Bitcoin: como funciona a moeda digital que conquistou a internet

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Destaque Moeda digital valorizou mais 1.000% em 2017 Foto: divulgação Moeda digital valorizou mais 1.000% em 2017

Entenda o que é Bitcoin e como funciona a criptomoeda que conquistou investidores

As criptomoedas já são uma realidade e, num futuro próximo, poderão estar ainda mais presentes no nosso cotidiano. Muitos empresários, consultores e investidores que estão de olho no movimento global desses ativos virtuais acreditam que eles chegaram para ficar.

Com valorização expressiva do Bitcoin hoje em dia, chegando a mais de 1000% de alta em 2017 e valor de mercado de cerca de US$ 136,6 bilhões, de acordo com a CoinDesk, a moeda virtual ganhou muitos fãs no Brasil e no mundo.

A revista norte-americana Forbes chegou a divulgar, no fim de 2017, uma estimativa de valor de mercado de todos os Bitcoins em circulação no mundo. O resultado surpreendeu: o valor total da criptomoeda superou o de empresas como o banco de investimentos Goldman Sachs e a empresa de comércio eletrônico eBay.

O que é Bitcoin?

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O Bitcoin surgiu a partir da ideia de um programador chamado Satoshi Nakamoto, que até hoje é um mistério na rede. Ninguém sabe quem ele é, nem se é uma ou várias pessoas, ou até mesmo um pool de empresas.

Nakamoto, que hoje seria um homem japonês com idade próxima aos 50 anos, segundo a P2P Foundation, criou em 2009 o código que dá suporte a todo o sistema Bitcoin. Todavia, essa história nunca foi confirmada.

Ao contrário das notas e moedas que podem ser encontradas em carteiras físicas, os Bitcoins só existem virtualmente. Daí vem o nome criptomoeda ou moeda digital. Em vez de serem guardadas no bolso, são armazenadas em um hardware ou até mesmo no celular.

Os Bitcoins são moedas digitais, também chamados de criptomoedas, descentralizadas, ou seja, sem ligação com uma instituição ou nação, criados com o objetivo de ser um sistema econômico alternativo.

Eles não são produzidos ou vinculados a governos ou bancos. Ao contrário, todo o sistema é gerenciado pelos próprios usuários, já que não é preciso ter a intermediação de empresas de cartão ou de um Banco Central. Tudo isso só é possível por causa de uma tecnologia chamada blockchain.

Mesmo cercada de controvérsias, especialmente em relação à segurança, a criptomoeda variou entre R$ 51.204,02 e R$ 27.694,00 mil em janeiro de 2018. E o crescimento da cotação Bitcoin acabou atraindo os olhares de investidores e curiosos em busca de uma possibilidade de ganhos.

Cotação Bitcoin: recorde de valorização em 2017

Os Bitcoins tomaram as páginas de grandes portais e já são frequentes até mesmo nas conversas mais rotineiras. A discussão sobre o tema se torna ainda mais relevante quando se leva em conta os números de investidores interessados em comprar Bitcoins.

Para se ter uma ideia: a Bolsa de Valores brasileira, no fim de 2017, operava com pouco mais de 619 mil pessoas físicas cadastradas. Já a quantidade total de cadastrados no Brasil para comprar a criptomoeda, somando os dados das três maiores casas especializadas em Bitcoins, ultrapassa 1,4 milhão de usuários.

Tamanha popularidade se dá pela valorização recorde que a criptomoeda teve recentemente. Em 2010, um Bitcoin valia menos de R$ 5. Porém, em dezembro de 2017, a cotação Bitcoin chegou a ultrapassar a casa dos R$ 63 mil.

Apesar de estar subindo desde 2013, pode-se dizer que a principal moeda digital da atualidade realmente conquistou os holofotes em 2017. No ano passado, o Bitcoin saltou de R$ 3.650,00 no dia 02 de janeiro para R$ 48.800,00 em 31 de dezembro, com pico de mais de R$ 69 mil no dia 16 de dezembro.

Mas esse intervalo de crescimento não foi linear, já que também houve quedas no ano passado, como mostra o gráfico:

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 Fonte: Investing

Segundo Guto Schiavon, sócio fundador da FOXBIT, uma das maiores corretoras de Bitcoin no Brasil, alguns dos fatores que colaboraram para as altas da moeda digital registradas em 2017 são:

  • Novos usos da tecnologia, que conseguem demonstrar que a blockchain e o Bitcoin podem ser usados em determinados mercados.
  • Resoluções de problemas e novas features no protocolo. Em 2017, o Bitcoin teve a implementação do SegWit aprovada, uma nova forma de contabilizar o tamanho dos blocos adicionados à blockchain, fato que pode ajudar na questão de escalabilidade.
  • Início da negociação de contratos futuros de Bitcoin.

