Rive Gauche - A vida na França por Pedro Nonato

10 coisas para NÃO se fazer em Paris

Rive Gauche Foto: Divulgação Rive Gauche

Da mesma forma que Rive Gauche sempre apresenta, ao final do ano, uma lista com as 100 coisas que você precisa fazer para poder se considerar um “parisiense de adoção”, também apresentamos uma lista com as 10 coisas para não se fazer em Paris e o seu porquê. Vamos à lista:

1) Não faça compras na Avenues des Champs-Elysées: a via já pode ter sido a mais bela avenida do mundo, mas que hoje foi invadida por cadeias globais de lojas de moda, como H&M, Zara, Abercrombie, cinemas multiplex, concessionárias de automóveis e uma turba de adolescentes indo e vindo, para cima e para baixo.

2) Não se deslumbre pela alta gastronomia: Paris tem quase 70 estabelecimentos com Estrelas no Guide Michelin Rouge, sendo portanto, um paraíso para os gourmets de todo o mundo. Mas além da muita pompa e circunstância, na grande maioria desses tradicionais e requintados restaurantes, os preços são estratosféricos.

3) Não passar o dia no Louvre ou no d'Orsay: são os museus mais famosos de Paris e neles estão algumas da mais famosas obra-de-arte de todo o mundo. Mas não pense nem por um segundo que são as melhores ou mesmo as suas únicas opções. Paris tem muitas outras opções de museus, municipais ou nacionais e sem as angustiantes e enormes filas para se entrar e também sem as multidões que irão, com certeza, prejudicar a sua experiência.

4) Não assassine a moda ou o estilo: em Paris, mesmo nos dias de canicule, nem pensar em usar shorts ou bermudas, a menos que você realmente queira ser tratado como um turista qualquer e, como diriam os franceses, ça ne se fait pas. Outra dica é: deixe os reluzentes tênis brancos em casa, também porque, como regra geral, os parisienses evitam se vestir como se fossem correr na praia ou escalar os Alpes no inverno. Por outro lado, também não exagere na produção só porque você está indo para a capital mundial da moda.

5) Não abuse dos táxis: Paris definitivamente não é Rio ou São Paulo: aqui os táxis são ainda mais difíceis de conseguir e quase nunca se consegue pará-los na rua, sendo necessário fazer filas (enormes, às vezes) em pontos como os de ônibus ou agendá-los com antecedência. Outro ponto negativo é que a tarifa é alta e por muitas vezes as ruas ficam bloqueadas por carros ou furgões que param em fila dupla e aí seu taxímetro sobre aos píncaros.

6) Não procure um ambiente intelectualizado na Rive Gauche: é verdade que Sartre e Simome podem ter amado o Les Deux Magots ou o Café de Flore e que Picasso e Hemingway podem ter almoçado ou jantado no La Coupole ou na La Closerie des Lilas mas esses dias acabaram e atualmente esses locais só servem aos turistas e cobram bem cara para isso. Mas, com sorte, talvez você possa escutar alguém filosofando sobre a imoralidade de se cobrar 16 Euros por torradas com manteiga e um suco de laranja.

7) Não perca tempo subindo a Tour Eiffel: imagine que em 2010 quase 7 milhões de pessoas subiram ao topo da torre, o que não é uma coisa simples: filas de quase duas horas para comprar, mais vinte ou trinta minutos entre o chão e as trocas de níveis e elevadores até o topo – sem contar as mesmas filas para descer. E tudo isso para chegar lá e perceber que a vista, apesar de muito ampla, é bem monótona, já que a cidade é muito plana e toda muito uniforme, à exceção de um ou outro monumento que pode ser avistado.

8) Não reserve o hotel mais barato: encontrar um hotel decente em de Paris por um preço razoável pode levar até mesmo os mais experientes viajantes à beira do desespero: a grande maioria dos hotéis são incrivelmente caros. Mas pior ainda é achar que fez um excelente negócio e se descobrir numa espelunca longe de tudo, sem elevador, sem staff, sem ar condicionado ou mesmo sem calefação.

9) Não se entupa de croissants ou baguettes: todos nós sabemos sobre as virtudes de ouro das boulangeries francesas, mas há um mundo inteiro de outros sabores esperando para serem descobertos e sempre, na sua grande maioria, com preços justos e espalhados por pâtisseries em toda a cidade.

10) Não se baseie em estereótipos: todos sempre escutamos que os parisienses são grosseiros e que em Paris os garçons são mal-humorados, que os vendedores são inúteis, que todos são esnobes e retraídos. A verdade é que os parisienses são mais reservados do que a maioria dos brasileiros e que são mesmo menos suscetíveis a ser tornarem nossos melhores amigos em apenas meia hora e que não faz parta de sua cultura distribuir sorrisos e perguntar como podem ser úteis o tempo todo nas lojas, portanto, não retribua isso com grosseria de sua parte.

Pedro Nonato

Jornalista, Correspondente na França, Diretor da Área Internacional da Digital Media Company

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