para-ler-na-rede

Olga de Mello

Olga de Mello

Jornalista, acredita que cultura é gênero de primeira necessidade

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Com açúcar e com afeto

odiariodebridgetjonesEu leio de tudo, inclusive livros mulherzinha. E tem coisa boa nessa literatura mulherzinha, embora tenha muito mais coisa ruim, reconheço. Só que a generalização é grande. Nem sempre pode ser tudo igual a O Diário de Bridget Jones (BestBolso, R$ 18). Aliás, nada chegou aos pés de Bridget Jones, nem a própria Bridget Jones. A autora, Helen Fielding, escreveu um bom livro - o primeiro -, uma sequência engraçada – Bridget Jones no limite da Razão ( BestBolso, R$ 20) e um terceiro muito fraquinho. Desprezadíssima pela crítica, a “literatura feminina” vende milhões de exemplares mundialmente e conquista os mais diferentes públicos - desde pré-adolescentes até as senhoras octogenárias. Dramas pungentes concorrem com farsas cômicas, mas a base do romance feminino é uma dose alta de sofrimento, contrabalançado com uma paixão redentora.

Sobre ideias, famílias, depressão e capitalismo

quandoosskatesforemdegracaSer socialista no Brasil é fácil – nos dias de hoje, claro. Difícil mesmo é crescer numa família de esquerda na maior nação capitalista do mundo. Saïd Sayrafiezadeh é filho de dois militantes do Partido Socialista dos Trabalhadores, cujos associados sinceramente acreditam que a ditadura do proletariado ainda conquistará o povo norte-americano. A infância ao lado da mãe, uma judia de classe média com graduação em Literatura, que segue o ideal político com um fervor quase religioso, é contada por Saïd em Quando os skates forem de graça (Record, R$ 32).

Era uma vez nos anos 1960

brigittebardotPeríodo eleitoral faz a gente vivenciar tanta política que ler algo totalmente dissociado dos temas ideológicos apazigua a alma. Por isso mesmo estou imersa na biografia Brigitte Bardot (Record, R$ 35), de Marie-Dominique Lelièvre, que descreve a importância do principal símbolo sexual francês na liberação feminina internacional. BB era um furor, inexplicável para mim, menina, que só via naquela mulher magrinha, de longos cabelos oxigenados, uma atriz engraçadinha. Eu era muito jovem nos anos 1960 e não tive ideia do que Brigitte representou antes de suas campanhas em prol dos animais.

Pequenos clássicos

Livro para criança é igual a teatro infantil – não falta ousadia em criação, ilustração e no abandono do realismo para abrir a imaginação ao fantástico. Transitar por esse universo que subverte a ordem do mundo é tão libertador como os primeiros tempos da infância, quando a gente se adapta a um ambiente cerceador, sem dar muita importância à seriedade da vida. Às vésperas do Dia das Crianças, quando ofertas literárias de altíssima qualidade estão prontas para encantarem a meninada, eu ainda aposto em títulos que, além de atrair os pequeninos, conseguem hipnotizar os mais grandinhos.

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