Ainda de acordo com Schiavon, as quedas da criptomoeda podem estar ligadas a circunstâncias como:

      • Ataque de hackers a sites que negociam ou armazenam Bitcoins.
      • Banimento do uso e/ou compra de Bitcoin por determinação de governos, como ocorreu no Vietnã em outubro de 2017.
      • Desentendimentos sobre forks e hardforks, atualizações no sistema ou divisões que podem dar origem a novas criptomoedas, como por exemplo o Bitcoin Cash e o Bitcoin Gold.
      • Correção de mercado.
 

Para muitos, os recuos não necessariamente indicam o início do fim. Segundo Tom Lee, estrategista de Wall Street, o Bitcoin vivenciou flutuações parecidas nos últimos dois anos, registrando seis altas de mais de 75% e seis quedas superiores a 25% desde meados de 2016.  

Lee é um entusiasta da criptomoeda e acredita que o Bitcoin tem boas perspectivas para o futuro, com potencial para fechar o ano de 2018 com cotação próxima de US$ 25 mil, podendo chegar a US$ 125 mil até 2022.

Todavia, nem todos têm uma visão tão otimista para a moeda digital. Com tantas altas acumuladas, o medo de que este fenômeno seja uma bolha e traga consequências negativas para muitos investidores ganha força a cada dia.

O perigo da bolha

Uma preocupação de quem tem interesse em investir em Bitcoin é a chamada bolha especulativa. Muitas pessoas, inclusive o presidente do Banco Central do Brasil, Ilan Goldfajn, se preocupam com a possibilidade de que o alvoroço em torno da criptomoeda acabe mal.

Para muitos, o panorama atual do Bitcoin se assemelha a uma bolha: pessoas investindo em um ativo de grande risco, tendo grandes retornos em um curto espaço de tempo, levando a um contexto que atrai novos investidores e provoca mais altas na cotação dos Bitcoins.

Quando a bolha estoura, alguns conseguem ganhar dinheiro, mas a grande maioria acaba de mãos vazias, a exemplo do que ocorreu na Holanda no século 17, com a Mania das Tulipas.

Outro evento marcante que tem sido usado para se comparar ao panorama atual é a bolha que atingiu a Nasdaq nos anos 2000. Com a promessa de crescimento das empresas conhecidas como pontocom, a Bolsa norte-americana Nasdaq subiu mais de 95% até atingir seu ápice em março de 2000.

Nos 12 meses seguintes, a Bolsa chegou a cair 51,9% após várias empresas de internet não conseguirem registrar lucro. A Nasdaq só conseguiu retomar o nível, que chegou no primeiro trimestre dos anos 2000, 15 anos depois, com o fortalecimento de empresas que hoje em dia são conhecidas no mundo todo, como Amazon, Apple e Google.

Apesar de apresentar indícios de bolha, ainda paira no ar as suspeitas se isso vai, de fato, ocorrer com os Bitcoins. Mas há quem tenha bastante receio do que o futuro reserva para as criptomoedas.

No início de fevereiro, os órgãos reguladores de bancos, títulos e seguros da União Europeia divulgaram comunicado em que afirmam que as moedas virtuais, como o Bitcoin, apresentam claros sinais de uma bolha de preços.

Representante ligado a uma instituição financeira importante, Augustin Carstens afirmou, também em fevereiro deste ano, que o Bitcoin é uma "combinação de bolha, esquema Ponzi e desastre ambiental".

O gerente do Banco de Compensações Internacionais (BIS) também disse que a empolgação das pessoas que investem em criptomoedas se assemelha a uma "mania especulativa" e que o mercado de moedas virtuais pode estar favorecendo atividades ilegais

Na outra ponta, há quem não veja um perigo iminente. De acordo com Guto Schiavon, da FOXBIT, é difícil dizer que é ou não uma bolha. “É o mesmo que tentar explicar a existência de Deus, por exemplo”, compara.

Para ele, na comparação com outras bolhas financeiras ou com as dívidas dos governos atuais, o Bitcoin seria uma micro-bolha, com um valor irrisório perto dos mercados tradicionais.

Se é bolha ou não, só o futuro vai dizer, mas o que eu acredito hoje é em uma correção da grande subida que houve em 2017, isso é normal e natural do mercado”, Guto Schiavon.

As dúvidas quanto ao risco de investir em Bitcoins ou o receio sobre a possibilidade de haver uma bolha Bitcoin são constantes. Mesmo assim, a moeda virtual continua sendo negociada e conquistando cada vez mais adeptos interessados em aprender o máximo possível sobre os Bitcoins e a tecnologia ligada a eles.

