mails foram identificados pela Polícia Federal.
Vale suspende as operações na mina de Brucutu.

Ainda sobre a mineradora, a Vale informou que perdeu a autorização para operar a mina de Brucutu (MG), em decorrência de uma ação movida pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais. A interrupção nas operações em Brucutu traria uma redução de 30 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

A companhia também informou que foi determinada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável a interrupção das atividades na mina da Jangada (MG).

Ibovespa bate recorde e tem dias de correção forte

O Ibovespa começou a semana batendo a máxima histórica após votações no Congresso e manutenção da taxa Selic.

Nos dias seguintes, no entanto, fez movimento corretivo mais expressivo. Isso se deu por conta do cenário interno que mostrou preocupações quanto à aprovação da reforma da Previdência. Corroborando o cenário negativo, vimos mais notícias da Vale, que tiveram peso importante para a queda do Ibovespa.

No mercado internacional, a cautela devido aos novos capítulos da guerra comercial entre China e EUA puxou os índices americanos para baixo, o que influencia diretamente nossa Bolsa. 

Vale segue em queda com barragens fechadas pela justiça

A Vale (VALE3) inicia a semana com a suspensão de 8 barragens pela justiça de Minas Gerais e com o Ministério Público Federal negando pedido para retomar operações da Mina Onça Puma.

A mineradora foi excluída do índice de sustentabilidade da Bolsa e está sendo investigada pelo rompimento da barragem em Brumadinho.

Além disso, no fim da semana, moradores da cidade de Barão de Cocais (MG) foram retirados de suas residências devido a um alerta de desnível na barragem Sul Superior da mina Gongo Soco.

Bolsas caem no exterior com deterioração das negociações entre EUA e China

As principais Bolsas internacionais iniciaram a semana em alta, com expectativas positivas sobre as negociações entre Estados Unidos e China. Esperava-se também uma reunião entre os líderes dos dois países ainda neste mês.

Entretanto, esse cenário mudou a partir de quinta-feira (07) quando Donald Trump confirmou que não se reuniria com os chineses antes de 1º de março. A data é importante pois marca o fim da trégua de 90 dias estabelecida após o encontro do G-20 no ano passado.

Com a virada das expectativas, os índices globais reverteram as altas e fecharam a semana no vermelho. Destaque para as Bolsas asiáticas, que não operaram a semana toda por conta de um feriado e devem, portanto, precificar todos esses atritos na próxima segunda-feira (11).

(Redação - Investimentos e Notícias)