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O livro encontra seu público

O livro encontra seu público Foto: Divulgação O livro encontra seu público

A Bienal do Livro no Rio de Janeiro deve atrair 700 mil visitantes durante dez dias ao Riocentro para encontros do público com autores de apelo popular, em sua maioria. Se as festas literárias promovidas por todo o país discutem dos grandes temas literários do momento a formas de disseminação da leitura, a Bienal cada vez mais investe na aproximação do leitor jovem com seus ídolos. Dos mais de 300 autores convidados, a metade é de escritores de literatura infanto-juvenil.

meulivroeuqueescrevifalaaimalenaNo lugar do escritor que se isola para criar apresentam-se autores que estão em contato direto com os leitore, como Raony Phillips, carioca de 24 anos, roteirista, diretor e dublador da websérie Girls in the house, criada a partir do jogo The Sims, cujo canal Rao TV tem cerca de 1,5 milhão de assinantes. Raony lança na Bienal Meu livro. Eu que escrevi (Intrínseca, R$ 29,90), “autobiografia” de Duny, uma das personagens da série. Malena Nunes, youtuber e aficcionada por jogos eletrônicos, lançará Fala aí, Malena: o livro dos bunitos (Planeta, R$ 31,90), que trata de questões ligadas à infância e adolescência, partindo de suas próprias experiências. Malena, paulistana, tem 23 anos, mas a linguagem do livro é jovial como a de seus vídeos na Internet. 

 

Entre os convidados estrangeiros, um dos destaques é Jenny Han, que autografa uma caixa com três de seus romances: Para todos os garotos que já amei, Agora e para sempre, Lara Jean, e Ainda amo você (Intrínseca, R$ 114,80). Ao falar sobre o amor na adolescência, Jenny Han tem abordado com muita fidelidade o universo competitivo das jovens norte-americanas, sempre mostrando a questão dos descendentes de imigrantes orientais. Outra frequentadora das listas de bestsellers para jovens, a americana Victoria Schwab vem lançar Um encontro de sombras (Record, R$ 39,90), sequência das aventuras do mago viajante Kell, que transita sobre diferentes representações da cidade de Londres, identificada por cores. Na Londres Cinza, não existe magia. A Vermelha, onde se usa magia com equilíbrio, é o lar de Kell. A Londres Branca já esgotou boa parte da magia, com consequências graves, e a Negra é onde reside o perigo. No domingo, 10 de setembro, às 14h, a autora estará na Arena #SemFiltro.

sandromoreyrageneseMas nem só de adolescentes se faz uma bienal. A programação é bastante variada e terá muitos escritores brasileiros discutindo diferentes gêneros, entre eles o jornalista Paulo César Guimarães, que fala sobre a biografia Sandro Moreyra – um autor à procura de um personagem (Gryphus, R$ 39,90), no Café Literário, na quinta-feira, 7 de setembro, às 17h. Entre os pesos-pesados que vêm de fora estão duas das novas rainhas do crime da atualidade. A americana Karin Slaughter vem lançar Gênese (Record, R$ 49,90 ), um thriller excelente, que trata de uma investigação policial sobre crimes macabros em Atlanta. Já a britânica Paula Hawkings, autora de A garota do trem (Record, R$ 39,90), que vendeu 20 milhões de exemplares no mundo – sendo 300 mil no Brasil -, promove seu mais recente romance de suspense, emaguassombriasEm águas sombrias (Record, R$ 42,90), no qual vários personagens buscam desvendar um aparente suicídio num rio de uma cidade pequena no interior da Inglaterra. Como o primeiro livro, este já teve seus direitos vendidos para a adaptação cinematográfica. E para mostrar que a Bienal também abriga análises mais eruditas, o italiano Nuccio Ordine, autor de A utilidade do inútil (Zahar, R$ 42,90) conversa com Ana Maria Machado e Marco Lucchesi sobre o papel fundamental da cultura e da arte no desenvolimento de uma humanidade tolerante e solidária, este sábado, às 15h, no Café Literário.

Olga de Mello

Jornalista, acredita que cultura é gênero de primeira necessidade

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