O que é Blockchain: a tecnologia por trás dos Bitcoins

Todas as transações já feitas com Bitcoins estão registradas em um arquivo acessível a qualquer usuário. Conhecida como blockchain, ou cadeia de blocos em português, é a peça chave que organiza todo o sistema que envolve a criptomoeda. Por isso, para entender o que é Bitcoin, é preciso entender o que é Blockchain.

A blockchain é um banco de dados com o registro de todas as transações realizadas em Bitcoins.

Cada uma dessas transações possui um código de 64 caracteres, isto é, uma assinatura digital. Esse código é verificado pelos próprios usuários e a transação precisa ser aprovada para, então, ser incorporada à blockchain.

Esta tecnologia está presente desde que a moeda virtual foi lançada, há quase uma década. Nem por isso deixa de ser atual. Muitos entusiastas acreditam que ela pode ser a precursora de uma nova forma de armazenar e acessar informações, como prontuários médicos, passaportes e registros de automóveis, por exemplo.

As possibilidades que ela abre são diversas. Mas, por enquanto, a blockchain está focada na negociação de Bitcoins, permitindo o acesso irrestrito aos códigos de todas as transações já feitas por qualquer usuário.

A vigilância e a verificação das transações feitas pelos próprios usuários, também chamados de mineradores, é importante para evitar fraudes. Quem ajuda nesse processo de validação recebe Bitcoins como pagamento.

O apelido mineradores vem do ato de minerar, isto é, encontrar novos Bitcoins. O nome já sugere o que se trata, mas muitos curiosos ainda não entendem como é feito esse processo.

O que é mineração de Bitcoin?

Um dos termos que está sempre presente quando o assunto é o que é Bitcoin é a mineração da moeda. Os Bitcoins são incorporados à rede por meio dos mineradores, que solucionam cálculos matemáticos complexos de uma equação criptográfica.

Mineração de Bitcoins significa solucionar algoritmos para poder adicionar novas unidades de Bitcoin ao chamado blockchain. O dono do computador que consegue resolver a equação recebe um pagamento em Bitcoins pelo tempo e energia gastos.

Segundo os planos de Nakamoto, o programador misterioso, até 2040 estarão disponíveis 21 milhões de Bitcoins no mundo – sim, é um valor finito que foi definido no momento de criação da criptomoeda. Considerando esse limite e a valorização surpreendente nos últimos anos, não é à toa que surgiram milhares de mineradores recentemente.

Capazes de adicionar à rede mais de 3 mil Bitcoins diariamente, os cálculos de mineração de Bitcoins inicialmente eram possíveis de ser feitos em máquinas comuns. Contudo, hoje em dia, apenas super computadores conseguem decifrar as equações. Com isso, verdadeiros galpões com dezenas ou até centenas de máquinas poderosas trabalhando dia e noite começaram a surgir para poder minerar a criptomoeda.

Esse movimento trouxe à tona uma nova preocupação: o alto consumo da energia. Já circula na internet artigos que chegaram a comparar a energia exigida pelos mineradores ao consumo de países como Dinamarca e Irlanda.

Se os dados são precisos ou não, a lição mais importante é que a questão do gasto energético começa a por em cheque o sistema de mineração de Bitcoins que é feito atualmente. Outra preocupação de muitos investidores mundo afora são os riscos em relação à negociação dos Bitcoins.

Comprar Bitcoins é seguro?

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Quando o assunto é dinheiro, o medo de arriscar e perder tudo é real. De fato, é importante saber se uma aplicação é segura e quais os riscos que ela oferece antes de explorar suas possibilidades.

É preciso entender o que é Bitcoin, como funciona e, principalmente, os riscos atrelados a ele:
      • Volatilidade
      • Anonimato
      • Falta de regulamentação
      • Fraudes e esquemas de pirâmide
      • Ataques de hackers
      • Possibilidade de bolha
 

 Pirâmide financeira

Casos de quem tenta se dar bem às custas do dinheiro alheio não faltam por aí. Um dos mais antigos e famosos é o esquema Ponzi, criado por um imigrante italiano recém chegado aos EUA.

Prometendo lucros acima da média, de até 100% em 90 dias, Charles Ponzi conquistou o interesse de muitas pessoas e, com a entrada de novos participantes, conseguia pagar os retornos prometidos aos integrantes mais antigos.

Entretanto, como era de se imaginar, o plano não durou muito tempo e seu criador foi desmascarado por jornais da época. Essa fraude financeira ficou tão famosa na década de 1920 que até hoje esquemas que envolvem operações fraudulentas de investimento são caracterizadas como esquemas Ponzi.

Apesar de ter sido criado há várias décadas, há episódios recentes de fraude. No Brasil, já houve casos de esquema Ponzi com investimentos envolvendo boi gordo e até avestruzes. Nos EUA, Bernard Madoff foi preso em 2009 após ter criado um esquema Ponzi que movimentou cerca de US$ 65 bilhões em Wall Street.

