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Olga de Mello

Olga de Mello

Jornalista, acredita que cultura é gênero de primeira necessidade

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A angústia no tempo

tresnovelasfeminiasUma das excelentes iniciativas da editora Zahar foi relançar a obra de Stefan Zweig, um desses escritores que caiu no ostracismo e teve sua relevância praticamente esquecida no Brasil. O último lançamento da coleção organizada pelo jornalista Alberto Dines, biógrafo do escritor, é Três novelas femininas (Zahar, R$ 39,90), a compilação que reúne Medo, Carta de uma desconhecida e 24 horas na vida de uma mulher.

Jovens aventureiros

Um menino tem saudades da mãe, gosta de moda e de jogar futebol. Outro dispensa a família, gosta de Sherlock Holmes e de escrever num caderno tudo o que observa na escola. A crueldade do mundo real fica longe dos heróis de Menino de Vestido (Intrínseca, R$ 29,90) e Colin Fischer (Novo Conceito, R$ 29,90), dois personagens que nascem com a intenção clara de educar o público de jovens leitores contra os preconceitos politicamente incorretos.

A falta que Ariano já nos faz

Agosto chegou mais cedo, distribuindo desgostos neste julho. A literatura perdeu tanta gente boa que, com a morte de Ariano Suassuna, só posso esperar que a Ceifadora já esteja satisfeita pelo período. Suassuna é o que eu considero uma perda democrática, daquelas que atinge gente de todas as camadas sociais, tão fácil era admirar o autor, o seu amor pela brasilidade e pela vida. Mesmo quando contestava ideologicamente alguém, não havia como deixar de concordar com sua argúcia, sua argumentação e, principalmente, sua graça. Porque Ariano Suassuna era mais que carismático, que, simplesmente, artista. Era alguém dotado do poder do convencimento, que carregava os interlocutores e enredava a todos através da palavra e do espetacular senso de humor.

A morte do autor e o fim da infância

joaoubaldoAs mortes de Nadine Gordimer e de João Ubaldo Ribeiro atingem profundamente quem ama o universo em que esses criadores montavam suas tramas. Ubaldo, o baiano radicado no Leblon, figura carioquíssima em crônicas divertidas, apontando as feridas sociais e rindo de suas próprias mazelas (seus relatos sobre períodos de internação hospitalar e o início das caminhadas para recuperação de problemas cardíacos são divertidíssimos), faz falta num mundo em que a consistência de uma produção perde espaço para comportamentos exuberantes e inconsequentes, de pouca relevância para o pensamento.

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