para-ler-na-rede

Olga de Mello

Olga de Mello

Jornalista, acredita que cultura é gênero de primeira necessidade

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A solidão e outras formas de fazer arte

acamaraclaraA inglesa Olivia Laing pertence a um grupo de escritores/pensadores da atualidade que escolhem um tema a partir de sua experiência pessoal, pincelando com situações vividas as observações que embasam suas teses. A apropriação do objeto de estudo atrai muitos autores que preferem deixar de lado o distanciamento científico/jornalístico para mostrarem ao leitor o quanto se inserem na pesquisa, sem fazer de sua vivência o roteiro da descoberta, como Roland Barthes em A câmara clara (Nova Fronteira, R$ 24,90 ), no qual a análise de fotografias de sua própria família se mistura à análise da narrativa existente em retratos de desconhecidos.

A leitura cinematográficas da ternura

marypoppinsMary Poppins, a simpática babá interpretada no cinema por Julie Andrews, nasceu rabugenta, arrogante e consciente de seus direitos trabalhistas. Em 1934, a australiana P.L. Travers lançava mais que um clássico de literatura infantil. Esta sátira à classe média britânica e sua interação com um novo tipo de empregado doméstico, que estabelece uma distância clara dos patrões, mostra-se bastante contemporânea, como se constata na nova edição ilustrada e comentada de Mary Poppins (Zahar, R$ 54,90).

Sobre a violência de cada dia

ogoleirodosandesNos Estados Unidos, dois terços dos jovens negros e 40% dos hispânicos já sofreram violência ou perseguição por policiais. Sobreviver diante desta realidade duríssima é o que os pais de Starr, protagonista de O ódio que você semeia (Galera, R$ 39,90), de Angie Thomas, ensinam à filha quando ela tem doze anos: se abordada por um policial, a menina deve deixar as mãos à vista, não fazer movimentos bruscos e falar somente caso seja interpelada. Quatro anos mais tarde, um amigo que não segue as mesmas recomendações é executado a tiros por um policial, em frente de Starr, cuja saga fictícia se baseia no cotidiano comum à população pobre e discriminada de grandes cidades – e não apenas nos Estados Unidos.

A Flip da crise e dos sonhos

Uma celebração da literatura, a Festa Literária de Paraty (Flip) nunca foi planejada para movimentar a indústria do livro. Incentivo à leitura e proliferação de eventos similares em todo o país foram os frutos colhidos pela Flip, que chega a seu décimo quinto ano financiada por apenas um grande patrocinador (o banco Itaú), que reduziu seu investimento a cerca de metade dos recursos destinados à festa em 2016.

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