No caso das criptomoedas, um dos episódios mais famosos de esquema de pirâmide foi o da BitConnect. A plataforma responsável pela moeda virtual foi acusada de oferecer um retorno que se sustentava apenas com a entrada de novos participantes, se assemelhando a uma esquema de pirâmide.

Denunciados por membros da própria comunidade ligada às criptomoedas, os responsáveis pela BitConnect não assumiram a fraude e afirmaram que a plataforma foi desativada devido à pressão negativa vinda de órgãos reguladores do mercado e da imprensa.

Hackers e anonimato

Segundo Alexander Horta, diretor de operações da Bitcoin to You, uma das maiores corretoras de Bitcoin no Brasil, a segurança deve ser prioridade para quem deseja comprar Bitcoins. “As pessoas que não conhecem o mercado precisam buscar corretoras sérias, que oferecem ambiente seguro contra a invasão de hackers e tentativas de fraudes”.

O risco de ataque de hackers é real. No fim de 2017, na Coreia do Sul, uma empresa chamada YouBit declarou falência após ter uma grande quantia da criptomoeda roubada por hackers.

Outro ponto de atenção é o anonimato na rede. Apesar de todas as transações estarem disponíveis na blockchain, não é possível saber quem são os mineradores, quem está vendendo, a origem de um Bitcoin ou seu destino.

Esse anonimato pode abrir portas para outros esquemas ilegais, incluindo caixa dois e lavagem de dinheiro. A Receita Federal brasileira já está de olho nesse movimento e definiu regras para a declaração de Bitcoins no Imposto de Renda.

No Brasil, quem comprar Bitcoins precisa declará-los à Receita Federal. Na hora de preencher a declaração, as moedas virtuais devem ser inseridas na ficha “Bens e Direitos”, com a quantidade e o valor pelo qual foram adquiridas.

Outro detalhe importante: estão sujeitos a tributação de 15% todos os que tiveram ganhos acima de R$ 35 mil no mês com a venda das moedas. É preciso lembrar que o recolhimento do imposto sobre a venda de criptomoedas, quando necessário, deve ser feito até o último dia útil do mês seguinte ao que ocorreu a transação.

Apesar de a Receita Federal já ter enquadrado as moedas virtuais em sua regulamentação, o anonimato se torna uma barreira que pode ajudar muita gente a se esquivar da declaração obrigatória.

Sem regulamentação

Muitos investidores e especialistas do mercado financeiro defendem a regulamentação das criptomoedas. Esse caminho já começa a ser traçado, uma vez que a moeda virtual estreou na Bolsa de Valores de Chicago, mais especificamente no Chicago Board Options Exchange (CBOE). No dia da estreia, a criptomoeda chegou a bater a casa dos R$ 55.600 após o início das negociações.

Apesar de ter sido um passo importante, a regulamentação dos Bitcoins ainda tem uma longa jornada pela frente. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado de capitais no Brasil, proibiu a compra direta de moedas virtuais, como o Bitcoin, por fundos de investimento regulados e registrados no País.

Quem está em dúvida se comprar Bitcoins vale a pena ou não, deve se informar bastante e colocar na balança seus prós e contras.

Veja abaixo alguns fatores que contam a favor e outros que jogam contra os famosos Bitcoins:

Vantagens Desvantagens
- A valorização dos Bitcoins bateu recordes em 2017
- Toda negociação é feita através da internet
- Podem ser usados em diversos países do mundo, sem precisar de casas de câmbio
- O mercado Bitcoin funciona 24 horas todos os dias
- É possível comprar 0,0000001% de um Bitcoin, permitindo a compra por pessoas de diferentes perfis
- As transações são acessíveis a todos os usuários
- Já é possível comprar apartamentos e patrocinar times de futebol com a criptomoeda
- O mercado Bitcoin não é regulamentado
- As transações não podem ser desfeitas
- As transações podem demorar semanas para serem finalizadas
- Pagar um cafézinho com Bitcoins exige altas taxas de operação
- Alguns países, como Equador, Vietnã e Islândia, proíbem Bitcoins
- Há chance de ter a carteira virtual roubada e será quase impossível recuperá-la
- Não há garantia que comprove seu valor atual
- Assim como sobe muito, a cotação Bitcoin também pode cair na mesma proporção e a qualquer momento

 

Com tantos fatores para considerar, fica difícil prever o que vai acontecer daqui para frente. Com o futuro ainda incerto, há quem diga que a cotação Bitcoin pode subir muito ainda, outros acreditam que após a regulação haverá uma correção do mercado e o preço pode cair para patamares mais realistas.