Bolsa mergulha com guerra comercial

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Bolsa mergulha com guerra comercial (Foto: Pexels) Bolsa mergulha com guerra comercial

O cenário externo veio mais uma vez para derrubar o Ibovespa nesta semana. Mesmo com o anúncio de diversas privatizações de estatais - fato que agradou muito o mercado - a Bolsa voltou a cair forte em meio a novas escaladas da Guerra Comercial entre Estados Unidos e China.

De acordo com analistas da Toro Investimentos, após um clima positivo no início da semana, ambas as partes voltaram a subir o tom e a apresentar retaliações sobre o comércio entre os dois países. As bolsas mundiais cederam e o dólar disparou, mesmo com a implementação da nova política cambial do Banco Central.

Além disso, o Congresso iniciou o planejamento do orçamento para o próximo ano, a Caixa Econômica anunciou novas regras para o crédito imobiliário e os incêndios na Amazônia chamaram a atenção do mundo e devem ser tema de debate na reunião do G7 ao longo do final de semana.

Swaps reversos

Quem acompanha mais de perto o mercado de câmbio já está bem familiarizado com a atuação do Banco Central em momentos de disparada do dólar. Nos últimos anos, tem sido comum a venda de contratos de swap, um mecanismo direcionado ao mercado futuro que, tirando todas as tecnicalidades, basicamente pressiona para baixo a taxa de câmbio.

Contudo, isso tem um custo. Ao recorrer sucessivas vezes a esse instrumento, o Banco Central vai acumulando um estoque desses swaps e leva prejuízos toda vez que o dólar sobe. Foi pensando nisso que a autoridade monetária resolveu tentar algo novo. A ideia agora é vender diretamente seus estoques de dólares (que tem o mesmo impacto de baixa sobre a taxa de câmbio) e ir anulando gradativamente seu estoque de swaps ao vender os chamados “swaps reversos”.

Além de não incorrer nos custos dos swaps, a nova estratégia também ajuda a reduzir a dívida pública. Isso acontece porque ao vender os dólares, o Banco Central é pago em reais, podendo usar esses valores para abater a dívida do governo. 

Contudo, há um risco: se o estoque de dólares ficar muito baixo, o país fica suscetível a ataques especulativos e a taxa de câmbio fica mais volátil. Quanto exatamente é um estoque “muito baixo” é difícil dizer, porém o BC tem atuado lentamente para que o plano não saia pela culatra.

Empresas

A Câmara dos Deputados rejeitou na terça (20) a medida provisória que autorizava a União a ressarcir a Eletrobras (ELET3) em R$3,5 bilhões, que seriam utilizados para cobrir dívidas de seis distribuidoras vendidas em 2018.

Ainda sob holofotes, a Oi (OIBR3) ganhou novamente destaque nesta semana. Sua maior acionista, a GoldenTree Asset Management, manifestou preocupação com as finanças da Companhia e pediu a troca do presidente executivo, Eurico Teles. O conselho deve nomear um CEO que esteja hábil a implementar a reestruturação operacional. Porém, por se encontrar em recuperação judicial, a Companhia precisa da aprovação do ministério público do Rio de Janeiro.

Nesta semana, enquanto o mundo inteiro se alarmava com os atritos comerciais entre Estados Unidos e China, Jair Bolsonaro e sua equipe econômica trouxeram à tona um assunto já conhecido por todos: privatizações.

Até então, nada de novo sob o Sol. O que acabou ditando o ritmo do mercado na quarta-feira (21), mitigando o movimento vendedor, foi a lista de 17 estatais que poderiam ser ofertadas. Destas, apenas 9 eram novidade, enquanto as outras 8 já constavam nos estudos do PPI (Programa de Parceiros de Investimento). 

E como isso impacta a vida do investidor? 

Mesmo que o propósito de desinvestimento já estivesse na pauta do Governo, a divulgação de uma lista faz com que os planos dêem o primeiro passo para saírem da teoria e caminharem para a prática. 

Algumas das ações listadas ganharam maior notoriedade. As ações da Eletrobras (ELET3) chegaram a subir mais de 12% após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o ministro da economia, Paulo Guedes, afirmarem que existe quase um consenso sobre a privatização da elétrica. A Telebras (TELB4) também se valorizou e fechou a semana subindo mais de 70%. É isso mesmo, não digitamos errado: 70% de alta. 

A empresa de telecomunicação ainda não havia sido confirmada como possível desestatização, apesar de não estar em completo poder da União. 

Outra queridinha do mercado que chegou a ser cogitada foi a Petrobras (PETR4). Pelo sim e pelo não, a venda da petrolífera continuou no universo da especulação pois a análise do valor de mercado da Empresa é mais complexa. De todo modo seguimos de olho para os próximos passos de Guedes e companhia.

(Redação – Investimentos e Notícias)