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Que tal dar mais que uma folheada?

Que tal dar mais que uma folheada? Foto: Divulgação Que tal dar mais que uma folheada?

Quando chega outubro e se percebe que falta pouco para o fim do ano, brota aquela ansiedade porque parece que se perdeu tempo sem cumprir resoluções como parar de comer chocolate, emagrecer 25 quilos e ler tudo o que se pretendia quando folheou aquelas primeiras páginas de tantos e tantos livros. Os japoneses, que sabem como poucos fazer da angústia poesia, inventaram a palavra tsonduku para definir aquela pilha de livros que estão à espera da leitura. Uma de minhas pilhas reúne livros que revelam histórias pouco conhecidas – e das quais sempre vale a pena saber um pouco mais. Que tal dar mais que uma folheada?

bolshoiconfidencialBolshoi Confidencial (Record, R$ 69,90), de Simon Morrrison, trata não apenas da história da maior companhia de balé da Rússia, mas de sua utilização política por diversos regimes que dominaram o país e as nações que compuseram a União Soviética. Criado em 1776, o Bolshoi foi um marco para a consolidação de Moscou como capital do império czarista e soviético, à custa da saúde mental de muitas de suas estrelas. Não era raro quando algum bailarino de destaque aproveitava viagens ao Ocidente para pedir asilo e continuar a carreira nos palcos capitalistas. O estresse em que se mantinha o corpo de baile correspondia à extrema disciplina exigida na até hoje considerada melhor escola de balé no mundo e veio a culminar com o ataque a um de seus diretores, com ácido, em 2013. 

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A casa no lago – Uma história da Alemanha (Rocco, R$ 39,50) é o interessante resgate pessoal do jornalista inglês Thomas Harding da casa que seus avós, judeus alemães, tiveram de abandonar na ascensão do nazismo, quando a família se radicou na Inglaterra. Enquanto conseguia que as autoridades alemãs permitissem a restauração da casa para uso futuro como centro cultural, Harding levantou a história de todos os seus moradores e as transformações sofridas pelo povo alemão antes, durante e depois da Segunda Guerra Mundial. 

 

minhavidanaestradaMinha vida na estrada (Bertrand Brasil, R$ 49,90) traz as memórias da jornalista americana Gloria Steinem desde a infância, quando o pai levava a família de carro pelo país, em busca de aventura e trabalho. Uma das mais importantes figuras do feminismo mundial, Gloria cruzou numerosas vezes os Estados Unidos e o planeta para divulgar ideias e promover o ativismo entre mulheres. Além das viagens, ela relembra seu trabalho em jornalismo nos anos 1960, as campanhas políticas e a fundação da revista Ms e os encontros com pessoas decisivas para sua formação.

 

diariodocondedeuDiário do Conde d’Eu (Paz & Terra, R$ 54,90), organizado pelo historiador Rodrigo Goyena Soares, transcreve anotações feitas entre 1869 e 1970 pelo jovem francês de 26 anos que assumiu o comando das tropas brasileiras na Guerra do Paraguai. Casado com a princesa Isabel e genro do imperador Pedro II, o Conde d’Eu foi o responsável pela ocupação do território retomado de Goiás e pela caçada ao ditador paraguaio Francisco Solano López. Os relatos curtos falam das ações militares sem muito entusiasmo. Descrições sobre o tempo – que impedia muitas atividades – também são sóbrias, embora haja algum entusiasmo do conde ao mencionar as belezas do litoral brasileiro e demonstre pesar pelas péssimas condições de vida no Paraguai ode “cinco anos de guerra sangrenta, inseridos em outros 150 de despotismo (...), destruíram tudo e reduziram este país (...) à maior irrelevância monótona e deplorável”.

Olga de Mello

Jornalista, acredita que cultura é gênero de primeira necessidade

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