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Olga de Mello

Olga de Mello

Jornalista, acredita que cultura é gênero de primeira necessidade

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A infância de uma leitora

Há quem associe lembranças antigas a brincadeiras do recreio no colégio, a aromas de perfumes, da massinha do Jardim de Infância ou do do preparo de alimentos na cozinha, das viagens de férias. Minhas recordações são pouco sensoriais, quase sempre ligadas à literatura. Minha mãe lendo para mim as histórias em quadrinho no Globo. Meu pai me falando sobre a importância de ler Pavese. Os livros da Condessa de Ségur, de Laura Ingalls Wilder, Monteiro Lobato, a coleção de bolso com as obras de Shakespeare, que ganhei aos 12 anos, as tardes das férias dedicadas à leitura e releitura de novelas policiais e de exemplares do Mistério Magazine.

Os tempos de exclusão e inadequação

Alguns gêneros literários exploram a existência de segredos como elemento indispensável às tramas. A literatura, principalmente a policial, parece ignorar que sob a superfície da vida social existem intimidades preservadas até nos tempos de superexposição da atualidade. Ou apenas reflete a sensação de conhecimento a respeito das complexidades diversas que grupos sociais apresentam.

Rivânia e os livros

Uma enchente arrasa uma cidadezinha na Zona da Mata pernambucana. Ao deixar a casa inundada, uma menina de 8 anos, Rivânia, faz sua trouxinha com livros. A avó recomendou que carregasse o que tinha de mais precioso. Rivânia pegou os livros, talvez sem entender o que seria valioso para a sobrevivência. Roupas, remédios, sapatos são essenciais. Mas para a criança, nos livros está o sonho.

Trapaças, mitos e negócios milionários

aastuciacriaomundoA malandragem tem nuances e traz benefícios à humanidade. Não, a afirmação não é um sofisma, mas uma síntese bastante frágil do tema de A astúcia cria o mundo – Trickster: trapaça, mito e arte (Civilização Brasileira, RS 94,90), de Lewis Hyde. 

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