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Leituras soberanas

Leituras soberanas Foto: Divulgação Leituras soberanas

Uma piada antiga diz que apenas cinco reis sobreviverão à extinção da monarquia no mundo inteiro: os de Copas, Espadas, Paus, Ouros e o da Inglaterra. 

O fascínio que a monarquia britânica exerce ainda hoje, mesmo após o advento das celebridades com quinze minutos de fama, garante o turismo nas Ilhas, afirmam os estudiosos do setor no Reino Unido. Uma tese a ser corroborada pelo sucesso da série televisiva The Crown, sobre a ascensão ao poder da rainha Elizabeth II, há mais de 60 décadas no posto, que aparentemente não pretende largar apesar da idade avançada. 

afamiliarealO aparente despreparo da jovem Lilibeth quando sucedeu o pai, desentendimentos conjugais com o príncipe consorte - e seu primo – Phillip, além de escândalos amorosos envolvendo sua irmã, a princesa Margareth, são tratados com elegância no seriado. Quem quiser se aprofundar nos mexericos palacianos terá farto material em A família real (Record, de R$ 70), uma biografia não autorizada assinada pela jornalista americana Kitty Kelley, especialista em lançar obras sobre a vida alheia sem licença de quem ela retrata, entre eles o cantor Frank Sinatra e a atriz Elizabeth Taylor. São mais de 500 páginas de indiscrições generalizadas sobre a Casa de Windsor, fixando-se nos namoricos e na sexualidade dos aristocratas nos séculos XX e XXI. 

 

elizabethhamlethamletoSe atualmente Elizabeth apenas reina, sem governar, seus antecessores cristalizaram o absolutismo a ponto de se tornarem chefes de uma igreja. Em Elizabeth I – Uma biografia (Zahar, R$ 69,90), a jornalista Lisa Hilton mostra como uma rainha longeva para a época (seu reinado durou 45 anos) exerceu o poder a despeito de um ambiente pouco favorável ao poder das mulheres. Filha de Henrique VIII, que mandou matar sua mãe, Ana Bolena, Elizabeth I fez da Inglaterra uma potência econômica e cultural. Independente, rejeitou casamentos que poderiam reduzir seu prestígio pessoal e usou o pretenso celibato para seu marketing pessoal, tornando-se conhecida como a Rainha Virgem, a despeito de flertes que, provavelmente, tiveram desdobramentos além dos galanteios. O investimento em imagem era pesado: lançadora de moda em sua corte, ela usava maquiagem e tinha no guarda-roupa cerca de três mil vestidos. Um cuidado quase de composição teatral, típico do período de maior florescimento da arte dramática no Ocidente, depois da Grécia clássica. Entre 1580 e 1648 foram montadas cerca de três mil peças na Inglaterra, onde as companhias faziam cerca de 200 apresentações por ano, em temporadas de não mais que dez dias. Desses textos, só 230 sobreviveram, entre eles 37 de William Shakespeare, que falou da alma humana com uma propriedade que ultrapassou milênios, inspirando-se, muitas vezes, nas vidas de príncipes, princesas reis e rainhas. Um dos mais famosos, o drama sobre o jovem príncipe dinamarquês que quer vingar o assassinato de seu pai ganhou uma interessantíssima abordagem de Rodrigo Lacerda em Hamlet ou Hamleto - Shakespeare para jovens curiosos e adultos preguiçosos (Zahar, R$ 44,90), que acaba de receber o merecido prêmio Jabuti de melhor adaptação de obra.

Olga de Mello

Jornalista, acredita que cultura é gênero de primeira necessidade

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