A infância de uma leitora

Há quem associe lembranças antigas a brincadeiras do recreio no colégio, a aromas de perfumes, da massinha do Jardim de Infância ou do do preparo de alimentos na cozinha, das viagens de férias. Minhas recordações são pouco sensoriais, quase sempre ligadas à literatura. Minha mãe lendo para mim as histórias em quadrinho no Globo. Meu pai me falando sobre a importância de ler Pavese. Os livros da Condessa de Ségur, de Laura Ingalls Wilder, Monteiro Lobato, a coleção de bolso com as obras de Shakespeare, que ganhei aos 12 anos, as tardes das férias dedicadas à leitura e releitura de novelas policiais e de exemplares do Mistério Magazine.

Os tempos de exclusão e inadequação

Alguns gêneros literários exploram a existência de segredos como elemento indispensável às tramas. A literatura, principalmente a policial, parece ignorar que sob a superfície da vida social existem intimidades preservadas até nos tempos de superexposição da atualidade. Ou apenas reflete a sensação de conhecimento a respeito das complexidades diversas que grupos sociais apresentam.

Eu quero fazer apenas o que eu gosto!

Hoje fala-se muito sobre a importância dos valores pessoais, da descoberta de sua missão e propósito. Entende-se que refletir sobre esses temas e encontrar aquilo que faz seu coração vibrar, lhe levará para lugares que têm a ver com quem você é e com o que deseja e pode oferecer para o mundo.

Rivânia e os livros

Uma enchente arrasa uma cidadezinha na Zona da Mata pernambucana. Ao deixar a casa inundada, uma menina de 8 anos, Rivânia, faz sua trouxinha com livros. A avó recomendou que carregasse o que tinha de mais precioso. Rivânia pegou os livros, talvez sem entender o que seria valioso para a sobrevivência. Roupas, remédios, sapatos são essenciais. Mas para a criança, nos livros está o sonho.

Trapaças, mitos e negócios milionários

aastuciacriaomundoA malandragem tem nuances e traz benefícios à humanidade. Não, a afirmação não é um sofisma, mas uma síntese bastante frágil do tema de A astúcia cria o mundo – Trickster: trapaça, mito e arte (Civilização Brasileira, RS 94,90), de Lewis Hyde. 

Em busca da novidade

Com o país sob efeito de um vendaval de denúncias contra a classe política e o empresariado, a leitura do noticiário é suficiente para qualquer um lastimar a situação a que o Brasil chegou. 

Duas divas

Nunca assisti a um só programa apresentado por Hebe Camargo. Sempre a achei exagerada – no uso de joias extravagantes, roupas exuberantes compondo a figura de “perua” televisiva. 

Uma verdade inconveniente

Quem sustenta o crime é o usuário de drogas. A maconha é a porta de entrada para o vício. Drogas recreativas devem ser liberadas. O álcool é a pior das drogas. O cigarro é a pior das drogas. Drogas abrem a cabeça. Drogas embotam o raciocínio. Precisamos falar sobre a droga.

Bom policial, mau policial

Se as ações de policiais no mundo real nem sempre são admiráveis ou sequer respeitam a lei pela qual eles deveriam zelar, na literatura, geralmente, esses personagens se apresentam como respeitáveis representantes do Estado. Alguns, brilhantes, outros meros coadjuvantes de investigadores particulares geniais, entre eles Hercule Poirot e Sherlock Holmes. Ou, nos romances contemporâneos, burocratas sem grande imaginação, que investigam casos cuja solução será descoberta por suspeitos ou pelas vítimas do crime.

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