para-ler-na-rede

O sexo e a fila

minhasaventurasemmarketingEm algum local do planeta, sexo tem menos importância do que no território brasileiro. A certeza me vem da leitura de textos de autores estrangeiros, como o vetusto Philip Kotler, do alto de seus diplomas de doutorado em Economia no MIT e em Matemática em Harvard, que, visitando Pindorama, classifica o Brasil como o país dos “cinco S”: sol, samba, sexo, soccer (futebol, para os americanos) e stones – as pedras semipreciosas “comercializadas pela H. Stern”. A sutiliza do merchandising é uma das muitas lições de Minhas aventuras em marketing (BestBusiness, R$ 54,90), que reúne crônicas de Kotler, publicadas em 2013 no jornal japonês Nikkei. 

Os miseráveis

Sofrimento, compreensão, redenção e felicidade eterna. Encadeando situações com tais elementos, a literatura ocidental vem colecionando sucessos desde a Antiguidade. Hoje, esta fórmula é seguida como enredo para filmes, depoimentos em programas “femininos”, palestras motivacionais, romances ou livros de autoajuda, geralmente com cunho autobiográfico, comovendo leitores com seus exemplos de superação. A crítica torce o nariz, o público – principalmente o britânico – adora: o mis-lit (de misery literature) foi um dos gêneros que mais cresceu em vendas no mercado editorial do Reino Unido nos anos 2000.

As paixões e seus incômodos

O leitor encontra um livro apaixonante, descobre um autor, lê tudo o que ele já produziu na vida, sentindo-se cada vez mais inebriado por aquela torrente de palavras, imagens, sentidos que a vida toma a cada página avançada. E aí chega aquele momento em que se depara com uma obra menor do escritor. Respira fundo, muda toda sua visão sobre ele ou confirma que os livros X, Y, Z são geniais e o K ou W não passam de exercícios sobre o mesmo tema?

As dores e delícias da existência real ou ficcional

Poderia ser a trama de uma novela policial, se a narrativa se fixasse na obstinação do protagonista em salvar sua amada de uma sobrevivência dolorosa, patética. Um argumento forte para documentário, um chamamento à precariedade dos tratamentos de suporte a pacientes crônicos. O drama da vida real vivido pelo aposentado Nelson Golla, que há dois anos, abraçou-se à mulher, Neusa, internada em uma clínica para idosos, acionando um artefato explosivo que deveria matar o casal. Neusa morreu, Nelson responde em liberdade ao processo pela morte da companheira de mais de cinquenta anos de convivência, sob os cuidados dos filhos, preocupados com a tendência ao suicídio na família do pai.

Decoração bibliófila

Quando uma revista de decoração está sem pautas novas, recicla um tema tradicional: “como montar sua biblioteca”. O texto oferecerá muitas sugestões arquitetônicas de requinte estético e total desconhecimento do produto a ser armazenado, com prateleiras ao rés do chão, deixando os livros sujeitos a receber camadas de sujeira transportadas por sapatos. E lindas estantes ladeando degraus de escadas, que também podem ser aproveitados para receber volumes. Quem imagina uma biblioteca dessas provavelmente desconhece que livro é um imã de poeira, uma incubadora de ácaros, traças, fungos.

Para abrir o ano

“Para começar, olha quanto livro. Lá estavam seus comances de Edith Wharthon (...); o conjunto completo de Henry James (...); um monte de Dickens, uma pitada de Trollope, além e boas doses de Austen, George Eliot, e das temíveis irmãs Brontë. (...) Lá estavam os romances de Colette que ela lia às escondidas”.

Um tempo pra vadiar

Entrega de Oscar no domingo de carnaval atrapalha a vida de foliões e cinéfilos, jamais de leitores, que podem até escolher deixar de lado a batucada ou o cinema para se esticar na rede e tentar desbastar as pilhas de tsundokus* acumuladas por tudo quanto é canto. Desejo de me enroscar com um livro não me falta, porém dificilmente conseguirei acabar mais que três no mais alegre feriadão brasileiro.

Leituras pré-carnavalescas

2017 começa, oficialmente, em quinze dias, logo depois do Carnaval – época de festa e descanso. E se o folião é leitor contumaz, vai recuperar as forças - para enfrentar blocos, bailes e desfiles - na rede, na companhia de leitura rápida e relaxante. A primeira lista do ano tem boas sugestões para quem quer uma boa folia literária.

Um ano novo de releituras

Falta pouco, o ano (enfim) se acaba com aquela sensação de encerramento de ciclo. Nesses primeiros dias, quando a expectativa de tempos melhores nos invade, que tal aproveitar as tarde quentes na rede e imergir no que de bom chegou às livrarias brasileiras em 2016?

Assinar este feed RSS